01 de novembro | 2026

Listas de direita e esquerda provocam onda de críticas e repúdio em Olímpia

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Após a eleição presidencial, relações de empresas e profissionais divididos por posições políticas circularam pelo WhatsApp, acompanhadas de propostas de boicote. Geninho condenou o radicalismo, MDO negou participação na iniciativa, dirigente do PL criticou perseguições e PT manifestou solidariedade aos atingidos.

A eleição presidencial terminou no domingo, 25, mas a disputa política continuou durante toda a semana nas redes sociais de Olímpia. A circulação de listas de estabelecimentos comerciais e profissionais identificados como de direita ou de esquerda provocou uma onda de críticas, manifestações de repúdio e discussões sobre possíveis boicotes econômicos. O episódio envolveu empresários, trabalhadores, dirigentes partidários e chegou ao prefeito Geninho Zuliani.

As relações começaram a circular em grupos de WhatsApp, acompanhadas de mensagens incentivando consumidores a privilegiar empresas de pessoas com posições políticas semelhantes e evitar estabelecimentos associados ao campo adversário. Em meio à repercussão, surgiram também ameaças de exposição da vida privada de adversários e acusações contra comerciantes, algumas sem qualquer comprovação apresentada.

MDO RECONHECE CIRCULAÇÃO EM GRUPO

O Movimento Direita Olímpia (MDO) divulgou nota oficial repudiando a elaboração e divulgação de listas com nomes de comerciantes, empresários e profissionais em razão de suas escolhas eleitorais. A organização afirmou que não participa, não incentiva nem apoia iniciativas destinadas a expor, constranger ou prejudicar pessoas por suas convicções políticas.

Em resposta encaminhada à reportagem, por meio do perfil Direita Olímpia, o movimento informou que as listas surgiram em um grupo de WhatsApp mantido desde 2018. Segundo a manifestação, houve orientação para que os participantes parassem de publicar e compartilhar o material e para que as listas fossem apagadas. O MDO afirmou que as publicações cessaram após a repercussão e declarou: “Não compactuamos com isso”.

DIRIGENTE DO PL JOVEM CRITICA BOICOTES

A reação também veio do próprio campo conservador. Netto Albertino, presidente do PL Jovem de Olímpia, publicou um vídeo criticando duramente a tentativa de prejudicar empresas identificadas com a esquerda. Ele afirmou ter recebido listas de estabelecimentos de Olímpia e de outras cidades e questionou a coerência de quem defende a liberdade, mas pretende restringir o comércio por divergências eleitorais.

“Então é a ditadura da direita, essa daí? Nós vamos quebrar os comércios da esquerda e nós vai só consumir no comércio da direita?”, questionou. Netto também alertou que eventuais boicotes atingiriam empregados e famílias que dependem dos estabelecimentos. Em outra declaração, resumiu sua crítica ao radicalismo: “A merda não tá na esquerda ou na direita, tá no extremo”.

GENINHO REPUDIA RADICALISMO

O prefeito Geninho Zuliani também entrou na discussão por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. “Pessoal, que radicalismo que é esse?”, questionou, ao comentar publicações sobre possíveis demissões de funcionários e orientações para não comprar em empresas em razão do voto de seus proprietários ou trabalhadores.

Geninho afirmou que religião, cor, credo ou preferência eleitoral não devem interferir no tratamento dado às pessoas. “O comerciante merece vender, o trabalhador merece trabalhar”, declarou. O prefeito defendeu a valorização do comércio local e apresentou Olímpia como uma cidade aberta a turistas, investidores e novos moradores. Encerrou com a frase: “As eleições passam e o respeito fica”.

MARIDO DE DIREITA DEFENDE ESPOSA DE ESQUERDA

Uma das manifestações que ganharam repercussão foi a de Bruno Sant’Ana, marido de Camila Ferri, proprietária de um pet shop incluído em uma lista de estabelecimentos associados à esquerda. Bruno declarou ser de direita, enquanto a esposa se identifica com a esquerda, mas ressaltou que as diferenças políticas nunca impediram a convivência familiar.

