08 de fevereiro | 2026
Hino sertanejo ‘Boate Azul’ foi escrito por compositor nascido em Olímpia
Aparecido Tomás de Oliveira, natural do distrito de Baguaçu, é o autor da letra da música que se tornou o segundo hino mais tocado do Brasil

O que muitos não sabem é que um dos compositores, Aparecido Tomás de Oliveira, nasceu em Olímpia, no distrito de Baguaçu. Seus herdeiros hoje vivem em Rio Preto e resgatam a história do homem por trás dos versos que narram a “vida noturna”.
TRAJETÓRIA PARTIU
DO DISTRITO DE BAGUAÇU
Nascido em 15 de março de 1945, Tomás dedicou a vida à composição. Embora tenha vivido a maior parte do tempo em São Paulo, sua alma permaneceu sertaneja, gravando seis discos de vinil ao longo da carreira.
Ele formou duplas como Tomás e Timóteo, Tomás e Tony César e Scott e Smith. O artista se apresentava em palcos improvisados sobre caminhões e sob lonas de circos itinerantes, levando sua arte pelo interior.
PROCESSO CRIATIVO ERA PECULIAR
Tomás era o letrista da parceria com o melodista Benedito Seviero, o Cido. Seu processo de criação era quase matemático: ele começava as músicas pelo final, fazia o meio e só então desenvolvia o começo.
Sobre a música que virou hino, existem muitos mitos na internet, como um suposto episódio em Apucarana com o papa João 23. A família desmente as lendas e afirma que a versão não corresponde à realidade.
VERDADE SOBRE A ORIGEM DA LETRA
A própria Editora Fortuna confirma que a canção nasceu de pedaços levados por Cido e concluídos por Tomás. Como era o letrista oficial da parceria, foi o olimpiense quem deu a forma final aos versos famosos.
A música, no entanto, enfrentou a censura da ditadura militar logo que foi escrita. Por causa da repressão da época, a composição ficou guardada por um longo período sem poder ser divulgada ao grande público.
CENSURA E O SUCESSO TARDIO
A letra nunca foi alterada, mas a primeira gravação oficial só aconteceu em 1985, pela dupla Joaquim e Manuel. Infelizmente, Tomás morreu em 1989, aos 44 anos, vítima de pneumonia dupla após shows no frio de São Paulo.
O autor não chegou a ver o estouro nacional de sua obra, que aconteceu por volta de 1990. Hoje, a canção já foi gravada por mais de 450 duplas, incluindo astros como Bruno & Marrone e Matogrosso & Mathias.
LEGADO E HOMENAGEM EM FAMÍLIA
Após a morte do compositor, a esposa Adiner e os filhos Marcelo e Fernando mudaram-se para Rio Preto. O catálogo, que inclui sucessos como “Som de Cristal”, segue gerando direitos autorais para os herdeiros e netos.
Em 2021, o filho Fernando tatuou a capa do álbum de 1974 do pai como homenagem. Mesmo nos bastidores e partindo cedo, o olimpiense de Baguaçu escreveu alguns dos versos mais cantados da história do país.
(fonte: Diário da Região)
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