23 de outubro | 2011

ONG admite falta de segurança e que muro precisa ser construído

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Pelo que se depreende das palavras do presidente da Ong Renascer, que funciona no Educandário Frei Roque Biscione, Sérgio Nei Padilha Garcia (foto), que tomou posse no dia 1.º de julho, não há tempo suficiente e nem dinheiro para a construção de um muro de alvenaria que possa garantir a segurança dos adolescentes que ainda estão sob os cuidados da entidade, mas que serão retirados brevemente.


“Não porque agora demandaria mais tempo e a promotora não quer esperar mais. Ela disse que já teve paciência demais, porque a determinação de construir o muro vem desde a Dra. Andrea. Desde que foi assinado o convênio, ela (juíza) determinou que o muro fosse construído. Mas com que dinheiro, se o orçamento é de R$ 63 mil”, respondeu com uma pergunta, quando perguntado se a continuidade não seria possível caso os prefeitos da comarca decidissem ajudar na construção do muro.


De acordo com Padilha Garcia, apenas a parte da mão de obra está orçada em R$ 32 mil. Enquanto isso, a campanha para arrecadar o material de construção, ele acredita que ainda não chegou nem a 30% do necessário. Mas mesmo com o encerramento do convênio, a ideia é continuar com o projeto da construção do muro e até do crescimento da instituição.


“O trabalho vai continuar e temos planos de aumentar. Claro que vamos correr atrás de recursos, vamos buscar trabalho voluntário, mas vamos incrementar o que for possível. Já existe estrutura para tanto e a região é muito carente”, avisa.


Por outro lado, o presidente nega haver algum tipo de problema que não seja o da falta do muro. “A promotora iniciou uma ação para transferir a casa abrigo por falta de condições, principalmente de segurança para as crianças. E a questão do muro realmente e só essa”, enfatiza.


De acordo com ele, inclusive a represente do Ministério Público da Infância e Juventude deixou “muito claro, até porque venho conversando com ela já há algumas semanas”. “Ela até elogiou o trabalho da Ong, disse que não tem nada contra e, de fato não tem porque ter, porque nós estamos fazendo das tripas o coração para superar essas deficiências físicas, só que é impossível”, acrescentou.


O presidente contou que houve reuniões, inclusive com o Poder Judiciário, “mas a promotora tem a convicção firme de que lá realmente há falhas na questão da segurança. Então, não pode continuar por esse motivo”. “Sem o muro a gente realmente não tem como manter os adolescentes em segurança. Se fossem crianças talvez fosse um pouco mais fácil de segurar, mas adolescentes não é tão fácil, porque ali, o entorno é um pouco complicado”, reforça.


Mas deixa claro que a intenção era continuar mantendo o serviço. “Porque, além de tudo tem a convivência com as outras crianças que vão lá estudar e tudo mais, mas é  impossível pela segurança”, disse.


Ainda sobre a retirada dos adolescentes o presidente que se coloca à disposição para ajudar disse: “Isso é um problema social do País. O Judiciário determinou de outra forma então vamos seguir assim. Mas se a Ong puder ajudar a Prefeitura vamos procurar ajudar também. Inclusive, os meninos que estão saindo de lá, os que quiserem participar nas aulas, está completamente aberto para eles”.


Mas avisa: “Só que alguém precisa levar e trazer. Isso é importante. Isso tudo nos fazíamos, levar à escola e buscar. Levar ao médico e trazer de volta. Levar em visita para as famílias, esperar e trazer de volta. Tudo isso a gente fazia”.


Porém, afora os gastos com a manutenção da casa abrigo, há outras despesas que precisam de cobertura. A instituição tem uma despesa mensal de aproximadamente R$ 35 mil e recebia cerca de R$ 20 mil das prefeituras e outros R$ 15 mil são arrecadados com associados, doações e campanhas junto com clubes de serviços da cidade.


Os recursos oriundos dos municípios seriam para manter a casa abrigo funcionando durante as 24 horas todos os dias da semana. Agora, com o encerramento do convênio, cerca de 10 funcionários terão de serem dispensados, gerando custos trabalhistas para a entidade. Segundo a reportagem apurou, apenas sete pessoas continuarão trabalhando no Educandário.


CAMPANHA


Como se recorda, por causa da necessidade de construir muros altos para cercar a instituição e até um forte portão de ferro para isolamento, seguindo determinação da ex-juíza da Infância e Juventude, Andrea Galhardo Palma, a direção do Educandário Frei Roque Biscione iniciou uma campanha com a finalidade de conseguir os materiais de construção necessários e até mesmo ajuda na mão de obra necessária para a construção do muro.


A instituição necessita de tijolos, cal, cimento, pedra e areia. Segundo ele, já há um trabalho social desde o ano de 2006, quando foi criada a ONG Humanizar que é a mantenedora do Educandário.


O material para a construção dos 670 metros quadrados de muro está orçado em aproximadamente R$ 26,7 mil, incluindo tijolos de oito furos, de pó de mico, colunas e de ferro, baldrame, arame recozido para amarrar as ferragens e todos os demais materiais necessários. Já a parte da mão de obra está orçada em quase R$ 31 mil.


Quem quiser doar dinheiro pode fazer o depósito na agência da Caixa Econômica Federal (CEF), na conta corrente 112-7. Mas quem tiver material de construção que não estiver utilizando, ou mesmo quiser doar diretamente parte dos materiais necessários, pode levar, ou mandar levar no educandário que será de grande valia.


Entretanto, não há representantes do Educandário percorrendo as ruas pedindo nem material nem dinheiro. Qualquer dúvida é só ligar para o Educandário, no fone 3279-8401.


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