30 de agosto | 2025
O Aeroporto é de Olímpia, mas sua vocação é regional
Discussões sobre o nome não podem esconder o verdadeiro desafio: garantir que a obra seja construída aqui.
José Antônio Arantes – A polêmica em torno do futuro aeroporto internacional de Olímpia, especialmente após a reunião com prefeitos da Região Metropolitana de São José do Rio Preto, ocorrida recentemente, revela mais sobre o jogo político nos bastidores do que sobre a essência do projeto. Houve quem visse no anúncio de que o empreendimento passaria a se chamar “Aeroporto da Região Metropolitana de São José do Rio Preto” um gesto de renúncia da cidade. Mas, na verdade, o debate vai muito além da nomenclatura.
O aeroporto, orçado em R$ 500 milhões, é de importância vital para Olímpia. Sua instalação no município trará empregos, renda, incremento no turismo e abrirá portas para novos investimentos. Mas é preciso compreender que, pela natureza do projeto, ele não pode ser visto apenas como um equipamento de uso local. Sua vocação é regional.
UMA LUTA DE BASTIDORES
O que está em jogo não é o nome estampado na fachada, mas a garantia de que a obra saia do papel em Olímpia. E essa é uma luta árdua. Nos bastidores, outros municípios tentam, de maneira insistente, disputar a localização. Cidades como Barretos, Araçatuba ou Votuporanga, entre muitas outras, todas com argumentos próprios, gostariam de sediar o empreendimento.
Daí o esforço do prefeito em articular reuniões não apenas com gestores da microrregião, mas também com prefeitos de todo o entorno. A intenção é simples: angariar apoio político suficiente para blindar o projeto contra investidas externas. No cenário político, alianças são fundamentais, e foi justamente nesse espírito que nasceu a proposta do nome “aeroporto da região metropolitana”.
O NOME COMO MOEDA DE TROCA
O raciocínio é claro. Ao propor que o aeroporto leve o nome da região metropolitana, Olímpia garante que os demais prefeitos não se sintam excluídos, mas contemplados. Afinal, ainda que situado fisicamente em Olímpia, o aeroporto atenderá a uma demanda muito maior que a do município. Transporte de cargas, voos comerciais, atração de turistas: todos os municípios vizinhos colherão benefícios diretos ou indiretos.
A estratégia, portanto, não foi uma “traição” à cidade, como alguns apressadamente insinuaram. Foi um gesto político para consolidar apoio. Uma jogada que fortalece a posição de Olímpia no tabuleiro, ampliando as chances de que o aeroporto seja, de fato, construído aqui.
UMA OBRA PROMETIDA PELO GOVERNO FEDERAL
Outro ponto relevante ocorrido esta semana foi a fala do próprio ministro dos Portos e Aeroportos, lembrando que o projeto em Olímpia é uma promessa do presidente Lula. Há, portanto, um compromisso público em curso. Mas confiar apenas nessa palavra seria ingenuidade.
A experiência mostra que obras desse porte são alvos constantes de pressões e redirecionamentos. O “jogo sujo” é parte da rotina política. Nada impede que forças interessadas em outro município tentem articular mudanças, seja na fase de projeto, seja no momento de liberação de recursos.
Por isso, a movimentação do prefeito não deve ser lida como capitulação, mas como defesa ativa da posição de Olímpia. É a velha lógica do pai que precisa lutar para garantir o reconhecimento do filho. Olímpia, nesse caso, precisa lutar para garantir que o aeroporto seja, de fato, seu.
OPORTUNIDADE HISTÓRICA
Seja qual for o nome oficial, os benefícios concretos cairão no colo da população olimpiense. Mais empregos diretos e indiretos, mais turistas chegando pela porta aérea, mais movimentação econômica em hotéis, restaurantes e serviços. Além disso, haverá ganhos logísticos para empresas locais e da região, que poderão exportar e importar mercadorias com mais agilidade.
Essa é a dimensão regional do projeto. Olímpia será a sede, mas não será a única beneficiada. A cidade se tornará um polo de integração, ampliando sua influência no mapa econômico do interior paulista.
UNIDADE PARA GARANTIR A CONQUISTA
E preciso ser claro: discutir apenas o nome é perder o foco. O essencial é garantir que o aeroporto seja construído em Olímpia. Para isso, é necessário apoio político, articulação regional e união da população. Não se trata de torcer contra o prefeito ou de enxergar inimigos em cada gesto. Trata-se de compreender que, diante de um jogo tão disputado, concessões estratégicas são necessárias.
A aprovação do nome “aeroporto da região metropolitana de São José do Rio Preto” foi uma dessas concessões. Em troca, Olímpia conquistou apoio unânime dos prefeitos presentes na reunião, reforçando as chances de que o projeto avance. Hoje é possível falar em 90% de chances de a obra ser iniciada já no próximo ano.
CONCLUSÃO: O FUTURO ESTÁ EM OLÍMPIA
A lição que fica é simples: o aeroporto será regional, mas sua casa será Olímpia. E é aqui que se concentrarão os maiores ganhos econômicos e sociais. A cidade precisa, portanto, olhar para além do imediatismo da nomenclatura e enxergar a estratégia por trás da decisão.
O momento exige união, maturidade política e visão de longo prazo. Olímpia não pode se deixar dividir por discussões superficiais. A prioridade deve ser garantir que, quando os primeiros aviões decolarem, a pista esteja em solo olimpiense.
O nome, afinal, é secundário. O que importa é que Olímpia será o ponto de partida e de chegada de um projeto que transformará não apenas a cidade, mas toda a região.
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