08 de junho | 2025

Sob fumaça e frio: Olímpia enfrenta crise ambiental e de saúde

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Temperaturas abaixo de 8ºC, ar seco e avanço das queimadas formam combinação perigosa para a saúde e escancaram os efeitos da degradação ambiental em Olímpia.

José Antônio Arantes – O final de maio de 2025 surpreendeu os moradores de Olímpia com uma onda de frio intensa e atípica para a época. Os termômetros chegaram a marcar 7,7ºC, a menor temperatura registrada na cidade neste período nos últimos anos, bem abaixo da média histórica de 16,7ºC.

O frio fora de época chegou acompanhado de baixa umidade relativa do ar, que alcançou índices inferiores a 25%, caracterizando estado de alerta segundo a Organização Mundial da Saúde.

Como se não bastasse, o aumento das queimadas urbanas e rurais piorou ainda mais o quadro, provocando uma provável crise ambiental e de saúde pública no município.

Quem vive em Olímpia sabe que o inverno seco sempre traz consigo um período crítico para a respiração. A combinação de ar parado, tempo firme, poluição por queima de vegetação e baixíssima umidade formam uma mistura perigosa para a saúde da população.

Em 2024, o município registrou uma das piores qualidades do ar da região, com níveis de material particulado muito acima do recomendado, levando a cidade a ser incluída em alerta pela Defesa Civil Estadual.

Agora, em 2025, os primeiros sinais apontam para o agravamento ou a repetição do cenário.

QUEIMADAS E POLUIÇÃO AMBIENTAL

Dados do MapBiomas apontam que Olímpia foi o município com maior área queimada da região de São José do Rio Preto no ano passado: cerca de 9.900 hectares foram consumidos pelo fogo. Muitas dessas queimadas ocorreram em terrenos baldios, áreas de cultivo e até mesmo em matas remanescentes. O mais alarmante é que boa parte desses incêndios foi causada por ação humana: seja por práticas rurais indevidas, seja pela incineração de lixo em quintais e calçadas.

O reflexo dessas condições na saúde é direto e brutal. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, já houve aumento significativo nos atendimentos por doenças respiratórias nas últimas semanas, incluindo casos de asma, bronquite, rinites alérgicas e infecções pulmonares. Crianças e idosos são os mais afetados. O sistema de saúde, que já opera sob pressão, pode ter sua situação agravada caso os padrões climáticos e ambientais se mantenham.

DESMATAMENTO E URBANIZAÇÃO DESORDENADA

A degradação do meio ambiente em Olímpia não é recente. Historicamente recoberta pela Mata Atlântica, a região perdeu mais de 90% da sua vegetação nativa ao longo das décadas. Atualmente, restam pouco mais de 4% de cobertura florestal, em fragmentos esparsos e, em sua maioria, degradados. Essa perda de vegetação compromete a regeneração do solo, a qualidade da água, a estabilidade climática local e a biodiversidade.

A urbanização acelerada também contribuiu para o agravamento da situação. A mancha urbana se expandiu sem a devida preocupação com a preservação ambiental. O resultado é a formação de ilhas de calor, desequilíbrio hídrico e aumento da pressão sobre os recursos naturais.

RESPONSABILIDADE SOCIAL E CULTURAL

A população também tem sua parcela de responsabilidade. A cultura da queima para “limpeza” de terrenos e descarte de entulho é antiga em Olímpia. Mesmo com legislação proibitiva e campanhas educativas, muitos ainda recorrem ao fogo como solução fácil.

É comum ver fumaça saindo de fundos de quintal ou terrenos baldios, em plena zona urbana. Em tempos de frio e ar seco, esse comportamento é criminoso e coloca em risco a saúde coletiva.

A prefeitura tem atuado com campanhas de conscientização e fiscalização, inclusive com previsão de multas de até R$ 8 mil para infratores. Mas só isso não basta. É urgente a implementação de um plano municipal de emergência climática, que envolva desde o reflorestamento de áreas urbanas e rurais até a ampliação de campanhas de educação ambiental nas escolas e comunidades. Também é necessária maior integração entre os setores de saúde, meio ambiente e empresariado, para garantir que a cidade não seja sufocada, literalmente.

PLANO DE AÇÃO E ESPERANÇA

A situação vivida hoje é um alerta claro: estamos colhendo as consequências de anos de omissão e negligência com o meio ambiente. Mas ainda há tempo para agir. Olímpia possui condições de se tornar um modelo de turismo sustentável e de planejamento ambiental. Para isso, é preciso vontade política e compromisso coletivo, como o demonstrado pelo maior empreendimento da cidade, o Thermas dos Laranjais, que promoveu esta semana uma série de atividades alusivas ao meio ambiente.

Mas neste Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06), a reflexão se impõe: vamos continuar ignorando os sinais ou vamos finalmente respirar aliviados (sem a fumaça das queimadas e a poeira que ela junta) por saber que estamos mudando o rumo da história ambiental da nossa cidade?

 

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