06 de setembro | 2026

Santa Casa inicia maior ampliação em seis décadas com obra de quase R$ 29 milhões

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Projeto terá mais de 3,4 mil metros quadrados, estrutura para até 72 novos leitos, ampliação da UTI, centro cirúrgico e hemodiálise. Com outros R$ 10 milhões anunciados pelo Estado para equipamentos, investimentos ligados à expansão chegam a R$ 39 milhões.

A Santa Casa de Misericórdia de Olímpia iniciou na quarta-feira, 2, a maior ampliação de sua estrutura hospitalar em quase seis décadas. A instalação da pedra fundamental marcou também a mobilização do canteiro de obras que deverá transformar a capacidade de internação, cirurgia, terapia intensiva e hemodiálise do hospital, que se aproxima do centenário.

O investimento municipal é de quase R$ 29 milhões. O projeto prevê, numa primeira etapa, a reforma de uma área para instalação de 12 leitos e, na sequência, a construção de uma nova ala com capacidade estrutural para outros 60. A Brasgips Construções Corporativas venceu o processo de contratação e ficará responsável pela execução.

MAIS DE 3,4 MIL METROS QUADRADOS

O edital da concorrência detalha duas frentes. A primeira abrange 246,95 metros quadrados, que serão reformados e adaptados para receber os 12 leitos iniciais. A segunda é muito maior: um novo prédio hospitalar de 3.173,75 metros quadrados, elevando a intervenção total para aproximadamente 3.420 metros quadrados.

A nova ala terá infraestrutura específica para ambiente hospitalar, incluindo gases medicinais, climatização, redes elétrica, hidráulica e lógica, sistemas de segurança, acessibilidade e prevenção contra incêndios. A empresa contratada também assume a elaboração dos projetos executivos, aprovações e licenças necessárias.

12 LEITOS DEVEM FICAR PRONTOS PRIMEIRO

A reforma que criará os primeiros 12 leitos tem prazo previsto de seis meses. Já a nova ala, de dois pavimentos e capacidade para 60 leitos, deverá ser entregue em até 18 meses. O contrato previsto no edital tem vigência total de 22 meses, considerando todas as etapas administrativas e de execução.

A expectativa é que os 12 leitos possam aliviar mais rapidamente a pressão sobre a UPA, onde pacientes que necessitam de internação aguardam transferência para a Santa Casa. O projeto prevê ainda uma nova porta de atendimento referenciado, com acesso pela Rua Benjamin Constant.

CENTRO CIRÚRGICO VAI DE TRÊS PARA OITO SALAS

Uma das ampliações mais significativas ocorrerá no centro cirúrgico. A estrutura atual de três salas deverá passar para oito, com a implantação de cinco novas unidades, permitindo ampliar a realização de procedimentos e abrir espaço para participação em programas estaduais e federais de cirurgias especializadas.

A UTI também deverá crescer. Atualmente são sete leitos, segundo dados apresentados no lançamento da obra, e o projeto prevê chegar a dez, sendo sete destinados ao SUS, dois a convênios e um de isolamento. O secretário de Saúde e vice-prefeito, Márcio Iquegami, informou que atualmente quatro dos leitos de UTI são destinados ao SUS.

HEMODIÁLISE PODERÁ MAIS QUE DOBRAR

A hemodiálise é outra área que ganhará espaço. Atualmente o serviço atende cerca de 60 pacientes. Dados apresentados no lançamento apontam 11 cadeiras em operação. Com a expansão, a estrutura terá espaço para até 24 posições, sendo que o planejamento inicial prevê operação com 20 e capacidade para atender mais de 100 pacientes.

No lançamento da obra, dirigentes e gestores apontaram que a capacidade efetivamente disponível atualmente gira em torno de 83 ou 84 leitos, justamente porque espaços foram sendo convertidos para novos serviços.

Com a expansão, a projeção apresentada em maio era chegar a 156 leitos estruturais.

DINHEIRO VEIO DA OUTORGA DA SABESP

Os quase R$ 29 milhões são provenientes do Convênio de Investimento nº 01/2026, firmado entre Prefeitura e Santa Casa, utilizando recursos da outorga da concessão dos serviços de água e esgoto. Em 2023, a Sabesp venceu a concessão por 30 anos oferecendo R$ 148 milhões de outorga fixa.

Além do recurso municipal, o Governo do Estado anunciou em junho R$ 10 milhões para aquisição de equipamentos destinados à nova estrutura. Esse dinheiro não integra o contrato da construção. Somando o investimento municipal e o valor estadual anunciado, o volume de recursos relacionados à modernização chega a aproximadamente R$ 39 milhões.

O desafio, entretanto, não termina com prédio e equipamentos. A expansão também exigirá contratação e manutenção de profissionais para fazer funcionar dezenas de novos leitos, salas cirúrgicas, UTI e hemodiálise. Durante o lançamento, a própria Secretaria de Saúde reconheceu que o custo dos equipamentos pode superar os R$ 10 milhões inicialmente anunciados pelo Estado.

QUASE 90% DOS ATENDIMENTOS SÃO PELO SUS

Apesar de receber recursos públicos e prestar grande parte do atendimento da rede municipal, a Santa Casa é uma instituição privada, filantrópica e laica. Segundo o provedor Claudinei Queiroz, no primeiro semestre de 2026, quase 90% dos atendimentos foram realizados pelo SUS. Ele informou ainda que o repasse municipal ao hospital aumentou cerca de 30% desde 2025.

A demanda também vem crescendo. A Prefeitura informou que os atendimentos registrados em 2025 e 2026 já estão quase 25% acima dos números de 2024. Paralelamente à obra pública, existe ainda um projeto privado da Unimed, estimado entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões, para construção de uma área de quase mil metros quadrados no antigo espaço do Hemocentro, que permanecerá como patrimônio da Santa Casa.

HOSPITAL CHEGA AO CENTENÁRIO EM 2027

A instituição foi fundada em 2 de junho de 1927 e inaugurada em abril de 1937. A última grande ampliação ocorreu no final da década de 1960, com a construção da maternidade. Por isso, a obra iniciada agora é considerada a maior transformação física do hospital em aproximadamente seis décadas.

A Santa Casa completa 100 anos em 2027, mas a nova ala deverá ficar pronta somente em 2028 se for cumprido o cronograma de 18 meses. A construção será industrializada, com estrutura metálica e componentes fabricados fora do hospital, sistema escolhido para reduzir barulho, sujeira e interferências numa unidade que continuará funcionando normalmente durante toda a obra.

 

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