13 de setembro | 2026

Iquegami detalha mudanças na Saúde e admite gargalos em remédios e cirurgias

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Secretário afirma que primeiro atendimento na UPA ocorre em cerca de 45 minutos, anuncia digitalização das agendas e ampliação de 70% da unidade. Ouvintes relataram falta de sertralina, demora em exames, filas cirúrgicas e ausência de pediatras em postos.

O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Márcio Iquegami, participou de duas entrevistas ao vivo no programa Pod Pai e Filha, da Rádio Cidade, na terça-feira, 8, e na quinta-feira, 10. Ao longo dos programas, apresentou números da rede, anunciou mudanças no sistema de agendamento e respondeu a reclamações enviadas por ouvintes.

As perguntas mostraram que, apesar das medidas anunciadas, permanecem problemas relacionados à falta pontual de medicamentos, demora em exames e cirurgias, transporte de pacientes e ausência de pediatras em algumas unidades. Iquegami atribuiu parte das dificuldades às filas estaduais, à falta de profissionais e a atrasos de fornecedores.

UPA TEM MENOS ATENDIMENTOS, SEGUNDO SECRETÁRIO

Iquegami afirmou que o tempo entre a chegada do paciente à UPA e o primeiro atendimento médico está em torno de 45 minutos. Segundo ele, pacientes que antes permaneciam três ou quatro dias esperando transferência para a Santa Casa agora não ficariam mais de 12 horas na unidade.

O movimento mensal, conforme os dados citados, caiu de uma faixa entre 7,5 mil e 7,8 mil atendimentos para média próxima de 6,2 mil. A redução teria ocorrido após a abertura de três unidades básicas até as 20 horas e a implantação da TeleUPA, que registra entre 1,2 mil e 1,3 mil atendimentos mensais.

AGENDAMENTO DEVE MIGRAR PARA SISTEMA DIGITAL

O secretário anunciou que o agendamento de consultas deverá ser informatizado e feito pelo Conecta+ Olímpia. A proposta é integrar UBS, UPA, teleatendimento e Central de Regulação. Ele reconheceu que idosos podem enfrentar dificuldades e disse que a mudança será gradual, com implantação de internet gratuita nas unidades.

Nas UBS, a falta às consultas estaria em torno de 12%. Nas especialidades, chegaria a mais de 22%, o equivalente a aproximadamente uma ausência a cada cinco horários. Iquegami disse que pretende reduzir a espera dos especialistas, atualmente entre 30 e 45 dias, para 15 a 20 dias, e manter as consultas das UBS em até dez dias.

ALTA COMPLEXIDADE CONTINUA FORA DE OLÍMPIA

As maiores esperas estão, segundo o secretário, nas cirurgias e consultas de alta complexidade encaminhadas para Barretos. Entram nessa situação neurocirurgias, procedimentos cardíacos e próteses de joelho ou quadril. Ele reconheceu que algumas filas duram anos e afirmou que o município não controla diretamente a quantidade de vagas oferecidas pelo Estado.

O problema também atinge a pediatria. Iquegami informou que Olímpia perdeu dois pediatras durante o ano e que apenas três profissionais se inscreveram no concurso em andamento. Enquanto não há contratação, médicos estão sendo redistribuídos para cobrir unidades como as da Cohab I e do Jardim Tropical.

TRANSPORTE FEZ 5.668 VIAGENS EM AGOSTO

Ao responder à reclamação sobre falta de ambulância, o secretário disse que a Saúde realizou 3.821 viagens dentro do município e 1.847 deslocamentos intermunicipais em agosto, totalizando 5.668 transportes. Segundo ele, a frota destinada ao serviço possui 27 veículos, incluindo ambulâncias e outros carros da Saúde.

Iquegami afirmou que o transporte sanitário depende de indicação médica e deve ser reservado a pacientes que realmente não tenham condições de deslocamento comum. Disse ainda que ambulâncias não devem ser utilizadas para visitas a familiares internados. O uso de carros de aplicativo para determinados pacientes foi retomado após nova licitação.

FALTA DE SERTRALINA FOI QUESTIONADA

Uma ouvinte relatou estar havia três meses sem conseguir retirar sertralina, medicamento utilizado em tratamentos de depressão e ansiedade. Iquegami admitiu que atrasos de fornecedores podem deixar alguns produtos indisponíveis por períodos de 30 a 60 dias. Disse que verificaria o caso e afirmou acreditar que o fornecimento já estivesse normalizado.

O secretário informou que as licitações passaram a prever consumo para 12 meses, em vez de períodos menores, para permitir reação diante de atrasos. A Prefeitura também estuda a possibilidade de comprar medicamentos emergencialmente em farmácias da cidade, mas a medida ainda depende de análise jurídica e dos órgãos de controle.

SAÚDE MENTAL E VACINAÇÃO PREOCUPAM

Na saúde mental, Iquegami informou que a rede conta com cinco profissionais de psiquiatria e aproximadamente 14 ou 15 psicólogos. O fluxo explicado por ele prevê atendimento inicial nas unidades básicas, encaminhamento aos especialistas nos casos agudos e retorno ao médico da família depois da estabilização.

O secretário classificou o aumento da depressão e da ansiedade, inclusive entre crianças e adolescentes, como um problema crescente. Também afirmou que a cobertura vacinal local estaria em torno de 50%, quando deveria superar 90%, e citou crianças e idosos entre os grupos com menor adesão. Para ele, a baixa vacinação amplia riscos de retorno de doenças e de formas graves de infecções.

AMPLIAÇÃO DA UPA É PREVISTA PARA 2027

Entre os anúncios, Iquegami disse que a UPA será ampliada em aproximadamente 70%, passando de 1,2 mil para quase 2 mil metros quadrados. O projeto prevê entrada e ala separadas para crianças, nova recepção, enfermaria para observação de até 24 horas e reforma dos espaços atuais.

A estimativa apresentada é de investimento entre R$ 5 milhões e R$ 5,5 milhões. A previsão do secretário é concluir a licitação até o fim de 2026 e iniciar a obra no começo de 2027, sem interromper o funcionamento. Ele informou ainda que a ampliação da Santa Casa, estimada em R$ 29 milhões, elevará os leitos de 84 para 150.

OUVINTES RELATARAM ESPERAS PROLONGADAS

Durante o segundo programa, ouvintes relataram quase um ano de espera por endoscopia, dois ou três anos por cirurgias de joelho e demora para procedimentos de túnel do carpo. Iquegami disse que precisaria receber os nomes para examinar cada situação e diferenciou as filas municipais daquelas administradas pelo Estado.

Segundo ele, a Santa Casa ainda não possui capacidade para ampliar cirurgias eletivas sem comprometer vagas de urgência. A intenção declarada é oferecer mais procedimentos de ortopedia, otorrinolaringologia e urologia após a expansão do hospital. Até lá, parte considerável da demanda continuará dependente das vagas regionais e estaduais.

 

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