30 de março | 2025
Folha da Região completa 45 anos: uma história escrita com coragem, resistência e compromisso com a verdade
Fundado em 3 de abril de 1980, jornal chega à edição nº 2.724 mantendo sua independência editorial e reafirmando seu papel como defensor da democracia, da cidadania e do direito à informação.
DO CONSELHO EDITORIAL – Há exatos 45 anos, nascia em Olímpia um jornal que viria a marcar profundamente a história da cidade e da região. Em 3 de abril de 1980, em plena vigência do regime militar, quando a democracia brasileira ainda engatinhava rumo à redemocratização, surgia a Folha da Região, publicação semanal que não se curvou ao silêncio imposto pelos poderosos nem às pressões dos donos do poder local.
Hoje, na edição de número 2.724, o jornal celebra não apenas sua longevidade, mas a coerência de uma trajetória construída com coragem, resistência e um compromisso inabalável com a verdade dos fatos, que podem ser comprovados por seus arquivos que formam uma verdadeira biblioteca histórica da cidade.
NASCEU EM TEMPOS DUROS
A primeira edição circulou quando o país ainda estava sob os ecos da repressão do regime militar, sob o governo do general João Figueiredo. E mesmo nesse contexto hostil à liberdade de imprensa, a Folha ousou nascer com uma proposta editorial independente e crítica.
Como já se disse em editoriais anteriores, não se tratava apenas de um jornal. Era — e ainda é — uma trincheira em defesa da cidadania e do direito do povo à informação verdadeira, contextualizada e livre das amarras do jogo político.
INDEPENDÊNCIA COMO PRINCÍPIO
Desde o início, o jornal manteve sua linha editorial baseada na frase que se tornou um lema e um norte: “a Folha da Região sempre teve e sempre terá o rabo preso só com o leitor”.
Enquanto outros veículos da cidade se rendiam à lógica do “jornalismo de compadrio”, servindo a interesses eleitorais ou comerciais, a Folha se firmava como um bastião do jornalismo que denuncia, fiscaliza, questiona e propõe. A cada semana, uma nova edição rompia o silêncio conveniente e trazia à tona o que muitos queriam esconder debaixo do tapete.
PERSEGUIÇÕES E PROCESSOS
Evidentemente, essa postura teve seu preço. Foram muitas as vezes em que o jornal sofreu tentativas de sufocamento. Desde a negação de verbas públicas para publicidade institucional, passando por retaliações de fornecedores ligados a grupos políticos, até uma avalanche de processos judiciais com o claro objetivo de intimidar. Mas o jornal resistiu. Nunca baixou a cabeça. Pelo contrário: cada tentativa de silenciamento era um estímulo a mais para seguir firme.
Em determinado momento da trajetória, o editor e fundador do jornal, José Antônio Arantes, decidiu cursar Direito — não apenas por gosto, mas por necessidade: compreender a fundo os mecanismos jurídicos era a única forma de continuar enfrentando as forças que queriam calar sua voz e a do jornal.
UMA HISTÓRIA DE LUTAS E CONQUISTAS
Foram muitas as batalhas. Muitas as madrugadas insones. Muitos os momentos de incerteza financeira. E também muitas as tentativas de desestabilizar a empresa, seja por boicotes, seja por ataques pessoais ao seu editor.
Mas também foram inúmeras as conquistas: reportagens que provocaram mudanças, denúncias que geraram investigações, matérias que mobilizaram a opinião pública.
O jornal se fez presente em todos os grandes momentos da cidade — e, em muitos casos, ajudou a escrevê-los.
NÃO É NEGATIVISMO, É DEVER
Em diversos momentos, o jornal foi acusado de “jornalismo negativista”. Mas como sempre se argumentou nas páginas da Folha, o papel da imprensa não é elogiar o óbvio. Quando um prefeito cumpre sua obrigação, como trocar lâmpadas ou reformar uma praça, não se trata de notícia — trata-se de dever.
A manchete vem quando há algo de excepcional — ou quando há algo de errado. O bom jornalismo não é propaganda institucional. É prestação de serviço, é compromisso com o interesse público.
DE BALZAC A BOTUCATU
Chegar aos 45 anos é, para um jornal, um feito raro — especialmente no interior, especialmente em tempos de crise do impresso.
Em um antigo editorial, comparou-se o jornal a uma “mulher balzaquiana”, amadurecida, charmosa, experiente.
Hoje, a Folha está para além de Balzac: é uma senhora que envelheceu com dignidade, mas não perdeu o vigor. Continua firme, de olhar atento, e com a mesma chama de indignação que a fez nascer.
AGRADECIMENTO AOS QUE CONSTRUÍRAM ESSA HISTÓRIA
Seria injusto não lembrar daqueles que ajudaram a construir essa história. Desde os primeiros sócios e colaboradores — como Alfredo Baiochi Neto, Alberto Lomba, Orlando Costa, Valter Carucce, José Leal, Sueli Damion, João Rodrigues Ferreira, Genival Aparecido da Silva, Paulo de Tarso Pereira, Luiz Jacaré, Willian Zanolli, Oscar Albergaria Prado, Luiz Alberto Tófolli, Sérgio José Martinussi, Sílvio Facetto, Adilson Hipólito, entre tantos outros — até os profissionais que ao longo das décadas contribuíram com suas palavras, seus olhos, suas mãos e seus corações.
Cada um deixou sua marca.
E O FUTURO?
Seja em papel, seja na internet, seja no rádio, a missão continua: informar com verdade, lutar pela justiça, defender os interesses coletivos.
A Folha não nasceu para agradar os donos do poder. Nasceu para ser livre — e assim permanecerá, até que a última letra seja impressa.
Num tempo em que a desinformação e as fake news se multiplicam, manter um jornal sério, independente e com circulação ininterrupta por 45 anos é mais do que um feito editorial: é um ato de resistência.
Parabéns a todos que fizeram e fazem parte desta história. E que venham muitas outras rosas no jardim da existência — mesmo que para colhê-las seja preciso enfrentar os espinhos da verdade.
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