14 de dezembro | 2025
Cultura amplia acesso, fortalece museus e prepara virada histórica no patrimônio local
EDUCAÇÃO E MEMÓRIA!
Projeto leva milhares de alunos aos museus e prepara mudança de acervo histórico para casarão restaurado.
Secretária destaca aumento de 18% na visitação aos equipamentos culturais, explica a reestruturação do Museu do Folclore e convida a população para o ‘Natal Encantado’ na Praça da Matriz, que une a tradição natalina com a identidade da Capital Nacional do Folclore.
Em entrevista concedida ao jornalista José Antônio Arantes na Rádio Cidade 98.7 MHz, na quarta-feira (10), a secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia, Priscila Foresti, Guegué, realizou um balanço detalhado das atividades de sua pasta e destacou a programação do fim de ano.
Durante a conversa, que durou cerca de uma hora, a gestora abordou desde as origens curiosas de seu apelido, uma mistura da idolatria dos pais por Elvis Presley e a dificuldade fonética de seu irmão na infância, até as complexas estratégias de museologia e formação de público que têm pautado a administração cultural do município.
AUMENTO DE VISITAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO DOS ESPAÇOS
Um dos pontos centrais da entrevista foi o relatório de visitação dos espaços culturais. A secretária revelou que houve um aumento expressivo de 18% no fluxo de visitantes em relação ao período anterior, um dado que ela atribui não apenas ao turismo, mas a um esforço deliberado de educação patrimonial.
O Museu do Folclore continua sendo o carro-chefe, mantendo-se como o local mais visitado devido à sua fama nacional e à intrínseca relação da cidade com o tema, mas outros equipamentos começaram a ganhar protagonismo através de exposições rotativas e parcerias institucionais.
ESTAÇÃO CULTURAL COMO COMPLEXO DINÂMICO
Priscila enfatizou que a cultura não deve ser vista apenas como entretenimento passivo, mas como um direito constitucional de acesso ao conhecimento. Nesse sentido, ela destacou o trabalho realizado na Estação Cultural de Olímpia (ECO), que deixou de ser um espaço estático para se tornar um complexo museológico dinâmico.
Atualmente, o local abriga três galerias distintas que receberam, ao longo do ano, parcerias de peso com instituições estaduais, como o Museu da Imagem e do Som (MIS) e o Museu do Futebol, além de exposições de arte sacra e diversidade religiosa.
FORMAÇÃO DE PÚBLICO E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Para garantir que a arte não seja elitizada ou restrita aos turistas, a pasta implementou o programa “Museu em Movimento”, em parceria com a Secretaria de Educação. O projeto garantiu que todas as crianças da rede municipal de ensino visitassem os equipamentos culturais de forma guiada durante o ano letivo.
A secretária argumentou que essa iniciativa visa a “educação do olhar”, preparando as novas gerações para entenderem o museu como um espaço de pertencimento e não como um local de “coisas velhas” ou inalcançáveis.
EXPOSIÇÕES E ACESSO DEMOCRÁTICO À ARTE
A ideia é criar intimidade entre o cidadão olimpiense e seu patrimônio. Durante a entrevista, foi citado o exemplo da exposição da artista modernista Marina Caram e a atual mostra “Almas Pretas”, em parceria com a Unesp de Araraquara, que ocupam as galerias da ECO.
Segundo Priscila, não importa se uma sala de cinema exibe um documentário para três ou trinta pessoas; o essencial é que o equipamento público esteja disponível e ofereça conteúdo de qualidade que provoque reflexão e expanda o repertório cultural da população.
REQUALIFICAÇÃO DO MUSEU DO FOLCLORE
A secretária anunciou mudanças estruturais significativas para o próximo ano. O Museu do Folclore, guardião da identidade da cidade, será fechado no final de janeiro para uma completa readequação física e museográfica.
O projeto, que conta com captação de recursos via Lei Rouanet e parceria com a Fundação Roberto Marinho, visa modernizar a exposição do acervo, garantindo sua preservação e melhorando a experiência do visitante, sem descaracterizar a essência da cultura popular que ele abriga.
CASARÃO HISTÓRICO E CIRCUITO CULTURAL
Outra novidade importante é a transferência do Museu de História e Arqueologia. Atualmente alocado temporariamente na Casa da Cultura, o acervo será movido para o histórico casarão de Jeremias Lunardeli, localizado próximo à ECO.
O imóvel, que faz parte da memória arquitetônica da cidade e remete aos tempos áureos do café e da fundação do município, está passando por adequações para receber as peças. A intenção é criar um circuito cultural integrado, onde o visitante possa transitar entre a história da cidade, a arte contemporânea e as tradições folclóricas em um perímetro reduzido.
