22 de novembro | 2010
PF diz que grupo planejava abrir exportadora de frutas
Federal (PF), o grupo liderado pelo advogado Massao Ribeiro Matuda, de 44 anos
de idade, do qual o comerciante olimpiense, Ciro Marcondes Lourenço Plaza, 32
anos, é acusado de fazer parte,
pretendia instalar uma exportadora de frutas em Mogi-Guaçu, Estado de
São Paulo, para facilitar o envio de cocaína ao Exterior. Consta que até
chegaram a providenciar a documentação necessária para o negócio.
“A instalação efetiva só não
ocorreu devido à apreensão de 600 quilos de cocaína em Arujá no início do ano,
o que causou certa apreensão no grupo”, disse o delegado Ivo Roberto Costa, que
coordenou a Operação Deserto, segundo o jornal Diário da Região, de São José do
Rio Preto.
Para a PFA escolha de Mogi-Guaçu não foi aleatória. O município fica a apenas
250 quilômetros do porto de Santos, possível local de escoamento da carga para
Europa e África
A especialidade da quadrilha,
de acordo com os policiais federais, era exportar cocaína pura escondida em
carregamentos de farelo de soja. Mas uma pequena parte do entorpecente também
era revendida para traficantes menores do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Nesse caso, a droga era escondida no painel de carros. Até 40 quilos do
entorpecente eram transportados no compartimento, de acordo com a PF. Vários
desses veículos eram de propriedade de um empresário dono de duas revendas de
automóveis no bairro São Miguel Paulista, em São Paulo.
Cada carregamento de droga
enviada à Europa rendia à quadrilha uma média de R$ 35 milhões. Apontado pela
Polícia Federal como principal organização criminosa em atuação no País, o
bando exportava, de cada vez, cerca de meia tonelada de cocaína, prensada com
selo de pureza.
No entanto, os policiais federais não souberam estimar a frequência dos
carregamentos para a Europa. Mas, para se ter uma ideia, só nos dois últimos
meses a PF apreendeu 777 quilos de cocaína prontos para seguir para o
continente europeu.
Durante toda a investigação,
o bando perdeu 2.350 quilos de droga, R$ 500 mil em espécie e uma aeronave para
a polícia, em um total de R$ 8,74 milhões. Mesmo assim, continuou na ativa.
Matuda era o cérebro da quadrilha e único articulador entre os quatro núcleos
do esquema, mas nunca tinha contato direto com a cocaína. Era ele quem
encomendava a droga por meio de dois irmãos colombianos radicados em Santa Cruz
de la Sierra, Bolívia.
Segundo a PF, ele gerenciava
a logística, negociava a droga no Exterior e levava o dinheiro pessoalmente
para o pagamento dos colombianos em Corumbá, Estado de Mato Grosso do Sul.
“Foram várias viagens, em que ele transportava um volume muito grande de
dinheiro vivo”, disse o delegado da PF, que não informou as quantias
transportadas.
A discrição, segundo ele, era
a característica mais forte de Matuda e o que permitiu a longevidade da
quadrilha. “Como ele falava em códigos ao telefone, tivemos de prolongar as
investigações”, acrescentou. A PF apurou que Matuda gerenciava um esquema sofisticado
de tráfico
ESQUEMA
A droga era adquirida na
Bolívia a US$ 2 mil o quilo. Atravessava a fronteira em aeronaves, e era
descarregada em pistas clandestinas no meio de canaviais da região de Rio Preto
e do leste de Mato Grosso do Sul. Um dos aviões usados pelo grupo pertencia a
Aderval Guimarães da Silveira, piloto de Santa Fé do Sul preso em flagrante
pela PF em setembro deste ano com 255 quilos de cocaína em Coxim (MS).
Na região, a droga era colocada em caminhões por Antonio de Souza, 46 anos,
Alex Gonçalves da Silva, de 30, ambos de Rio Preto, e Ciro Marcondes Lourenço
Plaza, de Olímpia, e seguia até um galpão da quadrilha em Arujá, cidade próxima
da Capital, onde era refinada. A maior parte era exportada para a Europa a US$
40 mil o quilo – diferença de 1.900% em relação ao preço de compra.
Para despistar a fiscalização, o grupo escondia a droga em meio a cereais. Na
última apreensão da PF, em setembro, 522 quilos de cocaína pura estavam em um
caminhão no galpão do porto de Rio Grande, Rio Grande do Sul, ao lado de um
carregamento de farelo de soja. A droga, embalada em tabletes de um quilo cada,
seria misturada à carga nos contêineres e transportada de navio até a Espanha.
O delegado da PF não soube estimar há quanto tempo a quadrilha atuava. O grupo
será indiciado por tráfico internacional, associação para o tráfico e comércio
ilegal de armas de fogo – no flagrante de Arujá, foram apreendidas 10 granadas
antitanque, adquiridas na Bolívia.
Dos 50 envolvidos, 20 tinham
sido presos nos flagrantes que antecederam a operação policial, e outros 22,
incluindo Matuda, estão detidos na Superintendência da PF em São Paulo, com
prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça Federal. Um está foragido,
e outros sete estrangeiros são procurados pela Interpol. O advogado de Matuda
no caso não foi localizado na última semana.
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