12 de novembro | 2025

“A Extinção das Abelhas” – “As pessoas vão embora, e isso é uma realidade”

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A Extinção das Abelhas

“As pessoas vão embora, e isso é uma realidade”.  Assim começa “A Extinção das Abelhas”, livro de Natalia Borges Polesso. Nele, o leitor conhece a história de Regina: depois de ser abandonada pela mãe, ela foi criada apenas pelo pai, que faleceu quando a garota começava a entrar na vida adulta. As vizinhas, Eugênia e Denise, cuidam dela como podem, oferecendo afeto, dinheiro e uma vida em família que lhe faz falta. O círculo se completa com Aline, filha do casal e amiga-irmã de Regina. Sua perspectiva de mudar de vida é diminuta. Ao ver um anúncio na Internet sobre “camgirls”, Regina decide tentar a sorte. Então cobre a cabeça com uma máscara de gorila e encarna um lado seu que não conhecia. Ao se expor para desconhecidos na câmera e revolver os desejos e vergonhas desses homens, ela se defronta com os próprios sentimentos, fantasmas há muito enterrados em seu inconsciente. Ao criar um universo que é tão distópico quanto real, com uma galeria de personagens impressionantes que vão da tragicômica velhinha Dona Norma à corajosa Aline, a autora de “Controle” confirma seu domínio narrativo e constrói uma história sobre o colapso, mas também sobre salvação. Com 312 páginas, o livro é da Editora Companhia das Letras.

 

A Palavra que Resta

Aos 71 anos, Raimundo decide aprender a ler e a escrever. Nascido e criado na roça, não foi à escola, pois cedo precisou ajudar o pai na lida diária. Mas há muito deixou a família e a vida no sertão para trás. Desse tempo, Raimundo guarda apenas a carta que recebeu de Cícero, há mais de cinquenta anos, quando o amor escondido entre os dois foi descoberto. Cícero partiu sem deixar pistas, a não ser aquela carta que Raimundo não sabe ler – ao menos até agora. Com uma narrativa sensível e magnética, o escritor cearense Stênio Gardel conduz o leitor em uma viagem ao passado de Raimundo, permeado de conflitos familiares e da dor do ocultamento de sua sexualidade, mas também das novas relações que estabeleceu depois de fugir de casa e cair na estrada, ressignificando seu destino mais de uma vez. De Stênio Gardel, o livro tem 152 páginas e é da Editora Companhia das Letras.

 

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