21 de julho | 2026

Chefe de gabinete pede exoneração em meio à denúncia de suposta “rachadinha” na Câmara

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Mário Márcio Moreira Soares protocolou o desligamento na manhã desta terça-feira, quatro dias depois do pedido para atuação da Comissão de Ética e em meio à informação de que documentos foram entregues ao Ministério Público. Ele alegou motivos pessoais, e até o momento não existe confirmação de que a saída esteja relacionada à denúncia.

O chefe de gabinete da Câmara Municipal de Olímpia, Mário Márcio Moreira Soares, pediu desligamento voluntário do cargo em meio à repercussão das denúncias sobre uma suposta prática de “rachadinha” no Legislativo. O documento foi protocolado às 8h05 desta terça-feira, dia 21, na própria Câmara.

O pedido está datado de segunda-feira, dia 20, e aparece registrado como Requerimento nº 504/2026. A saída ocorre poucos dias depois de o vereador Otávio Hial declarar ter encaminhado documentos ao Ministério Público e de Gustavo Pimenta pedir autorização para convocar a Comissão de Ética e Disciplina da Câmara.

PROXIMIDADE DAS DATAS LEVANTA QUESTIONAMENTOS

A sequência dos acontecimentos levanta questionamentos sobre uma possível relação entre o desligamento e a denúncia. Até o momento, entretanto, não foi apresentado nenhum documento que associe Mário Márcio aos supostos repasses, e seu nome não foi citado publicamente por Otávio Hial como participante ou testemunha do caso.

Na solicitação encaminhada à Mesa Diretora, o chefe de gabinete afirma que a decisão foi tomada por “motivos de ordem pessoal, após cuidadosa reflexão”. Ele acrescenta que o pedido não representa desrespeito à instituição nem aos funcionários com os quais trabalhou.

PEDIDO FOI APRESENTADO COMO VOLUNTÁRIO

Mário Márcio solicita que seu desligamento produza efeito a partir da data do documento, respeitados os procedimentos administrativos necessários. Também agradece pela confiança recebida durante o período em que permaneceu na função.

No texto, ele afirma ter procurado desempenhar suas atribuições com dedicação, responsabilidade e respeito aos princípios da Administração Pública. O então chefe de gabinete também se coloca à disposição para auxiliar na transição das atividades e evitar prejuízos ao funcionamento da Câmara.

DOCUMENTO É O SEGUINTE AO PEDIDO SOBRE A COMISSÃO

O pedido de desligamento recebeu o número 504/2026. O requerimento imediatamente anterior, de número 503/2026, foi apresentado pelo vereador Luiz Gustavo Pimenta para solicitar autorização ao presidente da Câmara, Flávio Augusto Olmos, para realizar averiguações preliminares sobre as notícias de uma possível “rachadinha”.

Gustavo Pimenta, que integra a Comissão de Ética e Disciplina, pediu autorização para convocar os demais membros do colegiado, convidar vereadores a prestar esclarecimentos e utilizar dependências, equipamentos e funcionários da Câmara durante o levantamento das informações.

HIAL DISSE TER ENTREGADO DOCUMENTOS AO MP

A movimentação interna começou depois que Otávio Hial revelou, durante entrevista ao programa Pod Pai e Filha, da Folha da Região e do iFolha, que havia encaminhado ao Ministério Público uma representação acompanhada de documentos sobre a possível devolução de parte dos salários de servidores.

Segundo Hial, o material foi reunido durante aproximadamente oito meses e inclui extratos bancários, fotografias de dinheiro, conversas de WhatsApp, gravações e relatos de uma pessoa que teria participado dos repasses. Ele afirmou que a denúncia foi protocolada entre 15 e 20 dias antes da entrevista concedida na sexta-feira, dia 17.

DENÚNCIA MENCIONA UM PARLAMENTAR E SERVIDORES

Na entrevista, Hial declarou acreditar que um vereador estaria diretamente relacionado à eventual exigência de devolução dos salários. Ele estimou que entre oito e dez servidores poderiam ter sido utilizados nos repasses, mas ressaltou que não poderia confirmar o número exato.

O vereador não revelou os nomes do parlamentar e dos funcionários mencionados no material. Conforme Hial, o procedimento estaria sob sigilo e caberia ao Ministério Público verificar a autenticidade dos documentos, ouvir os envolvidos e concluir se houve ou não irregularidade.

MP PODE REQUISITAR DOCUMENTOS E DEPOIMENTOS

A partir da representação, o promotor pode solicitar à Câmara folhas de pagamento, portarias de nomeação e exoneração, registros funcionais, lotação de servidores, controles de frequência e documentos relacionados aos cargos apontados na denúncia.

O Ministério Público também pode ouvir servidores e ex-servidores, vereadores, assessores e outras pessoas que possam contribuir com a apuração. Dependendo dos elementos encontrados, poderá abrir investigação própria ou requisitar inquérito à Polícia Civil.

MEDIDAS JUDICIAIS PODEM SER SOLICITADAS

Se surgirem indícios suficientes, o promotor poderá pedir à Justiça acesso a informações bancárias e fiscais, buscas e apreensões, perícias em celulares e computadores, bloqueio de bens e preservação de mensagens ou documentos.

O Ministério Público também pode requerer prisão preventiva caso apareçam provas concretas de ameaça a testemunhas, tentativa de destruição de documentos, combinação de versões, continuidade do suposto esquema ou risco de fuga. A prisão não é automática e somente pode ser decretada por um juiz, mediante fundamentação legal.

SAÍDA NÃO COMPROVA PARTICIPAÇÃO

O pedido de exoneração, isoladamente, não comprova participação em qualquer irregularidade. Também não é possível afirmar, sem manifestação do próprio servidor ou resultado das investigações, que a decisão tenha sido motivada pelas denúncias divulgadas nos últimos dias.

A coincidência temporal, entretanto, coloca o desligamento no contexto da crise enfrentada pela Câmara e torna necessária uma explicação pública sobre a existência ou não de relação entre os acontecimentos. Até o fechamento desta matéria, não havia sido divulgada manifestação oficial esclarecendo se Mário Márcio foi citado, ouvido ou procurado em razão da apuração.

 

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