ARTE SACRA E QUALIFICAÇÃO HUMANA
O Museu de Arte Sacra também foi pauta, sendo descrito pela secretária como uma “cereja do bolo” devido à beleza arquitetônica do prédio e à riqueza do acervo.
O espaço passou por revitalização na pintura e na iluminação, seguindo a política de cuidado constante exigida pelo prefeito. Priscila destacou a exposição fotográfica no andar superior e as projeções de manifestações de matriz africana no térreo, demonstrando a diversidade religiosa que o museu procura abarcar.
MEDIAÇÃO CULTURAL E EXPERIÊNCIA DO VISITANTE
No entanto, mais do que paredes e objetos, a secretária ressaltou o investimento no capital humano. Houve um esforço concentrado na formação dos agentes culturais e monitores.
O objetivo é que esses profissionais não atuem apenas como vigias de sala, mas como mediadores qualificados, capazes de contextualizar as obras, contar as histórias por trás dos objetos e acolher o visitante, transformando a visita em uma experiência educativa e afetiva.
TECNOLOGIA E PRESENÇA NOS MUSEUS
Provocada pelo jornalista sobre o futuro dos museus em uma era dominada por telas e inteligência artificial, Priscila defendeu a insubstituibilidade da experiência presencial.
Embora reconheça a importância da tecnologia como ferramenta de apoio, citando o Museu da Língua Portuguesa como exemplo positivo, ela argumenta que a “aura” da obra de arte original e a vivência física do espaço cultural possuem um valor humano que o digital não consegue replicar.
EQUILÍBRIO ENTRE INOVAÇÃO E AUTENTICIDADE
A secretária relembrou que a arte é intrínseca à condição humana e que a tecnologia deve servir à arte, e não substituí-la.
A aposta da secretaria é no equilíbrio: modernizar a apresentação e a interatividade, como será feito no novo Museu do Folclore, mas manter a autenticidade e a materialidade que conectam o visitante à história e à emoção que o artista ou o artesão imprimiu na obra.
NATAL ENCANTADO E IDENTIDADE LOCAL
Finalizando a entrevista, o foco voltou-se para a programação de fim de ano, batizada de “Natal Encantado”. A abertura oficial ocorreu na semana passada, mas na quarta-feira (10), na Praça da Matriz, teve a chegada do Papai Noel.
Priscila explicou que a concepção do Natal em Olímpia precisa respeitar a vocação da cidade. Por isso, o espetáculo “Entre Lendas”, apresentado na quarta-feira, não trouxe apenas o bom velhinho, mas o colocou em diálogo com personagens do folclore brasileiro, como o Saci, criando uma narrativa única que valoriza a cultura local.
PROGRAMAÇÃO ARTÍSTICA E TRADIÇÕES
A decoração da praça e a cenografia foram pensadas para criar um ambiente lúdico, mas a programação artística é o grande diferencial. Diferente de natais genéricos de shopping centers, Olímpia aposta na mistura de tradições.
A secretária detalhou que haverá apresentações de corais, balé, musicais como o “Sumiço do Presépio” e o tradicional Presépio Vivo, garantindo atividades culturais diárias até a véspera do Natal.
CORTEJOS E MANIFESTAÇÕES POPULARES
Um dos destaques da programação são os “Cortejos de Natal”, agendados para os dias 12, 19 e 22 de dezembro. Nesses dias, grupos de manifestações folclóricas, como Folia de Reis e Catira, sairão da Casa da Cultura em desfile até a Praça da Matriz.
Essa integração entre o sagrado do Natal cristão e as manifestações populares regionais é a assinatura da política cultural da cidade, reforçando o título de Capital do Folclore mesmo nas festividades universais.
LAZER, ACOLHIMENTO E ECONOMIA CRIATIVA
O Papai Noel estará presente em sua casinha todas as noites, das 19h30 às 22h00, até o dia 23 de dezembro, recebendo as famílias para fotos e pedidos.
A secretária salientou que a programação foi desenhada para agradar a todas as idades, oferecendo uma opção de lazer noturno gratuita e segura para a população e para os turistas que lotam a cidade nesta época do ano.
FEIRA, ARTESANATO E CONVITE À POPULAÇÃO
Para complementar a experiência, a estrutura na Praça da Matriz conta com uma feira de artesanato, valorizando os produtores locais, e uma praça de alimentação robusta.
Ao encerrar, Priscila Forest reforçou o convite para que os olimpienses ocupem a praça e os museus. Para ela, o sucesso da gestão não se mede apenas em números ou obras, mas na capacidade de manter viva a chama da identidade local, fazendo com que a cultura seja, de fato, um patrimônio amado e vivenciado por todos os habitantes.
Comentários
Os comentários não representam a opinião do iFolha; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Você deve se logar no site para enviar um comentário. Clique aqui e faça o login!
Ainda não tem nenhum comentário para esse post. Seja o primeiro a comentar!






