18 de maio | 2025

Estado propõe levar cultura às escolas para formar protagonistas no interior

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ECO FOI PALCO ESCUTA ATIVA REGIONAL!
Secretaria Estadual de Cultura quer usar escolas como centros de formação de agentes culturais. Evento na ECO reuniu representantes de vários municípios e apresentou o Projeto Guri como exemplo.

A escuta ativa promovida pela Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, em Olímpia, na quinta-feira, 15 de maio de 2025, mostrou que o protagonismo cultural pode nascer dentro das escolas. A ideia foi destacada após a apresentação de um diagnóstico local feito pela Secretaria Municipal de Cultura.

O evento, realizado na Estação Cultural de Olímpia (ECO), reuniu representantes de vários municípios e teve como foco ouvir e mapear as principais necessidades culturais das cidades do interior.

ENCONTRO DE GESTORES
E APOIO MUNICIPAL
Durante a programação, também foi realizado o Encontro Regional de Gestores, uma reunião técnica com limite de dois representantes por cidade, voltada à qualificação dos profissionais da cultura e à construção de propostas conjuntas para políticas públicas.

A ação contou com apoio da Prefeitura da Estância Turística de Olímpia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Defesa do Folclore.

DIAGNÓSTICO DE OLÍMPIA
SERVE DE MODELO
Um dos pontos altos da escuta foram os discursos da secretária municipal de Cultura de Olímpia, Priscila Forest, e do prefeito Geninho Zuliani. Eles destacaram o grande polo cultural que é Olímpia, baseado no folclore e na realização de seu principal evento, o Festival do Folclore, que chega à sua 61ª edição.

A secretária de Olímpia apresentou um mapeamento minucioso realizado no município, que identificou diversos nichos culturais — como grupos de Folia de Reis, artistas populares, músicos, artesãos e produtores independentes — e destacou que muitos deles ainda não têm espaço de desenvolvimento e formação adequados.

ESCOLAS COMO CENTROS CULTURAIS
A partir desse levantamento apresentado por Olímpia, a secretária estadual, após discorrer sobre os vários projetos existentes em sua secretaria e que podem abarcar Olímpia e cidades da região, defendeu que as escolas podem assumir o papel de centros culturais locais, principalmente em cidades pequenas, onde não é viável a construção de equipamentos específicos para cultura.

“A escola é, por natureza, um centro cultural em potencial. Se levarmos os projetos certos para dentro dela, conseguiremos despertar e formar os futuros agentes culturais principalmente no interior do Estado”, afirmou.

RECONHECIMENTO
DO GOVERNO ESTADUAL
A argumentação sensibilizou a secretária estadual Marília Marton, que participou pessoalmente do encontro. Ela reconheceu o grande polo cultural que é hoje o município de Olímpia e prometeu estudar formas de abarcar as reivindicações da Capital Nacional do Folclore.

Segundo Marton, “A política pública só é efetiva quando parte da realidade local. A escuta ativa serve para isso. E Olímpia, com seu mapeamento, mostrou um caminho possível para outras cidades”, declarou a secretária estadual.

PROTAGONISMO CULTURAL
COMO POLÍTICA PERMANENTE
A ideia central defendida pela secretária, no entanto, é a de que apenas por meio da união entre cultura e educação será possível criar os protagonistas culturais atuais e de um futuro próximo — jovens preparados para manter vivas as tradições e manifestações artísticas locais. Para isso, a secretária propõe que projetos como o Guri, já consolidados no estado, ganhem nova abordagem e sejam integrados ao ambiente escolar.

“O protagonismo só virá quando a criança e o adolescente entenderem que ela pode ser autora da sua própria história. E isso só acontece com contato real com a cultura desde cedo. A sala de aula pode ser o palco, o ateliê, a roda de conversa”, defendeu.

A proposta foi bem recebida pelos demais gestores presentes, muitos dos quais relataram desafios semelhantes em seus municípios.

O QUE É O PROJETO GURI
E COMO ELE SE INSERE NISSO
O Projeto Guri é uma das principais políticas públicas de formação cultural no estado de São Paulo. Criado em 1995 e hoje gerido pela organização Santa Marcelina Cultura, o programa oferece aulas de música no contraturno escolar para crianças e adolescentes, com mais de 500 polos em funcionamento.

Em 2025, o Guri completa 30 anos de atividades com a expansão da iniciativa “Guri nas Escolas”, que pretende integrar a formação musical diretamente à grade curricular em escolas estaduais. A meta é atingir 200 unidades escolares e impactar mais de 42 mil alunos até o final do ano. A proposta apresentada em Olímpia dialoga diretamente com essa expansão.

ESCUTA TAMBÉM
ABORDOU A LEI ALDIR BLANC
Além das discussões sobre protagonismo cultural nas escolas, a escuta ativa também teve como pauta a construção do Plano de Aplicação de Recursos (PAR) da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A metodologia utilizada foi o “Laboratório de Futuros”, uma dinâmica colaborativa voltada à criação conjunta de soluções e estratégias para o setor cultural.

A reunião serviu ainda para que os representantes municipais pudessem trocar experiências, identificar vocações regionais e apresentar projetos que podem receber recursos da PNAB, cuja segunda fase será operacionalizada ainda este ano. A presença da secretaria estadual foi considerada um marco na valorização das regiões periféricas no mapa da cultura paulista.

 

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