25 de março | 2025

Reajuste a servidores provoca tumulto e bate-boca durante sessão na Câmara de Olímpia

Compartilhe:

Vereador Gustavo Pimenta mandou sindicalista “ficar quieto” e foi vaiado por servidores nas galerias. Proposta do Executivo foi aprovada com críticas e protestos. Prefeito Geninho não compactua com agressões.

Da Redação com fotos e vídeo de Leonardo Concon – A votação do reajuste de 5,5% para os servidores municipais de Olímpia, realizada na sessão da Câmara da última segunda-feira, 24, foi marcada por forte tensão, gritaria e ofensas trocadas entre vereadores e parte do público presente. O momento mais crítico ocorreu durante a fala do vereador Gustavo Pimenta, líder do prefeito Geninho Zuliani, que mandou o presidente do sindicato dos servidores, Jesus Buzzo, “ficar quieto”, após ser interrompido.

O plenário ficou lotado principalmente por professores e servidores públicos, que protestavam contra o índice de reajuste considerado insuficiente e contra a condução das negociações. Gritos de “vergonha”, “esmola” e vaias constantes fizeram o presidente da Câmara, Flávio Olmos, suspender a sessão por duas vezes.

LÍDER DO PREFEITO
SE IRRITA COM MANIFESTAÇÕES

Durante sua fala pela liderança do União Brasil e do prefeito, Gustavo Pimenta criticou o sindicato por, segundo ele, não ter procurado os vereadores antes da sessão para dialogar sobre o projeto. “Chegaram aqui pilhados, pela convocação feita. Vieram pra pressionar. Isso não resolve. O projeto vai ser votado e aprovado”, afirmou.

Ao ser interrompido por Jesus Buzzo, Pimenta reagiu de forma ríspida: “O senhor fique quieto que eu estou falando. O senhor não precisa vir aqui gritar”. O clima se acirrou ainda mais quando o vereador se dirigiu a uma servidora nas galerias: “A senhora fica quieta também, dá licença. Acha que na pressão vai resolver?”.

PIMENTA DIZ QUE SINDICATO
AGIU DE FORMA INFELIZ

Pimenta lembrou que já esteve ao lado de servidores em protestos anteriores, como em 2019, quando caminhou com membros do sindicato até a praça central, sem ser recebido pela Prefeitura. “O prefeito nem deu bola. E o que o sindicato fez? Uma nota de repúdio”, ironizou.

Ele também criticou a forma como a mobilização atual foi conduzida. “Não fui procurado por ninguém antes da votação. Meu escritório é na Rua Síria, 1109. Agora, vir pressionar no dia da votação, lotar o plenário para tentar mudar o voto? Isso não funciona”, declarou.

ACUSAÇÃO DE FALTA DE CONHECIMENTO
E DESPREPARO

Ao longo do discurso, o vereador elevou o tom e acusou os servidores de não conhecerem os trâmites legislativos e de agirem com despreparo. “Vocês não sabiam nem quem era o líder do prefeito. Não sabiam quem compunha a comissão de orçamento. Vieram na pressão, mas sem argumento”, disparou.

Em outro trecho, ironizou a mobilização nas redes sociais: “São muito bons pra reclamar na internet. Querem mudança? Façam piquete na frente da minha casa. Me procurem com um argumento plausível”.

REAJUSTE FOI APROVADO,
MAS GRATIFICAÇÃO PODE SER QUESTIONADA NA JUSTIÇA

Apesar do tumulto, os vereadores aprovaram o reajuste salarial de 5,5%, retroativo a 1º de janeiro de 2025, beneficiando servidores ativos, aposentados e pensionistas. Também foi aprovada a criação de uma gratificação de R$ 100 mensais por assiduidade, válida apenas nos meses em que não houver faltas ou licenças, com exceção de férias ou ausências legalmente justificadas.

No entanto, a legalidade dessa gratificação pode ser contestada na Justiça. Em decisão recente, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou inconstitucional gratificações por assiduidade em outras cidades, apontando violação à impessoalidade e moralidade administrativa.

SESSÃO PRECISOU SER INTERROMPIDA DUAS VEZES

Com as reações exaltadas do público, a sessão foi suspensa duas vezes pelo presidente Flávio Olmos. “A discussão é saudável, mas não pode haver manifestações na plateia enquanto os vereadores estiverem falando”, alertou, pedindo a colaboração do público.

Em meio às tentativas de retomada, Pimenta sugeriu a inversão de pauta, para que os demais projetos fossem votados antes das matérias polêmicas. No entanto, prevaleceu a decisão de seguir a ordem original. A sessão foi concluída após mais de duas horas de discussões e trocas de farpas.

PREFEITO NÃO COMPACTUA COM AGRESSÃO

Embora o prefeito não tenha se manifestado oficialmente, pessoas ligadas a ele, comentavam na terça-feira, que Geninho sempre primou pela educação e o diálogo e, com certeza, não compactua com estes atos de agressividade.

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas