22 de janeiro | 2026
Orelhões começam a ser retirados do noroeste paulista após fim das concessões de telefonia fixa
Mais de 700 telefones públicos ainda ativos na região serão removidos de forma gradual pela Anatel; equipamento ganhou destaque recente como símbolo visual de filme nacional vencedor do Globo de Ouro. 
Durante décadas, os orelhões fizeram parte da paisagem urbana brasileira e marcaram gerações como principal meio de comunicação fora de casa. Agora, o tradicional telefone público começa a desaparecer das ruas do noroeste do estado de São Paulo, após o encerramento das concessões de telefonia fixa no país.
A retirada definitiva dos aparelhos teve início deste mês, conforme informou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A medida atinge equipamentos instalados em vias públicas e em locais privados, refletindo a queda expressiva no uso do serviço diante da popularização dos telefones celulares.
ORELHÃO GANHA DESTAQUE NO CINEMA NACIONAL
O processo de retirada ocorre em um momento simbólico para o equipamento. Recentemente, o orelhão ganhou projeção internacional ao se tornar um dos principais elementos visuais do filme brasileiro “O Agente Secreto”, vencedor do Globo de Ouro 2026.
Ambientado na década de 1970, o longa utiliza o telefone público como parte central da narrativa. Em diversas cenas, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, recorre ao orelhão para se comunicar, reforçando o papel do equipamento no cotidiano urbano da época e ajudando a reconstruir a identidade visual das cidades brasileiras daquele período.
CENÁRIO ATUAL É DE DESATIVAÇÃO GRADUAL
Fora das telas, no entanto, o cenário é outro. Com o fim das concessões do serviço de telefonia fixa, a Anatel autorizou a retirada dos aparelhos, que já vinham sendo pouco utilizados pela população. Segundo a agência, o processo será realizado de forma gradual em todo o território nacional.
No noroeste paulista, ainda existem 787 orelhões ativos nas principais cidades da região. São José do Rio Preto concentra o maior número, com 377 aparelhos em funcionamento. Araçatuba aparece em seguida, com 114 telefones públicos instalados.
FIM DA OBRIGAÇÃO LEGAL DAS OPERADORAS
Com o encerramento dos contratos de concessão, empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixaram de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos em operação.
A Anatel informou que a retirada acompanha uma tendência nacional, impulsionada pela ampla cobertura da telefonia móvel e pela mudança nos hábitos de comunicação da população. A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, os orelhões remanescentes sejam completamente desativados, encerrando um ciclo histórico da telefonia pública no Brasil.
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