08 de março | 2026

Olímpia terá que conviver com água “sebosa”, pois eliminar minerais do Aquífero Guarani custaria caro

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GEOLOGIA E TARIFA!

Com o abastecimento totalmente subterrâneo em 2026, moradores passaram a sentir textura oleosa na água. A dureza causada por cálcio e magnésio explica o fenômeno, mas a retirada desses minerais exigiria tratamento caro que não é obrigatório por lei.

José Antônio Arantes – A Estância Turística de Olímpia entrou em 2026 com uma mudança estrutural definitiva no sistema de abastecimento de água: a cidade passou a depender integralmente de captação subterrânea profunda.

A nova matriz hídrica foi consolidada com a entrada em operação plena do Poção 3, unidade capaz de produzir cerca de 4,5 milhões de litros por dia e ligada ao sistema por uma adutora de aproximadamente quatro quilômetros.

Com essa configuração, foram desativadas as antigas captações superficiais em córregos e represas da região, consideradas vulneráveis a períodos de estiagem.

Do ponto de vista da segurança hídrica, a mudança representa um avanço importante, pois reduz drasticamente o risco de desabastecimento em períodos de seca prolongada.

A SENSAÇÃO DE “SEBO”
NAS TORNEIRAS

A transição para a água subterrânea trouxe, porém, uma consequência perceptível para os moradores. Desde que os poços profundos passaram a abastecer toda a cidade, multiplicaram-se as reclamações de que a água parece “sebosa”, especialmente durante o banho ou na lavagem de louças.

Embora a concessionária responsável pelo sistema assegure que a água é potável e está dentro dos padrões sanitários, o consumidor sente uma diferença tátil que não existia quando o abastecimento vinha principalmente de fontes superficiais.

MINERALIZAÇÃO
NATURAL DO AQUÍFERO

A explicação científica para o fenômeno está na chamada dureza da água. Ao percorrer camadas profundas do subsolo, atravessando rochas basálticas e arenitos, a água dissolve minerais como cálcio e magnésio em concentrações muito maiores do que as encontradas em rios ou córregos.

Essa água mineralizada reage de forma diferente quando entra em contato com sabões e detergentes.

Em vez de produzir espuma abundante e enxaguar rapidamente, ocorre uma reação química que forma um resíduo insolúvel conhecido como “escória de sabão”, responsável pela sensação de película na pele ou nas superfícies lavadas.

QUANDO A ÁGUA
APARECE AMARELADA

Outro tipo de reclamação recorrente envolve água com tonalidade amarelada ou marrom em alguns bairros.

Nesse caso, o problema não está diretamente ligado à dureza da água, mas à adaptação da rede antiga ao novo sistema de bombeamento.

Com maior pressão nas tubulações, sedimentos acumulados ao longo de décadas podem se desprender das paredes internas dos canos, liberando partículas de ferro ou manganês que alteram temporariamente a cor da água.

SEGURANÇA HÍDRICA
X CONFORTO DO CONSUMIDOR

Do ponto de vista técnico, a mudança para captação profunda garante maior estabilidade no abastecimento da cidade.

Regiões que historicamente enfrentavam torneiras secas em períodos críticos, como bairros mais altos ou afastados, passam a ter fluxo constante de água.

Por outro lado, a nova realidade trouxe efeitos sensoriais que incomodam parte da população e que se somam às discussões sobre o custo do serviço de saneamento.

RECLAMAÇÕES
E PRESSÃO POPULAR

Nos últimos anos aumentaram as manifestações populares relacionadas ao abastecimento. Registros na Ouvidoria Municipal apontam crescimento nas queixas envolvendo infraestrutura, qualidade da água e cobrança nas faturas.

O debate ganhou força após reajustes tarifários aplicados no sistema de saneamento, que elevaram o valor das contas em um momento em que muitos moradores passaram a questionar a qualidade percebida do serviço.

SOLUÇÃO EXISTE,
MAS TEM CUSTO ALTO

Tecnicamente, seria possível eliminar a sensação de água “sebosa” por meio de processos chamados de abrandamento, capazes de remover os minerais responsáveis pela dureza.

Tecnologias como osmose reversa ou sistemas de troca iônica conseguem reduzir drasticamente a presença de cálcio e magnésio, mas exigem estruturas complexas e custos operacionais elevados.

POR QUE A SABESP
NÃO REMOVE OS MINERAIS

Em sistemas públicos de abastecimento, a implantação desses tratamentos significaria aumento significativo nas tarifas de água. Além disso, a legislação brasileira de potabilidade não obriga as companhias de saneamento a eliminar a dureza da água.

Os padrões definidos pelo Ministério da Saúde priorizam substâncias que representem risco direto à saúde. Como a dureza altera apenas características sensoriais, como textura ou sabor, ela não é considerada um problema sanitário.

ADAPTAÇÃO DA POPULAÇÃO

Na prática, isso significa que a água distribuída continuará sendo considerada adequada para consumo, mesmo mantendo a mineralização natural do aquífero.

Alguns moradores têm recorrido a soluções individuais, como filtros especiais ou descalcificadores domésticos, que reduzem a presença de minerais antes que a água chegue às torneiras.

UMA CARACTERÍSTICA
QUE PODE SER PERMANENTE

Esses equipamentos, no entanto, representam um custo adicional para o consumidor e exigem manutenção periódica. Nem todas as residências têm condições de instalar esse tipo de sistema.

Diante desse cenário, a chamada água “sebosa” tende a se tornar uma característica permanente do abastecimento em Olímpia, resultado direto da geologia profunda que hoje garante a segurança hídrica da cidade.

 

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