14 de julho | 2024

Gastão Cunha é o algoz do próprio Turismo para quem governou exclusivamente?

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José Antônio Arantes

Nos últimos anos, Olímpia tem sido alvo de um crescimento turístico impressionante, com um número crescente de visitantes e uma expansão considerável da infraestrutura hoteleira. Contudo, esse desenvolvimento não tem sido sinônimo de progresso para todos.

A gestão do prefeito Gastão Cunha tem mostrado graves falhas, evidenciando um descaso preocupante com a população local e criando um cenário onde o turismo, que deveria ser uma fonte de benefícios, se tornou motivo de insatisfação e dificuldade para os moradores.

Cunha priorizou o aumento do fluxo turístico sem implementar um projeto inclusivo que beneficiasse os cidadãos de Olímpia. A administração tem focado exclusivamente em aumentar o número de turistas e leitos, sem considerar a situação dos moradores. Isso resultou em uma resistência crescente da comunidade local, que não vê o turismo como uma força positiva para o desenvolvimento da cidade. Mas, ao contrário, como o motivo do atual estado de descontentamento.

Os números são impressionantes: hoje, Olímpia conta com 35 mil leitos distribuídos entre resorts e hotéis. Esse crescimento, no entanto, foi impulsionado por grandes grupos de fora, especialistas em obter lucro, que não têm compromisso com a cidade e não são regulados de maneira adequada pelo poder público. Esses empresários externos pagam menos aos trabalhadores locais, impactando negativamente a economia da cidade e deixando de lado a responsabilidade social que deveria ser uma prioridade.

A falta de um grande projeto turístico que beneficiasse toda a comunidade é evidente. O turismo em Olímpia carece de uma estratégia coerente e inclusiva. Os investidores externos operam sem restrições, sem legislação clara ou liderança política que promova a distribuição justa de renda. Essa ausência de regulamentação e liderança resulta em uma exploração desenfreada dos recursos locais, sem qualquer benefício significativo para a população.

A promessa de um grande projeto turístico por parte de Cunha se revelou vazia. Durante seis anos, a população foi enganada com promessas que nunca se materializaram. A expansão da cidade, por exemplo, beneficia apenas uma parcela da população, deixando os moradores mais pobres desassistidos.

A transparência nos investimentos é questionável, como no caso da expansão da Avenida Benatti, que levanta dúvidas sobre a verdadeira finalidade e os beneficiários desses projetos.

Além disso, a gestão de recursos básicos tem sido alarmante. A qualidade da água em Olímpia é um exemplo claro do descaso da administração. Mesmo após a venda da empresa de água para a Sabesp, os problemas persistem, e a população continua a enfrentar dificuldades cotidianas. Buracos nas ruas e a falta de infraestrutura básica são constantes lembranças do fracasso da gestão atual em atender às necessidades fundamentais dos cidadãos.

O grande problema, porém, não reside apenas nas falhas de gestão, mas na própria filosofia de governo adotada por Fernando Cunha. Sua administração favorece explicitamente os interesses dos empresários do turismo em detrimento das necessidades da população local. Esse modelo de governança não apenas compromete a qualidade de vida dos moradores, mas também cria um ambiente de desigualdade e injustiça social.

Fernando Cunha, ao negligenciar a população e favorecer os interesses empresariais, comprometeu o desenvolvimento sustentável do turismo em Olímpia. É imperativo que a cidade adote um novo modelo de gestão, que priorize a inclusão e o bem-estar de todos os seus habitantes.

Um projeto turístico verdadeiramente sustentável deve considerar as necessidades dos moradores, garantir a distribuição justa de renda e promover um ambiente de crescimento equitativo.

Para que Olímpia prospere de maneira justa e sustentável, é necessário repensar a abordagem atual e adotar políticas que integrem o desenvolvimento turístico com o bem-estar da comunidade local.

A liderança política deve ser responsável e transparente, criando e implementando leis que protejam os interesses dos cidadãos e garantam um futuro próspero para todos.

Gastão Cunha foi, sem dúvida, o melhor prefeito para os empresários do turismo, mas o pior para a população de Olímpia. A cidade merece mais. Merece uma administração que veja além dos números de turistas e dos lucros imediatos, e que se preocupe verdadeiramente com o desenvolvimento harmonioso e inclusivo de toda a comunidade.

Olímpia precisa de um líder que entenda que o verdadeiro sucesso de uma cidade está no equilíbrio entre o crescimento econômico e o bem-estar de seus cidadãos e não de um ditador que se acha onipotente e que acredita que as migalhas que espalha pelo chão são suficientes para matar a fome para quem deveria administrar.

 

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