27 de outubro | 2026
Hial relata ameaças após denunciar Olmos
Vereador afirma que recebeu telefonemas com ameaças à sua integridade física e à família depois de denunciar suspeitas de “rachadinha” na Câmara de Olímpia. Durante discurso, também fez declarações contundentes contra quem não o respeitar. Não apontou os autores das supostas intimidações.

Hial também relatou ter enfrentado perseguições, constrangimentos e ataques à sua imagem depois de levar as suspeitas ao Ministério Público. Entretanto, não identificou os responsáveis pelas supostas ameaças, não atribuiu diretamente os telefonemas a Flávio Olmos e não informou se registrou ocorrência policial específica sobre essas intimidações.
VEREADOR AFIRMA TER SIDO PERSEGUIDO
“Eu passei por momentos difíceis aqui dentro, sendo perseguido, sendo achincalhado, e a grande maioria dos vereadores aqui que frequentam esta Casa visualizaram isso”, declarou Hial, referindo-se ao período posterior à apresentação das denúncias.
O parlamentar afirmou que a situação ultrapassou as divergências políticas e atingiu sua família. “No começo da denúncia eu fui ameaçado, eu tive ligações a ameaçar a minha integridade e a da minha família”, disse. As declarações representam o relato do vereador, sem que tenham sido apresentados, durante o pronunciamento, elementos que permitam identificar os supostos responsáveis.
DENÚNCIA FOI REJEITADA EM AGOSTO
Hial relembrou que sua primeira representação sobre as suspeitas de devolução de salários de assessores não avançou na Comissão de Ética da Câmara. Protocolado em 3 de agosto, o Requerimento nº 534/2026 apresentava mensagens, fotografias, extratos bancários e informações de um ex-chefe de gabinete.
Em 17 de agosto, a comissão considerou a denúncia improcedente por dois votos a um. Marcão Coca e Lucimara do Povão entenderam que os elementos apresentados eram insuficientes para responsabilizar Flávio no âmbito parlamentar. Gustavo Pimenta defendeu o aprofundamento da apuração. Com o resultado, o procedimento foi arquivado, sem votação de cassação pelo plenário.
“ACORDEI COM TODO MUNDO NA CADEIA”
Ao comentar a Operação Caixa Frio, deflagrada pela Polícia Civil em 15 de outubro, Hial fez referência à mudança de cenário depois das prisões temporárias de Flávio Olmos e três assessores.
“Eu dormi de um dia para o outro como sendo um mentiroso, que fez uma denúncia infundada, e acordei com todo o mundo na cadeia”, afirmou.
A operação investiga suspeitas de peculato e associação criminosa relacionadas à possível devolução de parte dos salários de servidores comissionados. As prisões foram determinadas judicialmente no curso das investigações e não representam comprovação definitiva dos crimes.
HIAL TAMBÉM ADOTOU TOM DE CONFRONTO
Embora tenha afirmado que não pretende atacar familiares dos investigados, Hial utilizou expressões duras ao falar sobre sua própria reação diante de eventuais novas intimidações.
“Não, de forma nenhuma, vou aceitar qualquer coisa que chegue próximo da minha família. Porque, se chegar, eles não estão preparados para conhecer o Otávio Hial que muita gente conheceu”, declarou.
Em seguida, mencionou sua experiência na área policial e afirmou: “Eu, como polícia, ensinei a quem não me respeitasse a temer-me”. Concluiu dizendo que respeita os demais parlamentares, mas que “quem não me respeitar como vereador, infelizmente vai ter de me temer”.
As declarações foram feitas publicamente durante o pronunciamento e também integram o contexto do discurso. Embora Hial as tenha apresentado como uma advertência contra possíveis desrespeitos e intimidações, o tom adotado permite diferentes interpretações e não deve ser confundido com a comprovação das ameaças que afirma ter recebido.
VEREADOR DIZ NÃO COMEMORAR PRISÕES
Hial também afirmou que não sente satisfação com a prisão dos investigados, destacando as consequências para seus familiares.
“Fico feliz com isso? Não fico feliz. Eles também têm famílias que estão a sofrer com esse resultado”, declarou.
O vereador disse acreditar que cada pessoa deve responder pelos próprios atos, mas ressaltou que não pretende utilizar o episódio para atacar famílias ou alimentar ressentimentos.
NOVO PEDIDO DE CASSAÇÃO
Na sexta-feira, 23, Hial protocolou o Requerimento nº 768/2026, solicitando a abertura de procedimento que poderá resultar na cassação do mandato de Flávio Olmos. O novo pedido cita elementos da investigação policial, movimentações bancárias e decisões judiciais que não haviam sido integralmente examinados pela Comissão de Ética em agosto.
A apresentação da representação não significa que o processo de cassação tenha sido instaurado ou que o vereador denunciado tenha perdido o mandato. Eventual punição dependerá do procedimento legal, com direito à defesa e votação pelo plenário.
ACUSAÇÕES AINDA DEPENDEM DE APURAÇÃO
As suspeitas de “rachadinha” permanecem sob investigação criminal. Flávio Olmos e os demais investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência, independentemente das medidas cautelares determinadas pela Justiça.
Da mesma forma, as ameaças relatadas por Hial ainda carecem de esclarecimento quanto à autoria e às circunstâncias. O parlamentar não apresentou, no discurso, informações suficientes para estabelecer ligação entre os telefonemas e os investigados na Operação Caixa Frio.
O espaço permanece aberto para manifestação de Flávio Olmos, de sua defesa e de eventuais pessoas que venham a ser identificadas nas acusações apresentadas pelo vereador.
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