27 de abril | 2025

Abusos sexuais contra crianças explodem em Olímpia e região

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VIOLÊNCIA ESCONDIDA DENTRO DE CASA!
Número de casos já igualam todo o ano passado em apenas quatro meses. Escola, família e redes sociais no centro da discussão sobre abuso infantil.

Em entrevista ao Pod Pai e Filha, o sargento da reserva Jean Beltramello revelou que, até abril de 2025, a região de Olímpia já contabiliza os mesmos 16 casos de estupro de vulnerável registrados em todo o ano de 2024. Com o total de 19 ocorrências de estupro neste início de ano, o alerta se acende em escolas, famílias e entre autoridades. Crianças cada vez mais jovens estão denunciando seus agressores, que, na maioria das vezes, fazem parte do próprio círculo familiar.

Durante sua participação no programa transmitido pela Rádio Cidade FM, YouTube, Facebook e Instagram, Beltramello detalhou dados assustadores: em apenas quatro meses, os casos de estupro de vulnerável — que envolvem crianças e pessoas sem capacidade de consentimento — já atingiram o mesmo patamar dos doze meses anteriores. Dos 19 estupros registrados até 24 de abril de 2025, 16 envolvem vítimas vulneráveis e 3 são de pessoas maiores de idade.

Segundo o sargento, a maior parte das ocorrências está concentrada na cidade de Olímpia, embora os dados contemplem também Guaraci, Altair, Severínia, Cajobi e Embaúba. “Infelizmente, esses números não refletem a realidade. Ainda há muita criança com medo de denunciar ou desacreditada pela família”, afirmou.

FAMÍLIA,
O AMBIENTE QUE DEVERIA PROTEGER,
É ONDE MAIS SE VIOLENTA

Beltramello relatou que muitos dos casos chegam ao seu conhecimento por meio de bilhetes anônimos depositados em uma caixa instalada em salas de aula durante o Proerd — programa de prevenção às drogas e à violência. “Em muitos bilhetes, o agressor é o próprio pai, padrasto, avô ou tio”, lamentou. Um dos casos mais chocantes foi o de uma menina que, após ser abusada pelo avô, aproveitou uma janela destrancada para fugir e relatar o ocorrido na escola.

Em outro episódio, uma aluna dormia frequentemente em sala de aula. Ao ser abordada, confessou que passava a noite acordada, sendo abusada pelo próprio pai, e via a escola como seu único refúgio seguro. “A criança orientada tem mais chance de se salvar”, afirmou o sargento.

PÓS-PANDEMIA REVELOU
UMA TRISTE REALIDADE ESCONDIDA

O aumento dos casos, segundo Beltramello, é reflexo direto do período da pandemia. Com o confinamento obrigatório, muitas crianças foram forçadas a conviver 24 horas com seus abusadores. “Não aconteceram apenas coisas boas dentro de casa”, comentou, ao citar também o impacto negativo do uso excessivo das redes sociais, que contribuíram para o afastamento entre membros da família.

A dependência da internet, segundo ele, reduz a empatia e a capacidade de reflexão das pessoas, dificultando o reconhecimento e a prevenção de comportamentos abusivos. “As famílias não conversam mais. Cada um pega seu celular e se isola”, destacou.

EDUCAÇÃO COMO FERRAMENTA
DE COMBATE AO ABUSO

Beltramello defende que o trabalho preventivo deve começar desde cedo, inclusive com crianças a partir dos dois anos. Segundo ele, a educação é a única forma real de enfrentar esse tipo de violência. “Precisamos ensinar a diferença entre carinho e abuso. Um carinho não precisa ser escondido. O abuso, sim”, explicou.

O Proerd, voltado à prevenção de drogas e violência, já realiza esse trabalho. Mas Beltramello quer ir além. Está desenvolvendo um novo programa, com abordagem direta sobre abuso sexual, violência doméstica e empatia, buscando expandi-lo para outras cidades.

PROPOSTAS PRÁTICAS
PARA MUDAR A REALIDADE

Uma das medidas que ele propõe é a institucionalização da “caixinha de perguntas” nas escolas, como canal de denúncia silenciosa. “Muitas vezes, é o único meio de uma criança pedir socorro”, ressaltou. O sargento também acredita que professores e funcionários devem ser capacitados para identificar sinais de abuso, como mudanças comportamentais, isolamento e distúrbios alimentares.

Ele elogiou iniciativas recentes da Prefeitura de Olímpia, que criará salas especiais para atendimento de alunos vítimas de violência, mas frisou que o ideal seria a adoção de mecanismos permanentes e discretos, como a caixa de denúncia.

ABUSO NÃO ESCOLHE
GÊNERO NEM CLASSE SOCIAL

Embora os casos com meninas sejam mais numerosos, os meninos também são vítimas. Beltramello relatou histórias de crianças e até de adultos que guardaram o trauma por décadas. Uma senhora de 60 anos, por exemplo, revelou em uma de suas palestras ter sido abusada por um tio aos 10 anos, e só então teve coragem de contar à mãe.

O sargento alerta que os abusos ocorrem em todas as camadas sociais, mas são mais comuns entre famílias de baixa renda, onde há maior vulnerabilidade e menos acesso a apoio psicológico e educacional.

FAMÍLIA É A BASE
E PRECISA SER VALORIZADA

Na visão do entrevistado, a valorização da família e o resgate do diálogo são fundamentais. “O que a criança vive em casa, ela leva para a escola. Um aluno com base familiar sólida é outro aluno”, afirmou. Para ele, é preciso reforçar os vínculos, demonstrar carinho de forma visível e criar laços de confiança entre pais e filhos.

Beltramello encerrou sua participação pedindo que pais e responsáveis abracem, beijem e digam que amam seus filhos todos os dias. “Não espere perder para valorizar. Família é o bem mais precioso que temos”, concluiu.

 

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