08 de dezembro | 2025

Telas, delivery e pressão estética criam cenário de risco para a saúde dos jovens em Olímpia

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Série de entrevistas aponta como a conveniência do fast food e a busca por dopamina digital estão adoecendo a nova geração; especialistas, mães e estudantes relatam dificuldades em manter hábitos saudáveis.


Um levantamento realizado através de uma série de entrevistas conduzidas por Bruna Arantes traça um diagnóstico preocupante sobre o estilo de vida da juventude atual.

O consenso entre psicólogos, nutricionistas, empresárias e as próprias estudantes é de que a combinação entre o tempo excessivo de tela, a facilidade dos aplicativos de entrega e a pressão estética das redes sociais formou uma “tempestade perfeita” que compromete a saúde física e mental de crianças e adolescentes.

COMER INFORMAÇÕES

A psicóloga clínica Tamires Ishida descreve o momento atual como uma fase de “comer informações”, resultando em uma alienação onde o indivíduo perde a percepção do que sente ou faz.

Segundo a especialista, o cérebro humano não foi programado para processar o volume atual de dados e a busca por “dopamina barata” digital, o que tem gerado colapsos neurais manifestados em crises de ansiedade e comportamentos compulsivos, frequentemente desembocando em obesidade e alimentação desregrada.

ALIENAÇÃO DIGITAL
E A PERDA DA HIERARQUIA

A distorção cognitiva provocada pelas redes sociais é outro ponto crítico apontado pela psicologia, onde a comparação com vidas e corpos “perfeitos” gera frustração e sofrimento.

Daiane Nunes, empresária e mãe de dois adolescentes, reforça essa visão, observando que por trás de feeds “belos e maravilhosos” escondem-se ansiedades reais e jovens que buscam autodiagnósticos rápidos no Google, ignorando orientações parentais e profissionais.

AUTONOMIA DESINFORMADA

Essa autonomia desinformada resultou, segundo Nunes, em uma perda de hierarquia dentro de casa, onde os jovens acreditam ter o direito de rejeitar o que é servido à mesa em favor de desejos momentâneos.

A empresária destaca que a tecnologia, que deveria auxiliar, muitas vezes foca no fútil em detrimento da saúde emocional, criando uma geração que tenta acompanhar dietas irreais e ritmos de vida insustentáveis promovidos por influenciadores.

A COMPETIÇÃO DESLEAL
COM O DELIVERY

No campo da nutrição, a batalha travada pelos pais é contra a conveniência extrema. Daiane Nunes classifica como “desleal” a competição entre um prato de legumes e a facilidade de pedir comida pronta via aplicativos.

A estudante Yasmin Vitória Nunes Vilela, de 14 anos, confirma essa percepção: para ela, a onipresença do fast food é a principal barreira para uma vida saudável, justificada pela praticidade de não precisar preparar nada e ter o consumo imediato.

BUSCA POR FACILIDADES

Ana Helena Amin Ruiz, estudante de 13 anos, corrobora a visão de que a “preguiça” e a busca pela facilidade ditam as regras, levando os jovens a questionar o esforço de lavar uma alface quando um lanche pode ser entregue rapidamente.

Ela identifica não apenas os lanches, mas o consumo excessivo de refrigerantes, doces e açaí como os grandes vilões da dieta juvenil, criando um ciclo vicioso de consumo de industrializados.

BAIXO CONSUMO DE VEGETAIS
E MITOS ALIMENTARES

A nutricionista infantil Natália Jurado alerta que o baixo consumo de legumes e verduras ocupa o primeiro lugar no ranking dos problemas nutricionais, agravado pela baixa oferta desses itens tanto nas escolas quanto nos lares, devido à correria cotidiana.

Jurado aponta ainda a existência de mitos perigosos, como a crença de que embutidos como peito de peru são saudáveis, quando na verdade são ricos em sódio e pobres em nutrientes essenciais.

DESEMPACOTAR AO INVÉS DE DESCASCAR

Para Priscila Resende da Costa, empresária do setor de produtos naturais, a mudança de hábitos ao longo das décadas foi drástica e perigosa, invertendo a lógica do passado: hoje “abre-se mais pacotes” de produtos cheios de conservantes do que se descasca alimentos naturais.

Ela observa um aumento alarmante da obesidade pediátrica e de problemas graves como infartos precoces, decorrentes de uma vida sem limites alimentares e digitais.

AUTOCRÍTICA E PRESSÃO ESTÉTICA

Apesar dos hábitos nocivos, existe uma consciência crítica entre os jovens: tanto Yasmin quanto Ana Helena avaliaram sua própria saúde com a nota seis, reconhecendo a necessidade de melhoria.

Ambas citam a pressão estética amplificada pelos filtros das redes sociais como um paradoxo: a preocupação com a imagem é alta e gera cobranças desmedidas, mas a adesão prática a exercícios e dieta balanceada continua baixa e inconstante.

TRANSTORNOS ALIMENTARES

Yasmin admite que, embora saiba que o erro de sua geração reside no consumo exagerado de açúcar e no sedentarismo, a prática de esportes ocorre apenas “às vezes”.

A nutricionista Natália Jurado confirma que a exposição precoce à internet fomenta transtornos alimentares e o uso indevido de suplementos, onde a busca pelo corpo ideal muitas vezes atropela a saúde real.

CAMINHOS PARA A REEDUCAÇÃO
E O “MEIO TERMO”

Diante deste cenário, as soluções propostas convergem para a reeducação e o equilíbrio. A psicóloga Tamires Ishida defende o “caminho do meio”, argumentando que mudanças radicais tendem a falhar e que a introdução de novos hábitos deve ser gradual e baseada na comunicação clara.

Daiane Nunes sugere o resgate de valores, a terapia e o suporte espiritual como essenciais para reverter o quadro de isolamento e ansiedade.

SAÚDE: PRIORIDADE ABSOLUTA

Para Priscila Resende, é urgente que a saúde seja tratada como prioridade absoluta, exigindo disciplina para desconectar das telas e cultivar amizades no mundo real.

A recomendação final, reforçada por Natália Jurado e pelas estudantes, é simples mas desafiadora: “desembalar menos e descascar mais”, buscando auxílio profissional para garantir que a mudança de vida seja segura e duradoura.

 

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