30 de março | 2025

Manifestação de vereador levanta suspeita sobre votação antecipadamente combinada

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JÁ ESTAVA TUDO ACERTADO?  
Gustavo Pimenta afirmou taxativamente que protestos não mudariam o resultado da votação. Fala do vereador, somada à rejeição do pedido de retirada dos projetos e aprovação unânime, levantou dúvidas entre servidores sobre a real independência do Legislativo e o espaço para participação democrática no processo.

A sessão da Câmara Municipal de Olímpia da última segunda-feira, 25, continua repercutindo entre os servidores públicos e a população. Além do tumulto causado pelos discursos exaltados, uma fala do vereador Gustavo Pimenta (União Brasil), líder do prefeito Geninho Zuliani, levantou suspeitas de que o resultado da votação do reajuste salarial já estaria definido antes mesmo da discussão no plenário e que a atual Câmara, como a da legislatura anterior, continuaria a ser mera carimbadora de determinações do executivo.

Durante sua fala na tribuna, Pimenta declarou: “Agora, vir pressionar no dia da votação, lotar o plenário pra tentar mudar o voto, isso não funciona. O projeto vai ser votado e vai ser aprovado.” A frase foi interpretada por muitos servidores, que estavam ali para conseguir o adiamento da votação, para dar tempo para ampliar a negociação, como uma confirmação de que os votos já estariam combinados.

DECLARAÇÃO É VISTA
COMO CONFISSÃO DE ACORDO PRÉVIO

Embora o vereador não tenha afirmado diretamente que houve um acordo, sua convicção sobre o resultado, mesmo diante da mobilização popular, foi suficiente para gerar questionamentos. Para os manifestantes, a declaração demonstra que a decisão já havia sido tomada nos bastidores e que a votação se tratou apenas de uma formalidade.

“O vereador praticamente disse que não adiantava protestar, porque tudo já estava resolvido. Isso anula o papel da população e do próprio sindicato”, comentou uma servidora da educação presente no plenário.

PEDIDO DE RETIRADA
FOI IGNORADO PELA CÂMARA

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais protocolou, antes da sessão, um pedido formal para que os projetos fossem retirados da pauta, a fim de que as negociações com o Executivo pudessem prosseguir. A proposta de reajuste de 5,5%, auxílio de R$ 600 e gratificação de R$ 100 por assiduidade havia sido rejeitada por unanimidade pela categoria em assembleia no dia 20 de março.

Mesmo com o pedido oficial e com a presença maciça dos servidores no plenário, os vereadores decidiram manter os três projetos em pauta e votá-los de forma conjunta, sem alterações. Os textos foram aprovados por unanimidade pelos presentes em bloco, certamente para evitar mais manifestação da plateia.

VOTAÇÃO UNÂNIME
REFORÇA DESCONFIANÇA ENTRE SERVIDORES

O resultado da votação, aliado à fala de Pimenta, reforçou a percepção entre os servidores de que a Câmara agiu de forma alinhada e subserviente ao Executivo, sem considerar a opinião da categoria mais diretamente afetada. “Estava tudo decidido. Fomos lá apenas assistir ao que já estava combinado acontecer”, resumiu um dos servidores.

Para lideranças sindicais, a falta de diálogo e a rigidez da postura dos vereadores revelam um distanciamento da função de representação popular. “A Câmara deveria ser o espaço do debate. Mas o que vimos foi uma imposição. Nenhuma fala nossa foi considerada”, afirmou Jesus Buzzo, presidente do sindicato.

PRÓXIMAS SESSÕES
DEVEM TER NOVAS MANIFESTAÇÕES

Diante do ocorrido, o sindicato anunciou que deve organizar novas ações e acompanhar de perto as próximas sessões legislativas. Entre as possibilidades estão o uso da Tribuna Livre para apresentar a versão dos servidores e, eventualmente, ações judiciais contra dispositivos específicos dos projetos aprovados.

A principal reclamação segue sendo a falta de abertura para negociação e o fechamento do Legislativo à participação da sociedade. “Não queremos confronto, queremos diálogo. Mas quando tudo já chega decidido, só nos resta protestar”, concluiu Buzzo.

 

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