26 de julho | 2026

MP requisita inquérito para apurar a denúncia de “metadinha” na Câmara

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APURAÇÃO POLICIAL!
Resposta enviada à Folha informa que a denúncia chegou ao conhecimento do 2º Promotor de Justiça, Thiago Batista Ariza, que requisitou a instauração de inquérito à Delegacia Seccional.

O Ministério Público de Olímpia confirmou oficialmente que recebeu a denúncia sobre a suposta prática de “metadinha” envolvendo a Câmara Municipal de Olímpia e requisitou à Delegacia Seccional a instauração de inquérito policial para apurar os fatos. A informação foi encaminhada à Folha após pedido de confirmação enviado à Promotoria de Justiça local.

A resposta foi transmitida pela oficial de Promotoria Anieli Regina Gatti, por determinação do 2º Promotor de Justiça de Olímpia, Thiago Batista Ariza. Segundo a manifestação, “a denúncia chegou ao conhecimento do Ministério Público e foi requisitada a instauração de inquérito à Delegacia Seccional para a apuração dos fatos”.

O QUE SIGNIFICA A MEDIDA

A providência significa que o material apresentado deixou de ficar restrito à repercussão política e foi encaminhado para uma apuração formal pela Polícia Civil. O inquérito deverá verificar se os fatos relatados realmente ocorreram, se podem configurar crime e quem eventualmente teria participado das condutas investigadas.

A abertura do inquérito, porém, não confirma a veracidade da denúncia e não significa que alguém tenha sido considerado culpado. Também não há, até o momento, informação oficial sobre pessoas indiciadas, acusadas formalmente ou transformadas em rés perante a Justiça.

DENÚNCIA AINDA NÃO É PROCESSO

Neste caso, a palavra denúncia é utilizada como comunicação de uma possível irregularidade às autoridades. No processo penal, a denúncia propriamente dita é a acusação formal apresentada pelo Ministério Público à Justiça depois da reunião de elementos mínimos sobre a ocorrência de um crime e seus possíveis autores.

Essa etapa ainda não aconteceu. Depois da investigação, o promotor poderá entender que existem provas para apresentar uma acusação, pedir novas diligências ou solicitar o arquivamento do caso, se não forem encontrados elementos suficientes.

MATERIAL ENTREGUE POR VEREADOR

O caso chegou ao Ministério Público por meio do vereador Otávio Hial, que confirmou ter encaminhado documentos relacionados à suspeita de “metadinha”. Em manifestações anteriores, o parlamentar afirmou que vinha reunindo informações havia aproximadamente oito meses, incluindo extratos, mensagens, áudios, imagens de conversas e relatos.

A expressão “metadinha” vem sendo utilizada para descrever a suspeita de que parte da remuneração recebida por servidor ou ocupante de cargo comissionado teria sido devolvida ou repassada a outra pessoa. A existência desse possível repasse, os valores envolvidos e a identificação dos participantes ainda dependem de comprovação.

COMISSÃO DE ÉTICA

A denúncia também provocou movimentação na Câmara. O vereador Gustavo Pimenta protocolou pedido preliminar para que a Presidência autorizasse a convocação da Comissão de Ética, com o objetivo de averiguar as notícias divulgadas e os documentos relacionados ao caso.

A eventual apuração interna é independente do inquérito policial. Enquanto a Comissão de Ética pode analisar responsabilidades políticas e administrativas, a Polícia Civil deverá investigar a possível ocorrência de infrações penais.

EXONERAÇÃO DURANTE A REPERCUSSÃO

Em meio à repercussão, o chefe de gabinete da Câmara, Mário Márcio Moreira Soares, pediu exoneração. O requerimento, datado de segunda-feira, dia 20, foi protocolado às 8h05 de terça-feira, dia 21, sob o número 504/2026.

No documento, ele alegou motivos pessoais. Até agora, não existe confirmação oficial de que a saída tenha relação com a denúncia ou com o inquérito requisitado pelo Ministério Público. A proximidade entre as datas faz parte da sequência dos acontecimentos, mas não permite estabelecer ligação sem provas.

PRÓXIMOS PASSOS

Com o inquérito, a Polícia Civil poderá ouvir denunciantes, servidores e outras pessoas mencionadas, além de analisar documentos, registros funcionais, folhas de pagamento, mensagens e arquivos digitais. Medidas que envolvam quebra de sigilo dependerão de autorização judicial.

A resposta do Ministério Público não informa o número do procedimento, os nomes de possíveis investigados nem as diligências já determinadas. A confirmação representa, entretanto, o avanço oficial mais concreto do caso, que agora deverá ser esclarecido por meio da investigação policial.

 

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