20 de abril | 2026

Diagnóstico tardio e falta de estrutura ainda impactam tratamento do autismo em Olímpia

Compartilhe:

Psiquiatra Túlio Cesar Ghiotto destaca dificuldade na identificação do TEA, associação com outros transtornos e necessidade de ampliar suporte especializado.

BRUNA ARANTES

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista, especialmente em fases mais tardias da vida, ainda representa um desafio significativo para a área da saúde mental. A avaliação é do médico psiquiatra Túlio Cesar Ghiotto, que atua no CAPS de Olímpia e também como vice coordenador da residência médica de psiquiatria em Barretos.

Segundo ele, há uma dificuldade frequente em diferenciar o TEA de outros transtornos, como TDAH e ansiedade, principalmente quando o diagnóstico não ocorre na infância.

DIAGNÓSTICO TARDIO E SOBREPOSIÇÃO DE SINTOMAS

De acordo com o psiquiatra, muitos casos passam despercebidos durante a infância porque o próprio indivíduo desenvolve estratégias adaptativas para lidar com o ambiente social. Essas estratégias permitem uma aparente funcionalidade, mas podem gerar sobrecarga emocional ao longo do tempo.

Ele explica que, nesses casos, é comum que surjam sintomas de ansiedade e depressão na adolescência ou na vida adulta. Além disso, destaca que o autismo pode coexistir com outros transtornos, sendo frequente a associação com o TDAH, cuja prevalência pode variar entre 30% e 70%, segundo estudos.

IMPACTOS AO LONGO DA VIDA

O TEA pode se manifestar de diferentes formas, mas, de maneira geral, envolve dificuldades na interação social, comunicação e flexibilidade comportamental. Essas características, quando não acompanhadas adequadamente, podem comprometer o desenvolvimento social e emocional.

Na infância, os impactos costumam aparecer no ambiente escolar e na formação de vínculos. Já na adolescência e na vida adulta, podem se traduzir em isolamento, sensação de inadequação e frustração, especialmente quando não há suporte adequado.

DESAFIOS NO TRATAMENTO E NA INCLUSÃO

Para o médico, um dos principais desafios atuais está na falta de profissionais capacitados para a identificação precoce dos casos. Mesmo quando o diagnóstico é realizado, ainda há escassez de recursos e de equipes multidisciplinares, principalmente na rede pública.

Ele também destaca que, do ponto de vista social, a inclusão ainda precisa avançar. Apesar de progressos recentes, o suporte oferecido às pessoas com autismo e às suas famílias ainda é insuficiente, especialmente no que diz respeito ao acompanhamento dos cuidadores.

ESCOLAS AINDA NÃO ESTÃO PREPARADAS

No campo da educação, Túlio Ghiotto avalia que, embora haja esforço por parte das instituições, as escolas ainda não estão plenamente preparadas para a inclusão de alunos com TEA.

Segundo ele, é necessário investir na capacitação de todos os profissionais envolvidos, além de adotar estratégias individualizadas e garantir o apoio de equipes multidisciplinares dentro do ambiente escolar.

PRIORIDADES PARA A CIDADE

Como medida imediata, o psiquiatra aponta a necessidade de ampliar a capacitação profissional, principalmente na atenção primária à saúde, para permitir a identificação precoce de possíveis casos.

Ele também defende a ampliação do acesso a equipes especializadas, com a presença de médicos, psicólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, garantindo um atendimento mais completo.

Na avaliação do especialista, o avanço no diagnóstico e no tratamento do autismo passa necessariamente pela integração entre saúde, educação e assistência social, com foco na qualidade de vida das pessoas com TEA e de suas famílias.

Compartilhe:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!

Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!

Mais lidas