18 de abril | 2021

Delegado diz que pediu quebra de sigilo do autor do atentado terrorista contra a Folha

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DEU NO DIÁRIO DA REGIÂO!
Informação foi passada para o jornal de Rio
Preto, mas até agora não aparece no Inquérito.
Delegado afirmou que continua apurando se
há um ou mais mandantes do ataque que
provocou um incêndio na casa da
família do jornalista José
Antônio Arantes e na
redação do Jornal
Folha da Região

 

O Diário da Região de São José do Rio Preto, a­lém de a­bordar o tema em seu editorial na edição de domingo, 11, publicou ma­téria de página in­teira abordando o atentado sofrido pela Folha da Região e seu editor na madrugada do dia 17 de março.

Em matéria assinada pela jornalista Francela Pinheiro, o jornal informa que a polícia civil de Olím­pi­a pediu à justiça a quebra do sigilo bancário, telefônico e das redes sociais do bombeiro civil que confessou ser o autor do atentado contra a Folha da Regi­ão e à Rádio Cidade, por discordar da linha editorial do jornal.

E complementa: o ataque incendiário ocorreu na madrugada do dia 17 de março e atingiu também a residência do jornalista Jo­sé Antônio Arantes. A polícia apura se há mandantes no crime registrado como incêndio.

QUEBRA DE SIGILO

ATÉ DO GOOGLE

Na matéria, o jornal também coloca a posição da A­N­J – Associação Nacional do Jornais, que considerou o caso co­mo um atentado à liberdade de imprensa.

A investigação na Polícia Civil está com o delegado Marcelo Puppo de Paula. “Pedimos a quebra de sigilo do banco, do Facebook, de Whats­Ap­p, conta do Go­ogle e telefônico”, afirmou. O celular do suspeito não foi encontrado. “Ele disse que jogou no rio. Os mer­gulhadores (bombeiros) não encontraram”, disse.

Apesar do suspeito afirmar que agiu sozinho, Pup­po afirmou que o foco dos investigadores agora é descobrir quem planejou o atentado. “Pode ha­ver outros mandantes. Há uma eventual possibilidade de haver outros integrantes”.

PODE VIRAR TENTATIVA

DE  HOMICÍDIO

A investigação foi instaurada sobre crime de incêndio, cuja pena de prisão varia entre três e seis anos. “No pavimento superior (do jornal) era residência, daí poderia vis­lumbrar u­ma eventual tentativa de homicídio, embora ele a­firme desconhecer a moradia”. Nesse caso, a pena é de até 20 anos de prisão.

O delegado disse que o inquérito também pode concluir por crime de atentado contra a liberdade de expressão e contra a democracia. Não há prazo para conclusão da investigação. “Faltam algumas respostas. Posso ouvir o suspeito em outros interrogatórios”, disse. Enquanto isso, o bombeiro civil responde em liberdade. “A prisão preventiva não está descartada”, finalizou.

JÁ VINHA

SOFRENDO AMEAÇAS

As memórias do atentado viraram rotina para A­ran­tes, “há 22 dias eu durmo na sala da minha casa com o extintor ao lado. Há 22 dias minha ne­ta me pergunta se o homem vai voltar”, disse ao Diário, na quinta-feira, 8. Segundo Aran­tes, o atentado foi apenas o ápice das ameaças que ele e a família vinham sofrendo.

“Na sexta, uma pessoa perseguiu o carro da minha filha e do genro. Vou caminhar com a minha mãe e na volta o p­neu do carro está furado e com parafusos soltos. Na segunda falei sobre a manifestação sem máscara, invadiram o Facebook. Quando fui entrar no site do jornal, tinha sido atacado. Na quarta, o atentado”.

O jornalista questiona o em­penho da polícia e pede Justiça. “Vão passando os dias e não se descobre na­da. Se a gente não faz uma investigação paralela não tínhamos nem achado o a­utor. A liberdade de im­pren­sa foi atacada, não fui eu. Eu estou de vigia, mas isso vai acontecer com outros”, desabafou.

UMA

INTOLERÂNCIA FATAL

O diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, classificou o ataque à redação da Folha da Região e da Rádio Ci­dade de Olímpia como um atentado à liberdade de imprensa e de informação. “Esse caso ilustra bem o que es­ta­mos vivendo. Uma intolerância fatal”, disse.

Ataques como esse, segundo Pedreira, é o extremo do radicalismo de opiniões sobre fatos diversos expostas todos os dias nas redes sociais, com ofensas e xingamentos. “Esse extremo leva muitos a atribuírem ao jornalismo o que consideram errado. Cria um in­conformismo com a liberdade de informação”, analisou.

O diretor lembra que a imprensa e os jornalistas sempre foram alvos de crítica. “Já existia. Mas, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) imprime um autoritarismo que não entende a liberdade de expressão. Eles não se conformam com uma visão diferente, com a verdade dos fatos”, afirmou.

ISSO COLOCA A DEMO

CRACIA EM JOGO

O professor mestre em História da Unesp de Bau­ru, Ma­xi­miliano Martin Vi­cente, afirma que essa polarização ideológica, com conservadores de um lado e progressistas de o­utro, mi­na o debate, fundamental para a democra­cia.

“Is­so coloca a democracia em jo­go, não existe debate”, afirmou.

O desgaste emocional provocado pela pandemia e a facilidade de se expor ideias promovida pelas redes sociais são combustíveis para as divergências, segundo o professor. Democracia que o professor afirmou que vem por meio da liberdade de imprensa. “Isso é história. As pessoas têm que ter mais paciência e serem mais toleráveis, respeitar, e a definição da maioria é pelo voto e não a base da força”, afirmou.

E aos jornalistas cabe a tarefa de continuar cumprindo a missão, segundo Pedreira. “Pre­cisamos difundir mais a­queles que acreditam na liberdade de imprensa, de cidadania, e entender que isso é uma liberdade dos cidadãos”. A esperança está nos números de leituras, acessos, vi­sualiza­ções e audiências que mostram um aumento da procura por “ne­ws” e não por “fake”. “Isso é certamente o que muitos buscam”, concluiu Pedreira.

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