10 de junho | 2025

Liberação de motorista embriagado que matou dois jovens em Olímpia revolta famílias das vítimas

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Homem de 65 anos pagou fiança de R$ 7 mil e foi solto antes mesmo do velório dos jovens mortos no acidente.

Da TV Record Rio Preto – A decisão judicial que liberou o motorista de 65 anos responsável pela morte de dois jovens em um grave acidente na rodovia Armando Sales de Oliveira, entre Guaraci e Olímpia, no inicio de junho, gerou profunda revolta entre os familiares das vítimas.

O homem, que estava embriagado no momento do acidente, foi solto após pagar fiança de R$ 7 mil, enquanto as famílias ainda viviam o luto pela perda de Paulo Henrique Garcia Júnior, de 21 anos, e William Henrique Bergamin de Almeida, de 27 anos.

O acidente ocorreu quando o motorista da caminhonete tentou realizar uma ultrapassagem em local proibido e atingiu violentamente a motocicleta onde estavam os dois jovens.

Segundo testemunhas, a caminhonete trafegava em alta velocidade no momento da colisão. O teste do bafômetro confirmou 61% de álcool no sangue do condutor, caracterizando embriaguez ao volante.

FAMÍLIAS PRESENCIARAM
CENA TRAUMÁTICA NO LOCAL DO ACIDENTE

Os familiares das vítimas chegaram ao local do acidente poucos minutos após a colisão e presenciaram cenas traumáticas. O pai de um dos jovens relata que saiu da festa de aniversário cerca de cinco minutos depois dos filhos e encontrou a motocicleta destruída. “Quando eu cheguei no local, eu já vi aquela coisa mais feia do mundo. Eu vi a moto e na hora eu nem imaginava”, conta emocionado.

Márcia, mãe de Paulo Henrique, descreve os últimos momentos com o filho: “Quando eu vi o meu genro naquela situação, falei assim: se o meu genro tá nessa situação, meu filho tá em pedaço também. Saí gritando, gritando. Ele teve força de falar: mãe, eu tô aqui, mãe, eu tô bem. Foi lá onde ele tava, cheguei lá: mãe, eu tô bem, não chora não, eu te amo.”

MOTORISTA FOI LIBERADO
ANTES DO VELÓRIO DAS VÍTIMAS

O que mais revoltou as famílias foi o fato de o motorista responsável pelo acidente ter sido liberado antes mesmo do término dos funerais.

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que foi concedida liberdade provisória mediante pagamento de fiança e cumprimento de medidas cautelares, incluindo a suspensão do direito de dirigir e apreensão da CNH.

“O que mais tá me revoltando é que eu nem tinha enterrado meu filho, ele já tá na rua”, desabafa um dos familiares.

O valor da fiança, de R$ 7 mil, foi considerado irrisório pelas famílias. “A vida do meu filho, do meu genro vale seis mil e quinhentos real? Vale uma vida?”, questiona um parente das vítimas.

VÍTIMAS DEIXARAM
ESPOSAS E FILHOS PEQUENOS

Paulo Henrique Garcia Júnior, mecânico de 21 anos, deixou esposa e um filho de apenas três anos. Já William Henrique Bergamin de Almeida, de 27 anos, que trabalhava como auxiliar, deixou mulher e dois filhos, incluindo uma menina autista de sete anos e um bebê de apenas dois meses.

A família relata o sofrimento das crianças pela ausência dos pais.

“A minha menina tá desinquieta, ela entra no quarto pedindo por ele. Essa semana ela não tava conseguindo comer. A minha cunhada teve que dar uma foto dele pra ela, e aí foi a hora que ela comeu, foi a hora que ela dormiu”, conta uma familiar.

CASO PODE SER RECLASSIFICADO
PELO MINISTÉRIO PÚBLICO

O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor com embriaguez ao volante. No entanto, segundo especialistas jurídicos, a denúncia ainda pode ser oferecida ao Ministério Público, onde há possibilidade de reclassificação do crime por dolo eventual.

“O fato dele estar embriagado, ou seja, com a alteração da capacidade psicomotora, é um caso de aumento de pena. A denúncia pode ser oferecida pelo Ministério Público até por um suposto dolo eventual, e ele deixar de ser processado pelo artigo 302 do CTB e sim ser processado pelo artigo 121, por conta do dolo eventual. Isso pode até acarretar dele ser julgado pelo júri”, explica especialista em direito penal.

FAMÍLIAS PEDEM MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO

As famílias das vítimas pedem justiça e mudanças na legislação sobre embriaguez ao volante. “Fala que é lei seca, que se beber, não dirija, que não tem fiança. Como que ele pagou sete mil real de fiança e saiu da cadeia?”, questiona um familiar.

“A partir do momento que você sabe que se beber é crime, se você sabe por lei que não pode, sabe que um carro com uma pessoa alcoolizada vira uma arma, a pessoa não tem que tá em liberdade”, completa outro parente das vítimas, pedindo que a lei seja cumprida com mais rigor para evitar novas tragédias como esta que devastou duas famílias na região de Olímpia.

 

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