21 de setembro | 2025

Prevenção e Intervenção: Um Caminho para a Esperança

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Vanessa Muniz de Souza

Nos últimos anos, temos observado um aumento preocupante nos casos de suicídio e autolesões entre adolescentes no Brasil. Esse cenário nos mostra a importância de falarmos sobre saúde mental e de estarmos atentos aos sinais. O aumento dos casos de suicídio e autolesão mostra que ainda temos falhas na informação e no apoio à saúde mental na infância e adolescência.

A experiência clínica e as pesquisas indicam que quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de reduzir riscos e salvar vidas. É na pré-adolescência, especialmente durante a descoberta da sexualidade e contato precoce com álcool e drogas, que o cuidado preventivo se torna ainda mais necessário.

O apoio da família e das pessoas próximas é essencial; mudanças de comportamento, como o isolamento, não devem ser ignoradas. Conversar, acolher e buscar ajuda profissional quando necessário pode fazer toda a diferença. A Organização Mundial da Saúde alerta que, para cada suicídio, podem ocorrer até 20 tentativas, o que reforça a urgência de olhar com atenção para os sinais.

Fatores de Risco e Sinais de Alerta

Os fatores de risco incluem: transtornos de saúde mental (depressão, ansiedade, outros transtornos de humor), uso de álcool e substâncias, comportamentos impulsivos, histórico de trauma ou abuso, histórico familiar de suicídio e tentativas de suicídio anteriores.

Os sinais de alerta podem incluir:

  • Mudanças físicas na aparência ou higiene.
  • Aumento do uso de álcool ou drogas.
  • Queda repentina nas notas.
  • Isolamento social.
  • Falar sobre suicídio ou preocupação com a morte.
  • Comportamentos de risco (direção imprudente, sexo inseguro).
  • Autolesão.
  • Falar sobre desesperança ou não ter nada pelo que viver.
  • Pesquisar métodos de suicídio e/ou adquirir armas.

Estratégias de Prevenção

Estratégias que podem ajudar na prevenção incluem: restringir o acesso a meios letais (como armas e medicamentos), adotar uma comunicação responsável, evitando descrições de métodos, oferecer suporte emocional e valorizar histórias de superação. Além disso, é fundamental que os profissionais de saúde estejam preparados para identificar e acompanhar os casos desde o início.

O Impacto na Família e na Sociedade

O suicídio na infância e adolescência não atinge só a criança, mas também sua família, amigos e toda a comunidade. Para os pais e irmãos, a dor é imensa e vem acompanhada de culpa, medo, tristeza e muitas dúvidas. A sociedade também perde, já que a morte de uma criança representa uma perda emocional e social irreparável.

Por isso, a prevenção precisa ser prioridade. É fundamental falar sobre saúde mental, ensinando crianças a desenvolver habilidades sociais e emocionais que as ajudem a lidar melhor com suas emoções e desafios do dia a dia. Isso envolve diagnóstico precoce, tratamento adequado e fortalecimento de vínculos.

Um Alerta para Todos

O aumento dos casos entre jovens é um alerta para todos nós. Mais do que números, estamos falando de vidas. Famílias, escolas, profissionais de saúde e comunidades precisam ser um ambiente de escuta, acolhimento e acesso a cuidados. Somente assim poderemos transformar esse cenário e oferecer mais esperança e bem-estar para nossos adolescentes.

O que Fazer?

A orientação é: se o indivíduo expressar preocupação, ouça, mantenha a conexão e priorize a segurança (remova meios letais, não o deixe sozinho). Em emergências, ligue para o SAMU (192) ou leve ao hospital. Para apoio contínuo, procure psicólogos, psiquiatras, CAPS ou o CVV (188).

O suicídio pode ser prevenido, sim!

Vanessa Muniz de Souza, Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga, CRP: 06/162992,

 

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