05 de novembro | 2013
Jovem olimpiense recebe fígado de doador que teve morte cerebral em Diadema



“A minha fé move moinhos. A gente sempre esperou esse momento”, diz a irmã Queli Perpétua de Lima, que passou a segunda-feira vestida em camiseta branca, com uma enorme imagem de Nossa Senhora Aparecida bordada na frente do peito.
Queli tem certeza de que a santa trouxe o fígado de tão longe para sua irmã. “Há sete anos fiz a promessa em Aparecida e, no final de semana passado eu voltei lá. O presente chegou rápido. Só tenho a agradecer essa família”, afirma.
O doador da sua nova vida era um jovem de 24 anos, morador de Diadema, que teve paralisia cerebral e morreu na madrugada da segunda-feira e teve os órgãos doados pela família. Às 7 horas a equipe médica do Hospital de Base telefonou avisando Tamiris, que mora em Olímpia e acabava de acordar. “Ela manteve o jejum da noite e veio correndo”, conta a irmã, moradora de Rio Preto. O órgão foi encaminhado pela Central de Transplantes, que funciona em São Paulo.
Desde às 8h30, Tamiris, o marido e a irmã se preparavam para a cirurgia no Hospital de Base. O fígado foi captado por uma equipe médica do Hospital Bandeirantes, em São Paulo, saiu da Capital por volta das 13h30, em um avião turbo hélice, e chegou em Rio Preto por volta das 14h45, na base aérea da Polícia Militar. Por lá, um motorista do HB aguardava para levar o órgão até o hospital.
Tamiris é portadora da Doença de Wilson, que acumula em órgãos e tecidos, principalmente fígado e cérebro. Desde os 16 anos, a jovem não sabe o que é comer aquilo que tem vontade e passear longe de casa. “A primeira coisa que eu quero fazer é levá-la para o Rio de Janeiro, para conhecer a praia. Ela também vai poder comer tudo o que quiser. Hoje, tudo o que ela pode de sal é uma tampinha de caneta. Não pode comer o que as pessoas da mesma idade comem”, relata Queli.
Nesses dez anos de espera, Tamiris foi internada e teve altas de se perder as contas. Chegou a abandonar o tratamento. “Ela ficava muito revoltada”. Parou os estudos e não trabalha, pelo corpo debilitado. Há dois anos, retornou para o acompanhamento no Hospital de Base e a fazer parte da fila de espera por transplantes. “A hora dela chegou!”, comemorou a irmã.
O médico Renato Silva, responsável pelo transplante, explicou, antes de entrar no centro cirúrgico, que Tamiris é portadora de uma doença complexa, mas se mostrou otimista quanto ao procedimento. “A equipe está empenhada”.
Pouco antes das 22 horas Queli falou com a reportagem do Diário e confirmou que o procedimento tinha terminado. “Deu certo, deu certo”, disse ela.
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