12 de outubro | 2026
Voto varia de centavos a centenas de reais entre candidatos da região
Levantamento do Diário da Região mostra diferenças expressivas entre arrecadação e votação nas eleições de 2026. Entre candidatos da região, relação entre receita e votos foi de R$ 0,42 a R$ 833,33.
DA REDAÇÃO/DIÁRIO DA REGIÃO – O volume de dinheiro disponível para uma campanha eleitoral está longe de garantir sucesso nas urnas. Levantamento publicado pelo Diário da Região mostra que a relação entre os recursos arrecadados e o número de votos obtidos pelos candidatos de Rio Preto e região variou de apenas R$ 0,42 a R$ 833,33 por voto nas eleições deste ano.
O estudo analisou 70 candidaturas a deputado estadual e federal da região. Juntas, elas declararam cerca de R$ 39 milhões em receitas e receberam aproximadamente 1,2 milhão de votos.
O cálculo utilizado pelo jornal considera o total de receitas informado à Justiça Eleitoral dividido pela votação recebida por cada candidato. Portanto, o chamado “custo do voto” não significa compra de voto nem aponta qualquer irregularidade. É apenas uma forma matemática de comparar o tamanho financeiro das campanhas com o resultado nas urnas.
CUNHA FICOU EM R$ 24,46 POR VOTO
No caso do ex-prefeito de Olímpia Fernando Cunha, candidato a deputado estadual pelo PSD, a campanha declarou R$ 298.368,66 em receitas e recebeu 12.196 votos em todo o Estado.
A divisão desses valores resulta em aproximadamente R$ 24,46 de receita para cada voto conquistado.
O número fica abaixo da média apurada pelo Diário entre os candidatos a deputado estadual da região, que foi de R$ 94,83 por voto, mas acima dos valores registrados pelos quatro candidatos da região que conseguiram uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Danilo Campetti teve relação de R$ 7,31 por voto; Itamar Borges, R$ 7,66; João Paulo Rillo, R$ 9,40; e Valdomiro Lopes, R$ 11,16.
No caso de Cunha, outro dado chama atenção: dos 12.196 votos recebidos em São Paulo, 9.471 foram conquistados somente em Olímpia.
CAMPANHAS TIVERAM RESULTADOS MUITO DIFERENTES
Entre as candidaturas a deputado estadual analisadas pelo Diário, o maior valor foi registrado por Elizandra Sartin, do Podemos, de Fernandópolis.
Ela declarou receita de R$ 200 mil e recebeu 240 votos, resultando em aproximadamente R$ 833,33 por voto.
Na outra ponta aparece Pastor Dirceu, do Novo, de Mirassol. Com receita declarada de apenas R$ 533 e 1.260 votos, a relação ficou em R$ 0,42 por voto.
A diferença entre os dois casos mostra como campanhas com valores muito distintos podem produzir resultados completamente diferentes nas urnas.
MULHERES APARECEM ENTRE MAIORES VALORES
O levantamento também mostrou que nove das dez candidaturas para deputado estadual com maior relação entre receita e votos eram de mulheres.
Os partidos são obrigados pela legislação a destinar pelo menos 30% dos recursos públicos de campanha às candidaturas femininas.
Isso ajuda a explicar parte da presença de mulheres entre as campanhas com maior volume de recursos, embora não determine o resultado eleitoral.
Em alguns casos, candidaturas receberam valores expressivos dos partidos e terminaram com votação pequena.
FEDERAL TEVE VOTO DE ATÉ R$ 456
Entre os candidatos a deputado federal, a diferença também foi grande.
O maior valor foi registrado por Dora Sanches, do PSD, de Ibirá. Ela recebeu R$ 200 mil da direção nacional do partido e conquistou 438 votos, resultando em aproximadamente R$ 456,62 por voto.
Yoko Arita, do Podemos, recebeu 661 votos e declarou receita de R$ 200 mil, equivalente a aproximadamente R$ 302,57 por voto.
Na outra ponta, Cabo Renato Abdala, do PRD, de Votuporanga, declarou receita de R$ 4.830 e recebeu 3.931 votos. O resultado foi de apenas R$ 1,22 por voto.
ELEITOS TIVERAM RELAÇÃO MAIS BAIXA
Entre os deputados federais eleitos ligados à região, os valores ficaram abaixo de R$ 40 por voto.
Paulo Bilynskyj registrou aproximadamente R$ 32,38; Luiz Carlos Motta, R$ 26,96; e Edinho Araújo, R$ 39,07.
O levantamento revela que campanhas com maior disponibilidade financeira não necessariamente produziram melhores desempenhos eleitorais.
Também houve candidatos com estrutura financeira relativamente pequena que conseguiram votação proporcionalmente elevada.
RECURSOS PÚBLICOS ENTRAM NA DISCUSSÃO
Grande parte do dinheiro destinado às campanhas vem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário.
No caso de Fernando Cunha, por exemplo, R$ 260 mil dos quase R$ 300 mil arrecadados vieram da direção nacional do PSD, por meio de recursos públicos destinados ao financiamento eleitoral.
O próprio candidato declarou outros R$ 30,9 mil em recursos próprios.
A utilização de recursos públicos em candidaturas com baixa votação voltou a gerar debate após a eleição.
Especialistas ouvidos pelo Diário destacam que dinheiro é importante para dar visibilidade a uma candidatura, mas não é garantia de votos. Estrutura política, conhecimento do candidato, presença regional e capacidade de mobilização continuam tendo peso decisivo no resultado.
PRESTAÇÃO FINAL AINDA NÃO TERMINOU
Os números utilizados no levantamento são os informados até agora à Justiça Eleitoral.
Os candidatos ainda têm prazo para apresentar a prestação final das campanhas, o que significa que receitas e despesas podem sofrer ajustes.
Mesmo assim, os dados já permitem uma conclusão: nas urnas de 2026, ter mais dinheiro disponível não significou necessariamente ter mais votos.
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