26 de outubro | 2025

Seringueira histórica de Olímpia é degolada pela motosserra da CPFL

Compartilhe:

REVOLTA EM OLÍMPIA!
Jornalista explode contra CPFL ao vivo por derrubada de árvore histórica na entrada da cidade. Ação da companhia de energia para construção de nova subestação motivou a remoção da árvore, considerada “cartão postal”. Laudos apontam espécie exótica em área particular, dispensando autorização municipal para erradicação. Manifestantes foram ao local na tentativa de impedir o corte.

O corte de uma imponente árvore Seringueira (Ficuselastica) na entrada de Olímpia, na Vicinal Álvaro Marreta Cassiano Ayusso, tornou-se o centro de uma grande polêmica nesta semana, culminando em protestos e em uma explosão de indignação do jornalista José Antônio Arantes durante a transmissão ao vivo do podcast “Pod Pai e Filha” na última terça-feira (21). Arantes encerrou o programa batendo na mesa e gritando “Vão pro inferno!”, em um desabafo contra a ação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

A revolta foi o clímax de um segmento do programa onde o jornalista e sua filha, Bruna Silva Arantes Savegnago, debateram a derrubada. Arantes criticou duramente o que chamou de “ganância” da empresa por, supostamente, não alterar seu projeto para preservar a árvore, que era um marco visual para muitos olimpienses.

A situação ganhou notoriedade após a convocação de um “Ato de Protesto contra o Corte da Seringueira”, marcado para as 7h da manhã de terça (21), no km 0 da vicinal. Vídeos exibidos no podcast mostraram populares no local e o início da operação de corte, com caminhão e guindaste posicionados.

Na quinta-feira (23), Arantes esteve novamente no local e constatou que restava apenas o tronco da árvore, classificando a ação como um “verdadeiro crime contra a memória e a beleza da cidade”.

DOCUMENTOS JUSTIFICAM A AÇÃO

Durante o podcast, Arantes e Bruna analisaram documentos oficiais que embasaram a decisão. Um Laudo de Vistoria (LV nº 235 / 2024) da Secretaria Municipal de Zeladoria e Meio Ambiente, datado de 13 de dezembro de 2024, identificou a árvore como uma espécie exótica originária da Ásia. O laudo também esclareceu que, na verdade, tratavam-se de dois exemplares com troncos unidos, localizados dentro de propriedade particular.

Por ser uma espécie exótica e estar fora do passeio público, o parecer técnico da Prefeitura concluiu que “não havia a necessidade de emissão de autorização para erradicação ou mesmo compensação”.

Outros documentos exibidos confirmaram o projeto da CPFL: uma “Providência” da Divisão de Projetos e Obras Públicas da Prefeitura autorizou a construção da rede de alimentadores, respeitando a distância de 15m do eixo da rodovia, e uma carta da CPFL ao proprietário do terreno, de 9 de dezembro de 2024, informou sobre a necessidade do manejo da vegetação para a implantação da nova subestação Parque das Águas e expansão da rede, justificando a remoção para garantir a qualidade do fornecimento e evitar riscos como curtos-circuitos ou incêndios.

Uma nota oficial da Prefeitura reiterou que a área é particular e a árvore exótica, dispensando anuência municipal para a retirada autorizada pelo proprietário.

MORADORES TENTARAM ALTERNATIVAS

Representantes de moradores próximos, como Denise, da diretoria do Tênis Clube, expressaram preocupação e buscaram alternativas. Denise relatou em áudio ter contatado o Ministério Público e buscado outras opções, mostrando-se apreensiva com a interdição da via para o corte.

“O que nós gostaríamos? Um tempo maior para que a gente conseguisse verificar a possibilidade deles reverem esse projeto, de fazer um desvio”, afirmou, ressaltando o desejo de encontrar uma segunda alternativa que não implicasse na derrubada, sem prejudicar a obra ou confrontar os trabalhadores.

Apesar da aparente legalidade, Arantes questionou a rigidez da CPFL. “Analisando aqui, se você corta alguns galhos e tal, até entendo. Mas, para não desviar um postinho da CPFL, destruir uma árvore dessa?”, indagou, sugerindo que o projeto poderia ter sido ajustado.

O jornalista finalizou suas críticas acusando a companhia de impor sua vontade à população. “Na ganância de não querer usar melhor o nosso dinheiro… Enfiaram goela abaixo da gente, mais uma vez, a morte do belo, o assassinato da contemplação. […] Somos idiotas perto desse pessoal, dessas organizações gigantes que mandam e não pedem”.

A via foi interditada temporariamente para a operação, com apoio da Secretaria de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana e da GCM, e a previsão era de normalização nos dias seguintes.

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas