23 de outubro | 2026

Hial pede cassação de Olmos após escândalo da “rachadinha”

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Vereador apresentou nova representação nesta sexta-feira (23), depois de ter denúncia anterior barrada pela Comissão de Ética. Pedido cita suspeitas de “rachadinha”, dados bancários, decisão judicial e decretação de prisão preventiva.

O vereador Otávio Augusto Hial voltou a pedir providências à Câmara Municipal de Olímpia que poderão resultar na cassação do mandato de Flávio Augusto Olmos (PP). A nova representação, protocolada nesta sexta-feira, 23 de outubro, ocorre pouco mais de dois meses depois de a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar ter considerado improcedente uma denúncia anterior envolvendo as mesmas suspeitas de “rachadinha”.

O novo pedido, registrado como Requerimento nº 768/2026, solicita expressamente a abertura de procedimento político-administrativo para apurar possível quebra de decoro e utilização do mandato para obtenção de vantagens indevidas. Hial sustenta que os elementos revelados pela Operação Caixa Frio, incluindo movimentações bancárias e decisões judiciais, justificam uma nova análise.

RELEMBRE: PRIMEIRA DENÚNCIA FOI BARRADA

Em 3 de agosto, Hial protocolou o Requerimento nº 534/2026, dirigido ao então vice-presidente da Câmara, Marcelo da Branca. Na ocasião, denunciou um suposto esquema de devolução de parte dos salários de servidores comissionados e solicitou a instauração de procedimento por quebra de ética e decoro parlamentar.

O documento foi acompanhado de fotografias de dinheiro, mensagens, extratos bancários e cópia da denúncia encaminhada ao Ministério Público. Hial também pediu o afastamento de Flávio da presidência e a aplicação das sanções cabíveis caso as irregularidades fossem comprovadas.

A denúncia passou pela Comissão de Ética, formada pelos vereadores Marco Antônio Parolim de Carvalho, o Marcão Coca, Gustavo Pimenta e Lucimara Batista, a Lucimara do Povão.

Durante a apuração, foram ouvidos Flávio, servidores, ex-servidores e outras testemunhas. A comissão também examinou documentos financeiros, fotografias, mensagens e áudios relacionados às acusações.

DOIS VOTOS BARRARAM O PROSSEGUIMENTO

Em 17 de agosto, a Comissão de Ética concluiu pela improcedência da denúncia, por considerar insuficientes os elementos apresentados para responsabilizar Flávio no âmbito político-administrativo.

Votaram pela improcedência Marcão Coca e Lucimara do Povão. O relator Gustavo Pimenta apresentou posição contrária, defendendo o prosseguimento da apuração e a abertura de uma comissão processante.

O resultado foi de dois votos a um, prevalecendo o entendimento de que as provas não demonstravam suficientemente que valores retirados por assessores haviam sido entregues a Flávio ou a pessoas que atuassem em seu benefício.

O relatório também considerou que fotografias, conversas e áudios não estabeleciam vínculo suficiente entre o vereador e os supostos repasses. Pessoas ouvidas pela comissão negaram ter sido obrigadas ou orientadas a devolver parcelas de seus salários.

Com a decisão majoritária, a denúncia foi considerada improcedente naquela etapa e não avançou para um processo de cassação julgado pelo plenário.

HIAL QUESTIONOU ARQUIVAMENTO

A decisão não encerrou a controvérsia. Em setembro, Hial voltou a procurar a Câmara, desta vez solicitando cópia integral do procedimento arquivado.

O objetivo declarado era examinar os fundamentos da decisão, depoimentos, documentos, atas e demais elementos reunidos pela Comissão de Ética, inclusive para verificar a regularidade do arquivamento.

A apuração criminal, entretanto, continuou independentemente da conclusão da comissão. A Polícia Civil e o Ministério Público prosseguiram com as investigações, que resultaram na Operação Caixa Frio, deflagrada em 15 de outubro.

NOVO PEDIDO APONTA PROVAS POSTERIORES

Na representação apresentada nesta sexta-feira, Hial sustenta que o cenário mudou depois das diligências policiais e do acesso a informações financeiras.

O documento destaca a decisão judicial de 8 de outubro, assinada pela juíza Luciana Conti Puia, que autorizou buscas e apreensões em endereços ligados aos investigados, inclusive no gabinete da presidência da Câmara.

