05 de abril | 2009

Folha entra no 30.º ano e reafirma compromisso só com os leitores

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O jornal Folha da Região completou no último dia três de abril o seu 29.º ano de circulação ininterrupta na comarca de Olímpia e entra no seu 30.º ano de existência. O seu editor e um dos fundadores do jornal, jornalista e advogado José Antônio Arantes, vê com tristeza o atual momento que vive a imprensa local, com a proliferação de um grande número de veículos que ou são meros panfletos ou são ligados umbilicalmente a grupos políticos.

A Folha, segundo Arantes, entra em seu 30.º ano reafirmando o seu compromisso com os seus leitores, inclusive, de ser com eles, o único compromisso estabelecido, o de buscar a retratação dos fatos sejam eles de quem for e buscando sempre se pautar pelo lema de que só é notícia na Folha quando o "homem morde o cachorro", pois quando o cachorro morde o homem, não faz mais que a obrigação, que é a de proteger o seu espaço e o seu dono.

O jornalista explica que esta figura de linguagem serve bem para exemplificar quando os "apaniguados" do poder cobram que se publique coisas boas e contesta: o jornal publica coisas boas sim, mas quando estas realmente são de interesse para todos os seus leitores, como um todo e não apenas para pequenas parcelas da população.

Exemplifica: "se o prefeito abrir a Aurora Forti Neves até depois da rodovia, ou mesmo quando iniciar, ou concretizar o projeto, será manchete de primeira página. Se conseguir trazer uma empresa que vá gerar mais de 1000 empregos, será manchete também.

Se concretizar sua promessa de levar a estação de tratamento de esgoto para após a rodovia terá destaque total. Agora, reformar pracinhas, trocar lâmpadas, coisas corriqueiras, assim como o cachorro que protege o dono, não está fazendo mais do que sua obrigação. Aliás, até as medidas de vulto também fazem parte de sua obrigação, no entanto, ai o que pesa é o interesse geral, pois pode influenciar a vida de toda uma população".

Quanto ao que os puxa-sacos chamam de jornalismo negativista cabe a pergunta: o aumento da taxa de lixo não afetou toda a população? As más-administrações sempre estampadas neste semanário não resultaram no estado de pobreza que a cidade hoje se encontra? É questão de interpretação.

No entanto, explicando o atual momento que a cidade atravessa no campo jornalístico, comenta que nos últimos anos a maioria dos veículos que foram surgindo e mesmo as emissoras de rádio AM, deixaram de lado os princípios básicos do jornalismo e passaram a servir direta e escancaradamente os grupos políticos aos quais estão ligadas.

O pico deste estado se deu nas últimas eleições, quando dezenas de processos deram entrada na justiça de grupos denunciando a falta de ética e de vergonha mesmo de um e de outro.

Mais tecnicamente, os veículos "comprometidos" da cidade deixaram de lado a missão de informar e passaram a construir um mundo virtual em que o dono ou o grupo de donos dos veículos passaram a ser transformados em mitos, em seres quase perfeitos e os oponentes em escória da humanidade.

E o pior é que passadas as eleições, a situação continuou. Então hoje, entendo que estamos vivendo uma era em que foi inaugurado uma nova forma de jornalismo: o "mintirismo".

Quanto a esta Folha, o jornalista garante que o compromisso estabelecido em 1980, quando após trabalhar por dois anos no Diário da Região, voltou para Olímpia e fundou a Folha da Região, tendo o respaldo do advogado Alfredo Baiochi Neto e a companhia de Orlando Costa (sócios-proprietários à época) continuará sendo perpetuado continuamente observando sempre as boas regras do jornalismo verificadas nas páginas deste jornal "até que a morte nos separe".

Parodiando uma antiga campanha da Folha de São Paulo, Arantes conclui: "a Folha da Região sempre teve e sempre terá o rabo preso só com o leitor".

 

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