29 de junho | 2025

Arantes conta bastidores da história de Benito no Pod Pai

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NINGUÉM ACREDITAVA!
Nem mesmo os amigos mais próximos apostavam no sonho do turismo de Benito Benatti.

Em um relato detalhado, o jornalista José Antônio Arantes conta como o empresário superou desafios para implantar seu sonho e como provou que é possível ser um empreendedor social mesmo numa cidade pequena como Olímpia.

O jornalista José Antônio Arantes, âncora do Podcast Pod Pai e Filha, dedicou metade do programa de quarta-feira, 25 de junho, para narrar a trajetória do empresário Benito Benatti, da qual participou como amigo pessoal e conselheiro.
Arantes destacou que Benatti sempre foi um homem à frente de seu tempo, um cidadão que conseguiu crescer e criar fortuna sem deixar de se preocupar com a população da cidade que adotou como sua.

LEGADO E MEMÓRIA

Para ele, o legado de Benatti prova que ele não morreu, mas “vai viver para sempre” na consciência da cidade e em sua maior obra, o Thermas dos Laranjais.
A carreira de Benatti como grande empregador em Olímpia começou muito antes do parque aquático, com uma autoelétrica. Depois fundou empresas de grande porte como a Ciafundi e a Condumax, que chegaram a ter centenas de funcionários em época de menor automação.

Antes mesmo disso, Benatti já demonstrava sua preocupação com a comunidade ao montar uma repetidora de sinal de TV para que os moradores pudessem assistir à programação de canais de televisão bem antes do advento da internet.

O NASCIMENTO DO THERMAS

A ideia para o Thermas dos Laranjais surgiu de uma informação trazida por um amigo, Luizão Jacaré, que trabalhou na perfuração de um poço de petróleo da Petrobras na entrada da cidade na década de 60. Ele contou a Benatti que a perfuração havia sido interrompida ao atingir um aquífero de águas quentes. Com essa informação, Benatti teve a visão de aproveitar essa água para criar um clube.
O projeto começou a tomar forma com a doação do terreno pela família Neves e o trabalho do arquiteto Jorge Noronha, que esteve ao lado do empresário desde os primeiros projetos.

Para viabilizar o empreendimento, Benatti e seus amigos começaram a vender cotas do clube.
A água quente era inicialmente transportada por uma canalização de cerca de três quilômetros, desde o poço da Petrobras até o terreno do clube.

O começo foi modesto, com apenas duas ou três piscinas, e enfrentou grande ceticismo. “Ninguém acreditava”, relatou Arantes, lembrando que até amigos próximos duvidavam que o projeto pudesse dar certo e hesitavam em investir, preferindo “ver se ia vingar” primeiro.

UM SONHO CONTRA A DESCRENÇA

Mesmo diante da desconfiança geral, Benatti persistiu. Após os primeiros passos no Thermas, ele já começava a ver na frente, insistindo com os empresários e comerciantes locais sobre a necessidade de se construir hotéis, restaurantes e bares na cidade para atender aos futuros turistas.
À época, ele alertava que, sem essa infraestrutura, Olímpia seria apenas um destino de “bate e volta”, o que não seria um problema para o parque, mas impediria o crescimento econômico do restante da cidade.

O empresariado local, no entanto, não acreditou na visão de Benatti.
O primeiro grande hotel de Olímpia só foi construído anos depois, quando o próprio Benatti conseguiu que um grupo de investidores de fora, da região de Goiás, montasse o primeiro grande empreendimento e vendesse apartamentos na planta, inclusive para moradores da cidade.

Essa falta de adesão inicial, segundo Arantes, fez com que a cidade aproveitasse apenas uma fração do seu potencial turístico, com uma estimativa de que 50% dos visitantes do parque ainda realizem apenas o “bate e volta”.

DESAFIOS E INOVAÇÕES

Um dos maiores desafios foi a aquisição das atrações do parque.
Há mais de trinta anos, não havia no mercado indústrias que fabricassem os tipos de brinquedos que Benatti e Jorge Noronha projetavam, e a importação seria financeiramente inviável.

A solução foi criar uma “espécie de indústria” nos fundos do próprio parque para fabricar seus próprios brinquedos, o que reduziu drasticamente os custos e permitiu a construção de grandes atrações. Alguns desses projetos pioneiros serviram de modelo para outras indústrias do setor que surgiram posteriormente.
Outro obstáculo superado foi a dependência da água do poço da Petrobras, que gerou problemas judiciais.

SOLUÇÃO PARA A ÁGUA

Benatti descobriu que o Aquífero Guarani passava por baixo da propriedade do clube e resolveu a questão perfurando poços próprios dentro do Thermas.
Demonstrando preocupação ambiental, o parque também desenvolveu um sistema para tratar e reaproveitar a água, que, após passar pelas atrações, é tratada, reaquecida e reutilizada antes de ser devolvida, também tratada, a um rio próximo.

A TRANSFORMAÇÃO DE OLÍMPIA

A perseverança de Benatti transformou Olímpia.
A cidade, que tinha sua economia baseada na agricultura, principalmente laranja e cana-de-açúcar, tornou-se uma potência turística. Hoje, o município de 55 mil habitantes conta com uma rede hoteleira de 35 mil leitos, entre hotéis, resorts e pousadas. Arantes se refere a Benatti como o “prefeito sem pasta”, termo que ele alcunhou o empresário por ter sido o principal agente dessa mudança.

O LEGADO DE UM VISIONÁRIO

O impacto na geração de empregos é vasto. O turismo, direta e indiretamente, movimenta toda a economia local, desde os funcionários dos parques e hotéis até o comércio, como supermercados e restaurantes. Arantes estima que o setor gere entre 7 e 8 mil empregos diretos e que o impacto indireto alcance de 15 a 20 mil postos de trabalho, provando que, mesmo no capitalismo, “é possível fazer pela sua cidade, é possível fazer pela sua população, é possível ser um empreendedor social”.

O jornalista conclui sua homenagem afirmando que o legado de Benatti é a prova de seu sucesso como empreendedor social. Ele não apenas acumulou fortuna, mas a utilizou para transformar a realidade de sua cidade, deixando uma marca permanente.

 

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