24 de novembro | 2025
Mulher acolhe adolescentes que fugiram de supostos maus-tratos e acaba acusada de sequestro e exploração sexual em Olímpia
Caso envolve ameaças em redes sociais, agressão familiar e intervenção do Conselho Tutelar; tias e avô são apontados como autores das intimidações no Boletim de Ocorrência registrado nesta sexta-feira.

Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, os menores procuraram refúgio na casa da mulher alegando fugir de frequentes abusos e maus-tratos supostamente cometidos por familiares com quem convivem.
RESIDEM COM A MÃE,
AVÔ E DUAS TIAS
De acordo com o registro policial, os adolescentes residem com a mãe, que é surda-muda, o avô e duas tias. A comunicante informou que, ao receber os jovens, entrou em contato com a mãe deles, que inicialmente autorizou o pernoite.
No entanto, diante da gravidade dos relatos de violência narrados pelos menores, a mulher acionou o Conselho Tutelar. Os conselheiros orientaram que os adolescentes permanecessem sob sua guarda até a segunda-feira, para que o caso fosse encaminhado ao Ministério Público.
ORIENTAÇÃO DO CONSELHO
E AGRESSÃO À MÃE DOS MENORES
A situação teria se agravado após a recusa dos adolescentes em retornar para casa. Conforme consta no boletim, o avô, identificado como L. C., teria reagido de forma agressiva e agredido a genitora dos menores. Paralelamente, as tias dos jovens, identificadas como S. e F. C., teriam iniciado uma campanha de difamação nas redes sociais.
As autoras passaram a divulgar fotos dos adolescentes afirmando que a vizinha havia raptado os menores, que eles estariam sendo mantidos em cárcere privado e que a intenção da mulher seria explorar sexualmente a adolescente.
A declarante negou veementemente as acusações e relatou à polícia que as publicações visavam incitar terceiros a “segurar e ligar” caso vissem os jovens.
AMEAÇAS DE VIOLÊNCIA FÍSICA
E FALTA DE DOCUMENTAÇÃO
Além das postagens difamatórias, a comunicante relatou estar sofrendo ameaças diretas das tias dos adolescentes. Expressões como “vou esfregar a sua cara no asfalto” e “vou tirar sangue” foram citadas no documento oficial.
As ameaças também teriam sido direcionadas aos próprios adolescentes, com frases intimidatórias afirmando que, se não voltassem para casa, “estariam lascados” e que o avô “acabaria com a mãe” deles.
ADOLESCENTES
NÃO TÊM DOCUMENTOS
No plantão policial, os adolescentes manifestaram espontaneamente a vontade de permanecer com a vizinha e reiteraram o medo de retornar ao convívio familiar devido aos maus-tratos.
Um fato que chamou a atenção das autoridades foi a informação de que os jovens, de 15 e 12 anos, não possuem documentos pessoais, pois a família nunca os teria levado para emiti-los.
O caso foi registrado como difamação, calúnia, ameaça, maus-tratos e submissão de criança ou adolescente a vexame.
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