31 de dezembro | 2025
Dívidas, prédios sucateados e promessas mal amarradas: o balanço do primeiro ano do novo governo de Geninho
ESTRUTURA FRÁGIL!
Prefeitura herdou máquina inchada, contratos caros e projetos mal resolvidos, segundo o prefeito. Em entrevista ao Pod Pai e Filha, Geninho aponta gargalos na saúde, falhas de planejamento e diz que 2025 foi dedicado a diagnóstico, reorganização administrativa e preparação de projetos que devem começar a aparecer em 2026.
O prefeito Eugênio José Zuliani, o Geninho, foi o entrevistado na última edição do ano do podcast Pod Pai e Filha, apresentado por Bruna Arantes Savegnago e José Antônio Arantes, com transmissão pela Rádio Cidade 98,7 MHz e pelas plataformas digitais do programa.
Ao longo de mais de uma hora de conversa, o chefe do Executivo municipal fez um balanço detalhado do primeiro ano do novo governo, apontando problemas herdados, escolhas feitas ao assumir a prefeitura e as prioridades que, segundo ele, devem nortear a administração a partir de 2026.
REFLEXÕES
Embora o início da entrevista tenha passado por reflexões pessoais e filosóficas, o prefeito concentrou a maior parte da fala em temas práticos e sensíveis ao cotidiano da população, como saúde pública, organização administrativa, estrutura física dos prédios públicos, contratos, dívidas e a capacidade real de investimento do município.
Em diversos momentos, Geninho afirmou que o primeiro ano foi menos de entregas visíveis e mais de “diagnóstico e planejamento”, defendendo que a prefeitura precisava antes entender a própria realidade para, então, avançar.
ADMINISTRAÇÃO INCHADA
E POUCA MARGEM PARA INVESTIR
Segundo o prefeito, ao assumir o governo, a equipe encontrou uma máquina pública inchada, com custeio elevado, especialmente com contratos terceirizados, e uma capacidade de investimento considerada muito baixa.
Ele afirmou que o município tinha apenas de 3% a 4% do orçamento disponível para investimentos, além de empréstimos com juros altos, firmados sem estratégia clara de longo prazo.
DECISÕES SEM PLANEJAMENTO
Geninho disse que parte do esforço do primeiro ano foi renegociar dívidas e reorganizar compromissos financeiros, buscando reduzir custos e criar fôlego para novos projetos.
Para ele, decisões tomadas sem planejamento acabam comprometendo governos seguintes e limitando a capacidade de resposta da prefeitura às demandas da população.
SAÚDE COMO PRINCIPAL GARGALO
O prefeito reconheceu que a saúde foi o setor que apresentou os problemas mais graves. Segundo ele, a superlotação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) não pode ser resolvida apenas com a contratação de mais médicos, mas exige mudança de estratégia e fortalecimento da atenção básica.
Durante a entrevista, Geninho afirmou que dados levantados pela atual gestão mostraram que a maior parte dos atendimentos na UPA não era de urgência real. Ele citou que cerca de metade dos pacientes atendidos recebe classificação azul, indicando casos que poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para o prefeito, isso evidencia falhas na estrutura da atenção básica, que acabou empurrando a população para a UPA.
UPA LOTADA NÃO É SÓ FALTA DE MÉDICO
O prefeito explicou que a gestão passou a cruzar informações sobre horários de pico, tipos de atendimento e origem dos pacientes. Segundo ele, caiu a narrativa de que turistas seriam responsáveis pela sobrecarga da UPA, já que os dados indicaram participação pequena desse público nos atendimentos.
A partir desse diagnóstico, Geninho afirmou que o governo iniciou mudanças na organização da rede, como a criação de uma função de gestão nas UBSs, com enfermeiros responsáveis por coordenar atendimento, filas, prontuários e rotina da unidade.
A intenção, segundo ele, é dar comando local e melhorar a qualidade do serviço, reduzindo a procura desnecessária pela UPA.
