20 de abril | 2026

Seletividade alimentar é comum no autismo e exige abordagem especializada, diz nutricionista

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Nutricionista infantil Natália Jurado aponta relação direta entre TEA e dificuldades alimentares, destaca avanços em Olímpia e orienta famílias sobre como lidar com recusas e limitações.

BRUNA ARANTES

A alimentação de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista tem características próprias e, muitas vezes, desafiadoras. A avaliação é da nutricionista infantil Natalia Jurado Mandarino, Nutricionista Pediátrica, Especialista em Autismo, TDAH e T21.Ela aponta a seletividade alimentar como uma das manifestações mais comuns no cotidiano dessas famílias.

Segundo ela, há uma relação direta entre o TEA e dificuldades alimentares, que se manifestam por meio da recusa de grupos alimentares, resistência a novos alimentos e preferência por marcas, cores e texturas específicas.

SELETIVIDADE ALIMENTAR É FREQUENTE

Na prática, a seletividade alimentar está frequentemente associada à hipersensibilidade sensorial. Natália explica que muitos pacientes apresentam resistência não apenas ao sabor, mas principalmente à textura, ao cheiro e à aparência dos alimentos.

Ela destaca que a textura costuma ser o fator mais determinante, mas outros aspectos sensoriais também influenciam. Segundo a nutricionista, se o alimento não for visual e sensorialmente confortável, dificilmente a criança avançará para a etapa de experimentação do sabor.

DESAFIOS NO DIA A DIA DAS FAMÍLIAS

Entre os principais desafios enfrentados pelas famílias, está a dificuldade em garantir uma alimentação equilibrada. A restrição alimentar pode comprometer a ingestão de nutrientes essenciais para o desenvolvimento físico e neurológico.

Além disso, Natália aponta o desgaste emocional nas refeições, marcado por recusas constantes e situações de estresse. Outro fator relevante é a pressão social, já que muitos pais enfrentam comparações com crianças que não apresentam o transtorno.

IMPACTOS NUTRICIONAIS E NO COMPORTAMENTO

A nutricionista alerta que a alimentação tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas com TEA. Deficiências nutricionais podem provocar sintomas como irritabilidade, baixa energia, dificuldades de concentração e problemas gastrointestinais.

Entre as carências mais comuns, ela cita proteínas, fibras, minerais como ferro, magnésio e zinco, além de vitaminas D e do complexo B, que são fundamentais para o funcionamento do organismo.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA AS FAMÍLIAS

Como orientação, Natália recomenda que a introdução de novos alimentos seja feita de forma gradual e sem pressão. A exposição repetida, segundo ela, é essencial para que a criança desenvolva aceitação.

Ela também destaca a importância de valorizar pequenas conquistas no processo, como tolerar ou tocar o alimento, e alerta que forçar ou chantagear pode gerar efeito contrário. Para a nutricionista, a seletividade alimentar não deve ser tratada como “frescura”, mas como uma condição que exige acompanhamento profissional.

ATENDIMENTO EM OLÍMPIA E AVANÇOS

Em relação à estrutura local, Natália avalia que Olímpia tem avançado no suporte às pessoas com autismo. Segundo ela, além de profissionais capacitados na rede privada, o município passou a contar com atendimento multidisciplinar após a implantação do Centro TEA em 2024.

Ela considera que a cidade vem se destacando na oferta de acompanhamento especializado, ampliando o acesso das famílias aos serviços necessários.

ESCOLAS BUSCAM PREPARAÇÃO

No ambiente escolar, a nutricionista observa uma evolução na busca por capacitação. Segundo ela, profissionais da educação têm demonstrado maior interesse em compreender questões relacionadas à alimentação de crianças autistas.

Natália relata que recentemente participou de atividades formativas junto à rede de ensino, abordando a seletividade alimentar, e avalia que esse movimento é importante para melhorar o acolhimento e a inclusão no ambiente escolar.

Para ela, o avanço na informação e na capacitação de profissionais é um dos caminhos para garantir melhor qualidade de vida às pessoas com TEA e suas famílias.

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