20 de abril | 2026
Falta de estrutura e de informação ainda dificulta inclusão de autistas em Olímpia
Entrevista com a esteticista e estudante de Terapia Ocupacional Kátia Santos expõe dificuldades no acesso a diagnóstico, terapias, inclusão escolar e apoio às famílias.

A realidade das famílias que convivem com o Transtorno do Espectro Autista em Olímpia ainda enfrenta obstáculos significativos. A avaliação é da esteticista, massoterapeuta e estudante de Terapia Ocupacional Kátia Santos, mãe atípica, que relata dificuldades no acesso ao diagnóstico, atendimento especializado e suporte adequado ao filho.
Segundo ela, apesar de avanços nos últimos anos, ainda há desinformação e falhas na estrutura de atendimento. Kátia afirma que muitos casos, especialmente de autismo nível 1 e 2, não são corretamente compreendidos, o que compromete o reconhecimento das necessidades dessas crianças.
DESINFORMAÇÃO E PRECONCEITO
Para Kátia, o desconhecimento sobre o autismo ainda é um dos principais entraves. Ela destaca que a condição não é uma doença, mas uma alteração no desenvolvimento neurológico, e que a falta de informação leva a julgamentos equivocados.
Além disso, o preconceito persiste. Segundo ela, há quem banalize o diagnóstico, o que afeta diretamente as crianças, que muitas vezes evitam se identificar como autistas por medo de serem tratadas de forma diferente.
FALTA DE PROFISSIONAIS E TERAPIAS
Outro problema apontado é a escassez de profissionais qualificados. Áreas como fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional ainda não conseguem atender a demanda, resultando em filas de espera tanto na rede pública quanto na privada.
Kátia ressalta que o atendimento precisa ser ampliado para além dessas especialidades, incluindo outros profissionais preparados para lidar com crianças com necessidades específicas, garantindo um cuidado mais completo.
INCLUSÃO ESCOLAR LIMITADA
Na área da educação, a inclusão ainda não acontece de forma efetiva. Apesar da previsão de professores auxiliares, Kátia afirma que esse suporte nem sempre chega às crianças que precisam.
Ela questiona a qualidade do acompanhamento quando um único profissional atende vários alunos ao mesmo tempo, o que, segundo ela, compromete o desenvolvimento e a aprendizagem.
ACOLHIMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO
Kátia defende que a informação sobre o autismo deve alcançar toda a sociedade, incluindo o comércio e os serviços. Para ela, compreender o comportamento das crianças evita interpretações erradas, como confundir crises sensoriais com birra.
Ela acredita que a cidade precisa avançar no preparo coletivo, promovendo mais acolhimento e respeito no dia a dia.
APOIO ÀS FAMÍLIAS
A entrevistada também chama atenção para a sobrecarga enfrentada pelas famílias. Segundo ela, o cuidado não deve ser voltado apenas à criança, mas a todo o núcleo familiar.
Kátia relata que muitos pais, especialmente mães, precisam abrir mão do trabalho para acompanhar os filhos em terapias, o que evidencia a necessidade de apoio psicológico e social.
PRIORIDADES E DESAFIOS
Como medidas imediatas, Kátia aponta a ampliação do número de profissionais, melhoria no acompanhamento escolar e criação de políticas públicas mais efetivas.
Ela defende maior integração entre poder público, profissionais e famílias, com ações que considerem a realidade de quem convive diariamente com o autismo.
Por fim, avalia que as campanhas de conscientização ainda são limitadas e precisam atingir também quem desconhece o tema, promovendo não apenas informação, mas uma mudança real de atitude baseada no respeito e na inclusão.
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