HOSPITAL: PROMESSA MAL RESOLVIDA
Um dos pontos mais críticos citados pelo prefeito foi a herança da promessa de construção de um novo hospital. Segundo Geninho, o projeto chegou à atual gestão envolto em pendências jurídicas, permutas mal resolvidas, avaliações questionadas e sem recursos suficientes para sua execução.
Ele afirmou que a prefeitura dispõe de recursos reservados para a saúde, mas que a estratégia mudou. Em vez de um novo hospital, a prioridade passou a ser a ampliação da Santa Casa, com a criação de 50 novos leitos SUS. De acordo com o prefeito, Olímpia apresenta déficit de leitos e a ampliação atenderia não apenas o município, mas cidades da região.
PRÉDIOS PÚBLICOS
ESTRUTURALMENTE COMPROMETIDOS
Outro problema destacado foi a situação física de prédios públicos, especialmente escolas e unidades de saúde. O prefeito relatou que, logo no início do mandato, foram identificados casos graves de infiltrações, goteiras e falta de manutenção básica.
Geninho criticou a ausência de um plano de manutenção preventiva em gestões anteriores e afirmou que o governo atual contratou diagnóstico técnico para mapear necessidades e estabelecer rotinas mensais de manutenção.
Para ele, agir apenas quando o problema aparece gera desperdício e compromete o atendimento ao público.
SERVIDORES DESMOTIVADOS
E FALTA DE PROCESSOS
O prefeito também citou como desafio a desmotivação de servidores públicos, resultado, segundo ele, de anos sem planejamento, capacitação e integração entre secretarias. Geninho afirmou que, por limitações legais, não é possível demitir servidores por baixa produtividade, restando ao gestor investir em capacitação, realocação e estímulo.
Ele destacou que a prefeitura realizou mais de 11 mil horas de capacitação ao longo do ano e que busca criar uma cultura de inovação baseada em processos, fluxos claros e metas. Segundo o prefeito, quando o servidor entende o que pode, o que deve e o que não deve fazer, o serviço tende a melhorar.
DIGITALIZAÇÃO
E MUDANÇA DE CULTURA
Na área administrativa, Geninho apontou a digitalização como um dos principais eixos do governo. Ele citou o aplicativo Conecta Mais Olímpia, que reúne serviços municipais e deve concentrar, até 2026, toda a carta de serviços ao cidadão.
O prefeito afirmou que a eliminação do carnê físico do IPTU e a adoção de processos digitais gerarão economia e agilidade, garantindo atendimento presencial apenas para quem realmente precisa. Para ele, a mudança é gradual e exige adaptação da população, especialmente idosos, que continuam tendo alternativas presenciais.
PLANEJAMENTO PARA 2026
E O TESTE DA ENTREGA
Ao final da entrevista, Geninho reforçou que 2025 foi um ano de preparação e que 2026 deve ser o ano em que os projetos começam a aparecer de forma mais concreta.
Entre as prioridades citadas estão a ampliação da Santa Casa, a reforma e reorganização da UPA, a construção de novas UBSs, avanços na educação integral, capacitação profissional e programas voltados à terceira idade.
O prefeito também mencionou investimentos ligados ao turismo e infraestrutura, mas reforçou que a prioridade do governo é a população residente, especialmente nos bairros.
TRANSFORMAR PLANEJAMENTO
EM MELHORIAS
Para ele, obras visíveis nem sempre significam mudanças estruturais, e o desafio será transformar planejamento, dados e processos em melhorias reais no atendimento diário.
Ao encerrar a conversa, Geninho afirmou que a marca do primeiro ano foi a transparência e que o governo continuará prestando contas de forma pública.
O discurso, agora, passa do diagnóstico para a cobrança: com os problemas mapeados e os projetos anunciados, 2026 será o ano em que a gestão precisará mostrar se o planejamento feito vai, de fato, se traduzir em resultados percebidos pela população.
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