“Nem por isso deixamos de ser um casal que batalha junto”, escreveu. Ele afirmou que não deixaria de frequentar estabelecimentos por causa da posição política dos proprietários e criticou o fanatismo de ambos os lados. Também declarou que não considera políticos salvadores da pátria e que as divergências ideológicas não devem se sobrepor ao respeito entre as pessoas.

PT MANIFESTA SOLIDARIEDADE

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores divulgou uma nota manifestando apoio a empregadores e empregados que tenham sofrido retaliações após as eleições presidenciais. O partido defendeu o respeito às diferenças políticas e afirmou que todos possuem direitos e deveres em uma sociedade democrática.

A nota também apresentou críticas a práticas de perseguição política e defendeu a atuação da esquerda nas disputas eleitorais. Ao final, o diretório afirmou que continuará ao lado da população olimpiense. O comunicado foi divulgado em meio à repercussão das listas e às manifestações contrárias à discriminação por preferência partidária.

COMERCIANTES REAGEM ÀS LISTAS

A loja The Shoes divulgou esclarecimento negando qualquer vínculo político-partidário depois de ter seu nome associado a uma das relações. O estabelecimento afirmou que atende consumidores de todas as posições e que não apoia partidos ou candidatos. O episódio mostrou que a inclusão de empresas nas listas não significa necessariamente concordância de seus proprietários ou autorização para divulgação.

Amanda Piton também se manifestou contra os boicotes. Embora tenha declarado não se identificar com o governo eleito, defendeu o direito de comerciantes e trabalhadores expressarem suas opiniões sem sofrer represálias. Alertou que prejudicar estabelecimentos pode atingir famílias inteiras e que a intolerância política acaba produzindo consequências para toda a comunidade.

AMEAÇAS AGRAVAM A POLÊMICA

Além das listas comerciais, circularam publicações ameaçando divulgar supostas informações íntimas de apoiadores da direita, assim como acusações de atividades ilegais atribuídas a estabelecimentos comerciais. Também apareceram reproduções de mensagens com referências à violência contra autoridades. A autenticidade integral dessas conversas e a veracidade das acusações não foram comprovadas independentemente.

Outra discussão envolveu a possibilidade de empresários contratarem ou dispensarem funcionários conforme suas preferências eleitorais. Embora publicações tenham defendido esse tipo de seleção, os materiais conhecidos até agora não comprovam que trabalhadores de Olímpia tenham sido efetivamente demitidos por causa do voto.

ADVOGADO ALERTA PARA CONSEQUÊNCIAS

O advogado Marco Antônio dos Santos, conhecido como Marquinhos Santos, alertou que ameaças, ofensas e acusações falsas divulgadas nas redes podem gerar responsabilização judicial. Dependendo da conduta, podem estar envolvidos crimes como calúnia, difamação, injúria e ameaça, além de pedidos de indenização por danos morais e materiais.

O advogado ressaltou a diferença entre o direito de escolher onde comprar e a utilização de listas para perseguir, ameaçar ou prejudicar pessoas por suas convicções. A simples divulgação de uma relação comercial ou a decisão individual de não frequentar determinado estabelecimento não constitui automaticamente crime. A responsabilização depende das circunstâncias e da existência de conduta ilícita.

ELEIÇÃO TERMINOU, DIVISÃO CONTINUA

Até o fechamento desta edição, não havia comprovação de demissões motivadas pelo voto em Olímpia nem confirmação de que as acusações contra os comerciantes fossem verdadeiras. Também não foi possível estabelecer a autoria de todas as listas que circularam durante a semana.

As manifestações de Geninho, Netto Albertino, MDO, PT, comerciantes e moradores expuseram uma preocupação comum, apesar das divergências políticas: o risco de transformar o resultado das urnas em perseguição econômica e pessoal. Enquanto partidos e movimentos defendem suas posições, o comércio local e os trabalhadores podem acabar envolvidos em disputas que ultrapassam o debate eleitoral.

 

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