18 de janeiro | 2026
Samba Sem, 50 anos: sempre tem – que bom esse trem, que bom esse trem!

Para quem participa do bloco, será uma data muito importante, que merece ser muito comemorada. E talvez também para muita gente da cidade que o conhece e acompanha.
Ele já esteve presente em 40% da história de Olímpia. É uma das entidades culturais mais longevas do município e um dos grupos carnavalescos mais antigos em atividade no interior do Estado de São Paulo, entre blocos e escolas de samba.
Criado em 1976 pela União de Estudantes Universitários de Olímpia (UEUO), nasceu com a ideia de ser uma escola de samba. Depois, com tantos requisitos exigidos dessas escolas, assumiu-se como bloco de carnaval, que não precisa ser tão formal e admite mais improvisos. Seguiu contando com universitários dos anos 1970, mas também com novos integrantes de todas as idades. Tendo, em um ano, ocorrido a participação de quatro gerações de uma mesma família (do bisavô ao bisneto).
Não contente apenas com o samba, criou trios elétricos e, não contente em atuar apenas no carnaval, criou a Associação Cultural Samba Sem Compromisso, que resgatou a atuação da UEUO na cultura para além do carnaval e promoveu exposições, programas de rádio com música diversificada e de qualidade, entre outras atividades. A partir do Samba Sem Compromisso também foi criado o Bloco Boi Boiola, que desfila nas segundas-feiras de carnaval, nos dias em que o Samba Sem descansa.
Fez folia, mas também sentiu que precisava se posicionar sobre questões importantes do país, como quando fez referência aos operários nas ruas, no momento em que crescia o movimento operário e a luta contra a ditadura (“Se Essa Rua Fosse Minha”, 1979), defendeu as Diretas Já (1984) e levou enredos em que criticou um país alvo de rapina (“Planos Piratas”, 1989) e que se mostrava subserviente (“República de Bananas”, 1990).
Também abordou a ascensão das mulheres (“Agora é que são elas”, 2011), o (des)respeito às religiões de matriz africana (“A macumba da nega é boa”, 2017), a esperança de transformação (“Em ritmo de mudança”, 2018), o desejo de superação de tempos sombrios (“Vai passar!”, 2019) e o meio ambiente (“Ecosamba”, 2020).
E festejou coisas de Olímpia: os festivais de folclore e seus folguedos (2002 e 2014), os bares da cidade (2007), os carnavais de salão (2012, 2013 e 2025), as escolas de samba do passado e do presente (2024), o Circo do Perereca (2010), criado por Edward (Wadão) Marques.
Também inovou no batuque, incorporando toques de ijexá, baião, congadas, moçambiques, folias de reis, além de marchinhas e chorinhos (como “Assanhado”, de Jacob do Bandolim). E fez grandes sambas-enredo, caprichando nas fantasias e alegorias.
Tudo isso foi feito de um modo em que predominaram muito trabalho, democracia nas decisões, cuidado e lisura no uso dos recursos, além não apenas do respeito à diversidade, mas do empenho para que ela fizesse parte do próprio bloco.Fez folia com atenção à estética, buscando coerência e ética.
E fez isso com a participação de muita gente, numa bela construção coletiva.Em uma contagem baseada na memória – e que, portanto, deve estar subestimada -, chegou-se ao número de cerca de 450 pessoas que já desfilaram pelo Samba Sem ao longo do tempo, sendo que o bloco tem reunido, no mínimo, 100 pessoas nos últimos anos.
Tem sido, de fato, uma grande construção coletiva, mas, nela, é justo destacar algumas pessoas que tiveram uma contribuição muito especial (mesmo correndo o risco de esquecer algumas pessoas, risco que é ainda maior, pois também foi preciso puxar pela própria memória e pela de companheiros de batuque).
Pessoas como Paulo César Pedroso (*), Decinho Pereira (*), Sabrina Fantoni, Flávio Pavese, Ricardo Malufi, Reinaldo Rocha, Rian Oliveira e Estêvão Amaro, que integram uma linhagem de grandes mestres de bateria iniciada pelo Fernando “Véio” Storto (*), que definiu um modo de tocar que se distingue até hoje.
Como Wadão Marques (*), Sheila e Talita Pereira, Washington (Óxitim) Correia, Hugo Sibioni e João Carlos da Rocha (Rochinha), intérpretes de sambas-enredo.
Como as porta-bandeiras Adriana Oliveira (*), Carmen Roxo, Carminha Rodrigues, Cecília Bertolino, Elisabeth de Oliveira, Márcia Gaetano, Rejane Mariano, Roberta Fonseca, Sandra Fantoni, etc.. E os mestres-salas Adilson (Mossoró) Pereira (*), Arnaldo Borges, Dárcio Santos, Fredy Fonseca, Oscar Zaiden, entre outros.
Como pessoas fundamentais para fantasias e/ou alegorias, como D. Neusa Rocha (*), Mila Constantino (*), Regina Ortiz Monteiro, Cláudia Moreira Ramos, Dárcio Santos, Sílvia Regina Souza, Marcílio Marreto, Alex Ruiz, Beto Constantino (*), Carlos Roberto e Rejane Magro, Fernando Saldanha, etc..
Como pessoas que emprestaram suas casas e outros espaços para a preparação do bloco, guarda de instrumentos, etc., como os senhores Stella e Dirceu Monteiro, Lourdes e Darci Monteiro, Daisy e Miguel Ramos, Nice e Beto Constantino, Flores e Henrique Fantoni (todos já falecidos), além das famílias Baiochi, Micheleto, Pavese, Reis/Souza, Serrano, a empresa Predilar, entre outras.
Com vários tipos de contribuição:Adriana e Edvilson Garcia, Adriana Siqueira, Aldo Cazarine, Ana Lúcia Malufi, D. Marlene e Sr. Sidnei Monzani, Helem Nascimento, Hilário Ruiz, Luiz Gustavo Travagin, Marcelo Monzani Netto, Maria Aparecida (Baia) Kamla,Neucilei Tosta e Paulinho Viana (*).
Em momentos diversos, na coordenação geral, no impulsionamento e na obtenção de recursos: Miguel, Márcio e Milton Ramos, Jair Roxo, Calato e Clóvis Monteiro, Sonia, Sandra e Sabrina Fantoni, Heloísa Rodrigues, Silvana Blanco Ramos, José Cláudio Posella, Mila Constantino (*), Sheila e Decinho Pereira (*), Flávio Pavese, André Pedroso e também este escrevinhador. E, por um período mais longo e contínuo, aquele que é considerado o eterno presidente: Fernando Monzani.
O Samba Sem já teve muitas e grandes perdas, como as dos nossos amigos indicados por asterisco acima. Foram tão mais sofridas porque o bloco acabou se tornando um lugar de encontros, afetos, amizades e amores, dos quais nasceram novos sambistas. E segue aberto a quem quiser chegar.
Para comemorar essa história, estão sendo propostos um livro, um documentário, um baile e dois carnavais (2026 e 2027), nos quais se procurará reeditar os melhores carnavais do passado.
Venha participar da festa a partir de 2026!!!Se já participou do bloco, volte!!!Se não participou, venha também!!!
É Samba Sem, oba!!!É Samba Sem, oba!!!
Carlos Adriano S. Constantino, participa do Samba Sem Compromisso desde seu segundo ano, esteve em 90% de seus carnavais. E escreveu este artigo como uma testemunha e não como seu representante oficial, sendo o único responsável por eventuais erros e lacunas.
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