Entre os elementos mencionados estão saques realizados por servidores em datas próximas ao recebimento dos salários, depósitos em dinheiro e cheques nas contas de Flávio, transferências entre investigados e pagamentos de boletos cuja destinação ainda depende de esclarecimento.

A investigação também utiliza informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações consideradas atípicas.

EX-ASSESSOR RELATOU COBRANÇA DE R$ 3 MIL

O requerimento reproduz informações de um ex-chefe de gabinete que declarou aos investigadores ter sido solicitado a entregar mensalmente R$ 3 mil a Flávio Olmos.

Segundo o depoimento, os valores seriam retirados após o pagamento dos salários, em saques de R$ 2 mil e R$ 1 mil, e entregues no gabinete da presidência ou em locais ligados à família do vereador.

O ex-servidor também mencionou supostas solicitações de dinheiro a fornecedores e constrangimentos no ambiente de trabalho.

Essas declarações integram a investigação e ainda dependem de comprovação e confronto com os demais elementos reunidos.

PREVENTIVA É CITADA NO DOCUMENTO

Outra novidade aparece na terceira página da representação. Hial afirma que, nesta sexta-feira, 23, foi requerida e decretada a prisão preventiva de Flávio Olmos.

O parlamentar pede que a Câmara solicite a íntegra do requerimento e da decisão judicial, além de informações atualizadas sobre a situação prisional do investigado.

Como o procedimento tramita sob segredo de justiça e a decisão não acompanha a representação, a reportagem ainda não conseguiu confirmar diretamente seus fundamentos e conteúdo.

ARQUIVAMENTO ANTERIOR SERÁ QUESTIONADO

Um dos pontos centrais do novo pedido é justamente a existência da decisão tomada pela Comissão de Ética em agosto.

Hial solicita que a Câmara junte integralmente o procedimento anterior e compare as provas então examinadas com os elementos obtidos posteriormente pela investigação criminal.

O requerimento destaca a necessidade de identificar quais informações são efetivamente novas, especialmente os dados bancários, a decisão judicial que autorizou as diligências e os documentos referentes à prisão preventiva.

A comparação é importante porque a nova representação deverá demonstrar os fundamentos que justificariam outra apuração, sem simplesmente repetir um julgamento já encerrado sobre os mesmos elementos.

LICENÇA NÃO IMPEDE APURAÇÃO

Flávio também apresentou, em 19 de outubro, renúncia ao cargo de presidente da Câmara e pedido de licença de 120 dias do mandato de vereador.

Hial ressalta que a renúncia se refere apenas à presidência, não ao mandato parlamentar. Também observa que o pedido de licença ainda depende de confirmação quanto à sua aprovação pela Câmara.

Na avaliação apresentada na representação, essas circunstâncias não impedem a investigação político-administrativa de condutas atribuídas ao vereador durante o exercício do mandato.

CASSAÇÃO DEPENDE DE PROCESSO

Hial solicita que a Mesa Diretora encaminhe a denúncia aos órgãos competentes e que, preenchidos os requisitos legais, seja instaurada uma comissão processante.

Também pede autorização judicial para o compartilhamento das provas da investigação criminal, respeitando o segredo de justiça, e a preservação dos documentos administrativos relacionados aos fatos.

O vereador requer ainda que sua condição de denunciante seja observada, ficando impedido de participar da votação sobre o recebimento da denúncia e de integrar eventual comissão processante.

A perda do mandato somente poderá ocorrer após o procedimento legal, com garantia de defesa e aprovação por dois terços dos integrantes da Câmara, em votação nominal.

NOVA DISPUTA NA CÂMARA

A representação coloca novamente o Legislativo diante das acusações que, em agosto, foram consideradas insuficientes pela maioria da Comissão de Ética.

A diferença é que, desta vez, o pedido chega depois de uma operação policial, da prisão temporária de quatro investigados, do acesso judicial a movimentações financeiras e da informação sobre uma nova medida de prisão contra Flávio.

Ainda não há decisão sobre o recebimento da representação ou a abertura de uma comissão processante.

A investigação criminal continua, e Flávio Olmos mantém o direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. A apresentação do pedido de cassação não representa comprovação das acusações nem perda automática do mandato.

 

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