30 de março | 2026

Resiliência sob as cinzas: o desafio do Iquegami em Olímpia

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Uma análise sobre o impacto do incêndio na unidade da Aurora Forti Neves e o histórico de superação de uma família que é pilar da economia regional.

José Antônio Arantes – O recente incêndio que atingiu a unidade do Iquegami Supermercados na Avenida Aurora Forti Neves, em Olímpia, não é apenas um incidente isolado de danos materiais e logísticos. Para quem observa as colunas de fumaça que subiram aos céus da Estância Turística naquela noite de domingo, o que se via ali era a ameaça a um dos pilares da identidade econômica e social de nossa comunidade.

O fogo, que segundo as informações preliminares teria se originado em uma loja da galeria interna, atingiu entre 10% e 20% da estrutura, mas o impacto emocional na cidade de Olímpia foi, sem dúvida, de 100%.

A HISTÓRIA DE UMA FAMÍLIA
QUE SE CONFUNDE COM A CIDADE

A história da família Iquegami confunde-se com o próprio desenvolvimento do varejo no interior paulista. Tudo começou em outubro de 1965, com a coragem de Kioshi e Mercedes Iquegami, que abriram as portas de uma modesta mercearia.

Ao longo de seis décadas, sob a liderança de José Kioshi Iquegami (o Zezinho) e, mais recentemente, da nova geração representada por João, Juliano e Junior Iquegami, o grupo provou que a gestão profissional, quando aliada aos valores familiares, é capaz de sobreviver a crises econômicas, planos governamentais e, agora, a um sinistro de grandes proporções no coração de sua cidade natal e em sua maior loja.

DA MERCEARIA DE BAIRRO
AO GIGANTE DO VAREJO

O crescimento do Iquegami nunca foi fruto do acaso, mas de uma expansão calculada que começou a ganhar corpo em 1996, quando a antiga mercearia se transformou oficialmente em um supermercado moderno.

A partir dali, a abertura de unidades em Guaraci, Bebedouro e outras nove cidades vizinhas consolidou a rede como uma das 100 maiores do Brasil, segundo a ABRAS.

IMPACTO ECONÔMICO
E REAÇÃO DA CIDADE

Atualmente, com mais de 2.600 colaboradores e 22 lojas, o grupo é um organismo vivo que movimenta não apenas mercadorias, mas o sustento de milhares de lares. É essa capilaridade que torna o incêndio de domingo um assunto de interesse público e político.

A reação da Câmara Municipal de Olímpia e a mobilização de forças vizinhas, como os caminhões-pipa vindos de Severínia e Cajobi, demonstram que o Iquegami não é visto apenas como uma empresa, mas como um patrimônio regional.

A ECONOMIA SENTE O CALOR

Quando uma gôndola queima no Iquegami, a economia local sente o calor.

A preocupação demonstrada pelos vereadores na última sessão reforça o papel da empresa como locomotiva de empregos.

É reconfortante notar que, apesar da destruição de parte do estoque e fiação, a rede já se articula para remanejar funcionários, evitando o desemprego imediato e mantendo viva a chama da operação em suas outras unidades.

A TECNOLOGIA COMO ESCUDO E O LAUDO DO FUTURO

Um detalhe técnico que merece destaque nesta análise é o papel do PVC antichamas instalado no forro da unidade. Em um cenário onde tudo poderia ter sido reduzido a cinzas em minutos, a tecnologia de segurança serviu como um escudo invisível que preservou o estoque principal e, mais importante, a integridade estrutural das casas vizinhas.

Isso levanta uma reflexão necessária para todo o setor comercial: o investimento em prevenção e materiais de qualidade não é um custo, mas a garantia de que o “amanhã” existirá após uma fatalidade.

O LAUDO TÉCNICO E O LAUDO SOCIAL

O aguardado laudo da Polícia Científica, previsto para abril, trará as respostas técnicas necessárias para encerrar este capítulo. No entanto, o “laudo social” já foi emitido pela população de Olímpia: há uma corrente de solidariedade e uma expectativa de reabertura que mostram a força da marca “do Japonesinho”.

Para os pequenos lojistas da galeria e para o Restaurante Tarzan, que também sofreram danos, o momento é de união com o poder público.

A recuperação daquela esquina da Aurora Forti Neves é uma questão de honra para uma cidade que vive do turismo e da hospitalidade.

O COMPROMISSO COM
O RECOMEÇO E A META 2030

Olhando para o futuro, o Grupo Iquegami já declarou sua meta audaciosa de atingir 35 lojas e faturar R$ 2 bilhões até 2030. Um incêndio, por mais traumático que seja, dificilmente paralisará uma família que saiu de 72 m² para conquistar o Noroeste Paulista.

A resiliência está no DNA desta linhagem. Se em 2014 a rede já havia superado um desafio semelhante em uma loja de Bebedouro, a experiência acumulada agora servirá de combustível para uma reconstrução ainda mais moderna e segura em sua sede principal.

LIÇÃO PERMANENTE

Concluímos esta análise com a certeza de que a interdição da Loja 04 é temporária, mas a lição deixada é permanente. O varejo é feito de pessoas, de histórias de balcão e de uma confiança que leva décadas para ser construída.

O Iquegami Supermercados é, acima de tudo, um exemplo de que o espírito empreendedor é à prova de fogo.

Olímpia espera, com a paciência de quem conhece seus filhos ilustres, o dia em que as portas daquela unidade se abrirão novamente, provando que a tradição e a inovação caminham juntas, mesmo quando o caminho é pavimentado por desafios inesperados.

 

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