01 de outubro | 2015
Delegado acusado de estuprar neta presta depoimento no fórum de Olímpia

O delegado de Itu, Moacir Rodrigues da Silva, de 63 anos de idade, que está preso preventivamente no presídio da Polícia Civil, em São Paulo, prestou depoimento no fórum de Olímpia. A audiência foi realizada na segunda-feira, dia 28. Ele responde a processo crime sob a acusação de ter estuprado a própria neta, LAMM, de 16 anos, que reside em São José do Rio Preto, em um quarto de hotel no Parque Aquático Thermas dos Laranjais.
O crime teria sido praticado na noite do dia 14 de setembro de 2014, data que marcou para sempre a vida da jovem rio-pretense LAMM. Nessa data, ela diz ter sido estuprada pelo próprio avô, o delegado Moacir Rodrigues de Mendonça, 63, no quarto de um hotel no Termas dos Laranjais, em Olímpia.
Mas para o delegado as consequências também foram severas. Mendonça foi preso dentro do 1º Distrito Policial de Itu, onde trabalhava, em novembro de 2014. Desde então segue detido preventivamente no presídio da Polícia Civil em São Paulo. Em Olímpia, ele é réu em ação penal por estupro. Se condenado, pode pegar até 12 anos de prisão.
“Minha filha tentou o suicídio duas vezes, emagreceu 12 quilos e teve de abandonar a escola porque estava sofrendo bullying. Isso que você está vendo é o cadáver vivo da minha filha”, diz a mãe, VHMM, de 39 anos, comerciante e filha do delegado, em entrevista exclusiva ao Diário: “O que dói mais é saber que seu próprio pai foi capaz de uma monstruosidade dessas. É nojento”.
Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil ao qual o Diário teve acesso, a adolescente dá detalhes da história macabra. Mendonça chegou a Rio Preto no dia anterior, 13 de setembro, para o aniversário de 15 anos da irmã de L. Na manhã seguinte, segundo a jovem, o delegado levaria L, sua irmã T e uma tia, C, irmã de Mendonça, para passar três dias no Termas em Olímpia.
Mas, inesperadamente, o delegado decidiu levar só a neta L. “Justificou este que T, que também é portadora de um pequeno retardo mental, poderia dar trabalho na viagem e sobre C nada justificou para não levá-la”.
SURPRESA INDIGESTA
Ao chegar ao hotel, L “ficou surpresa quando soube que ela e o avô pernoitariam no mesmo quarto, porque o combinado era de permanecerem em quartos separados”. Já no quarto, segundo a adolescente, novo susto: havia apenas uma cama de casal para os dois. L., disse, não questionou nada por medo, “porque seu avô é bastante temperamental”.
Mesmo assim, não desconfiou do avô delegado, porque até então Mendonça nunca demonstrara intenção de molestá-la sexualmente. Mas, ao tomar banho, de acordo com o depoimento, não trancou a porta e se surpreendeu quando o avô entrou no banheiro e olhou para ela, saindo alguns minutos depois sem dizer nada.
L acabou o banho e começou a se vestir no quarto. Nesse momento, sempre conforme o seu depoimento, o avô, que estava em uma pequena sala anexa, invadiu o cômodo e a atacou. “Puxou-a bruscamente pelo braço e deitou-a na cama. Em seguida retirou toda a roupa da declarante (…), tendo depois tirado a própria roupa totalmente”.
A jovem diz ter ficado sem reação. “É certo que não chorou durante o ato, mas o fez após a saída de seu avô porque jamais esperava essa atitude do mesmo, o qual, logo após terminado o ato, determinou: ‘Isso deve ficar apenas entre nós dois’.”
No dia seguinte, segundo L, o delegado teria dado um novo celular de presente a ela e mais uma vez investido contra ela. “Seu avô novamente a teria apanhado pelo braço e a deitado na cama tentando tirar sua roupa, a declarante empurrou-o, deixando claro que não se submeteria novamente àquela empreitada, no que seu avô consentiu”.
Por 20 dias, L guardou segredo do que diz ter ocorrido no quarto do Termas. “Notei que ela estava agressiva e muito calada, mas não desconfiei de nada”, diz a mãe. Até que um dia, afirma, trancou-se no quarto da mãe e pegou a pistola do padrasto, que é PM, na penteadeira. Chegou a colocar o cano da arma na boca, mas nesse momento o padrasto arrombou a porta e lhe tirou a pistola das mãos. Foi quando contou a ele a à mãe o que havia ocorrido em Olímpia.
Irada, a mãe foi na companhia da filha até Itu pedir satisfações ao pai. Segundo depoimento dela à Corregedoria, o delegado “disse que tudo que falasse não iriam acreditar” e, voltando-se para a neta, teria dito “você vai falar que eu te peguei à força?”. Em seguida, a comerciante foi até a Corregedoria depor contra o pai delegado.
ALMOÇO EM CHURRASCARIA
Na segunda-feira, durante audiência do processo contra o delegado Moacir, toda a família da adolescente foi até a frente do Fórum de Olímpia protestar contra o delegado. Dr. Mendonça chegou ao local em uma caminhonete da Polícia Civil, escoltado por dois policiais.
Entretanto, antes, almoçou em uma churrascaria com os dois agentes que faziam sua escolta, o que foi motivo de protesto da advogada da menor, Andréia Cachuf Rodrigues do Nascimento. “Que prisão é essa?”, questionou. Ela pretende encaminhar representação à Corregedoria da Polícia Civil para que investigue o fato.
A expectativa era de que a sentença fosse proferida logo após audiência em que ele foi ouvido pelo juiz Eduardo Luiz de Abreu Costa. Mas os advogados de defesa do delegado solicitaram vista dos autos e o pedido foi aceito. Não há prazo para a sentença. “Só quero justiça”, afirma a mãe, vestida com camiseta preta estampada com a frase “Estupro é crime! A culpa nunca é da vítima. Não se cale. Denuncie!”
O delegado também é alvo de sindicância administrativa da Corregedoria da Polícia Civil. Nesse caso, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, a investigação ainda não foi concluída.
Não é a primeira polêmica envolvendo dr. Mendonça, candidato derrotado a vereador em Itu nas últimas eleições municipais. Em 2010, ele foi afastado do cargo de delegado titular do 1º DP de Salto depois que uma mulher foi assaltada dentro do prédio da delegacia, na frente dos policiais.
OUTRO LADO
Sandra Aparecida Ruzza, advogada do delegado Moacir Rodrigues de Mendonça, disse que não poderia se manifestar sobre o caso, sob a alegação de que a ação penal está em segredo de Justiça.
Após a audiência na última segunda-feira, Mendonça deixou o Fórum já dentro da caminhonete da Polícia Civil pela porta lateral. Não deu entrevista.
Porém, em depoimento no dia 10 de outubro de 2014, ao delegado Carlos Augusto Marinho Martins, da Delegacia Seccional de Sorocaba, Mendonça disse que inicialmente levaria sua outra filha e um neto criança ao Termas dos Laranjais, mas que LAMM teria reclamado por estar fora da lista, por isso ele decidiu levá-la no lugar dos outros dois.
Mendonça negou ter abusado sexualmente da neta. “Ela divertiu-se bastante, conforme postagens suas no Facebook. Não houve nenhum ato irregular meu com minha neta”, disse. Por isso, disse, ele estranhou quando a mãe de LAMM foi até Itu ameaçá-lo.
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