26 de outubro | 2025
Seringueira histórica de Olímpia é degolada pela motosserra da CPFL
REVOLTA EM OLÍMPIA!
Jornalista explode contra CPFL ao vivo por derrubada de árvore histórica na entrada da cidade. Ação da companhia de energia para construção de nova subestação motivou a remoção da árvore, considerada “cartão postal”. Laudos apontam espécie exótica em área particular, dispensando autorização municipal para erradicação. Manifestantes foram ao local na tentativa de impedir o corte.



A revolta foi o clímax de um segmento do programa onde o jornalista e sua filha, Bruna Silva Arantes Savegnago, debateram a derrubada. Arantes criticou duramente o que chamou de “ganância” da empresa por, supostamente, não alterar seu projeto para preservar a árvore, que era um marco visual para muitos olimpienses.
A situação ganhou notoriedade após a convocação de um “Ato de Protesto contra o Corte da Seringueira”, marcado para as 7h da manhã de terça (21), no km 0 da vicinal. Vídeos exibidos no podcast mostraram populares no local e o início da operação de corte, com caminhão e guindaste posicionados.
Na quinta-feira (23), Arantes esteve novamente no local e constatou que restava apenas o tronco da árvore, classificando a ação como um “verdadeiro crime contra a memória e a beleza da cidade”.
DOCUMENTOS JUSTIFICAM A AÇÃO
Durante o podcast, Arantes e Bruna analisaram documentos oficiais que embasaram a decisão. Um Laudo de Vistoria (LV nº 235 / 2024) da Secretaria Municipal de Zeladoria e Meio Ambiente, datado de 13 de dezembro de 2024, identificou a árvore como uma espécie exótica originária da Ásia. O laudo também esclareceu que, na verdade, tratavam-se de dois exemplares com troncos unidos, localizados dentro de propriedade particular.
Por ser uma espécie exótica e estar fora do passeio público, o parecer técnico da Prefeitura concluiu que “não havia a necessidade de emissão de autorização para erradicação ou mesmo compensação”.
Outros documentos exibidos confirmaram o projeto da CPFL: uma “Providência” da Divisão de Projetos e Obras Públicas da Prefeitura autorizou a construção da rede de alimentadores, respeitando a distância de 15m do eixo da rodovia, e uma carta da CPFL ao proprietário do terreno, de 9 de dezembro de 2024, informou sobre a necessidade do manejo da vegetação para a implantação da nova subestação Parque das Águas e expansão da rede, justificando a remoção para garantir a qualidade do fornecimento e evitar riscos como curtos-circuitos ou incêndios.
Uma nota oficial da Prefeitura reiterou que a área é particular e a árvore exótica, dispensando anuência municipal para a retirada autorizada pelo proprietário.
MORADORES TENTARAM ALTERNATIVAS
Representantes de moradores próximos, como Denise, da diretoria do Tênis Clube, expressaram preocupação e buscaram alternativas. Denise relatou em áudio ter contatado o Ministério Público e buscado outras opções, mostrando-se apreensiva com a interdição da via para o corte.
“O que nós gostaríamos? Um tempo maior para que a gente conseguisse verificar a possibilidade deles reverem esse projeto, de fazer um desvio”, afirmou, ressaltando o desejo de encontrar uma segunda alternativa que não implicasse na derrubada, sem prejudicar a obra ou confrontar os trabalhadores.
Apesar da aparente legalidade, Arantes questionou a rigidez da CPFL. “Analisando aqui, se você corta alguns galhos e tal, até entendo. Mas, para não desviar um postinho da CPFL, destruir uma árvore dessa?”, indagou, sugerindo que o projeto poderia ter sido ajustado.
O jornalista finalizou suas críticas acusando a companhia de impor sua vontade à população. “Na ganância de não querer usar melhor o nosso dinheiro… Enfiaram goela abaixo da gente, mais uma vez, a morte do belo, o assassinato da contemplação. […] Somos idiotas perto desse pessoal, dessas organizações gigantes que mandam e não pedem”.
A via foi interditada temporariamente para a operação, com apoio da Secretaria de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana e da GCM, e a previsão era de normalização nos dias seguintes.
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