26 de outubro | 2026

O silêncio também é um desrespeito

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Uma semana depois da prisão do então presidente da Câmara, a população de Olímpia continua sem esclarecimentos oficiais básicos sobre um caso que envolve seu Legislativo e a suspeita de desvio de dinheiro público.

Olímpia viu o presidente de sua Câmara Municipal ser preso em uma operação que investiga suspeita de “rachadinha”. Viu viaturas, buscas, apreensões e a repercussão do episódio ultrapassar os limites da cidade. Mas, passada uma semana, falta uma resposta oficial para uma pergunta elementar: Flávio Olmos e os três ex-assessores continuam presos? Sob qual decisão?

É um desrespeito com a população que essa informação dependa de fontes extraoficiais, comentários de bastidores e publicações nas redes sociais. O cidadão não precisa conhecer antecipadamente cada prova da investigação. Precisa, porém, receber esclarecimentos sobre um acontecimento dessa dimensão, envolvendo justamente quem ocupava a Presidência do Poder Legislativo.

IMPRENSA NÃO É FAVOR

A Folha procurou o delegado de Barretos responsável pelo caso. Ele nem sequer atendeu a reportagem. Mandou a telefonista transmitir o recado de que só prestaria informações presencialmente. Ou seja, o repórter teria que ir até Barretos para obter alguma informação. Não houve esclarecimento por telefone, WhatsApp ou e-mail.

Em uma investigação de tamanha repercussão, impor o deslocamento de uma equipe de outra cidade como condição para prestar informações dificulta o trabalho da imprensa, quando existe até a possibilidade da tal da videochamada.

Um comunicado oficial poderia esclarecer o que pode ser divulgado, explicar o que permanece reservado e reduzir a circulação de versões contraditórias. Atender à imprensa, nesse contexto, é uma forma de prestar contas à sociedade.

SIGILO NÃO DEVERIA SIGNIFICAR ESCURIDÃO

O advogado Lucas Biscegli também foi consultado e informou que não falaria porque o processo corre em segredo de Justiça. A defesa tem o direito de definir sua estratégia e preservar os interesses de seu cliente. Mas seu silêncio não substitui a comunicação que se espera das instituições públicas responsáveis pelo caso.

Há razões legítimas para proteger depoimentos, dados pessoais, diligências e elementos cuja exposição possa comprometer uma investigação. O que se questiona é a ausência de uma comunicação institucional que esclareça os limites desse sigilo e forneça as informações que possam ser divulgadas. Segredo de Justiça não deveria significar abandono do público à especulação.

UMA CIDADE SEM RESPOSTAS

O resultado dessa falta de esclarecimentos é previsível. Uns dizem que houve prorrogação da temporária. Outros falam em preventiva. Há quem espere soltura e quem interprete o arquivamento de um processo na justiça de comunicado de prisão (o único com acesso público) como encerramento da investigação. Sem uma explicação oficial, a confusão cresce.

Esse ambiente prejudica a população e também os investigados. A falta de informação favorece boatos, julgamentos precipitados e versões que ninguém consegue conferir. Flávio e os ex-assessores têm direito à defesa e à presunção de inocência. Os moradores de Olímpia têm direito de cobrar transparência sobre a atuação das instituições.

QUEM DEVE RESPEITO AO CIDADÃO

A vergonha pública de ver o então presidente da Câmara preso sob suspeita de receber parte dos salários de servidores já é suficientemente grave. Não é aceitável acrescentar a isso um cenário em que a imprensa encontra obstáculos e a população fica sem saber oficialmente nem a situação das prisões.

A Folha não pede condenação antecipada, acesso irrestrito a provas ou exposição irresponsável de pessoas. Cobra esclarecimentos. Quem exerce autoridade pública precisa compreender que o interesse da sociedade não termina na divulgação de uma operação policial. A população de Olímpia merece respostas e merece respeito.

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