27 de setembro | 2026

Morador diz que PM entrou em sua casa procurando outro homem e relata ofensas durante abordagem

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Paulo Henrique Evangelista do Carmo afirma que policiais entraram sem se anunciar, recusaram inicialmente mostrar o mandado e o ofenderam antes de ele se exaltar.

Uma abordagem da Polícia Militar para cumprimento de mandado de prisão contra um homem que morava nos fundos de um imóvel terminou em discussão e na condução por desacato do morador da casa da frente, no Parque Residencial Vitório Parolin, em Olímpia.

Paulo Henrique Evangelista do Carmo afirma que os policiais entraram em sua residência armados, sem anunciar previamente a presença, e que somente depois percebeu que o mandado era destinado a outra pessoa.

Um vídeo da ocorrência mostra Paulo exaltado, falando em voz alta e discutindo com policiais dentro da residência. As imagens, entretanto, começam quando a abordagem já estava em andamento e não registram a chegada da equipe, a entrada dos agentes nem a conversa inicial. Paulo afirma que começou a abordagem de forma calma e que só elevou o tom depois de ouvir palavrões e expressões ofensivas dos policiais.

MORADOR DIZ QUE PM ENTROU SEM SE ANUNCIAR

Segundo Paulo, ele estava na cozinha lavando um copo e sua esposa tomava banho quando percebeu policiais no interior da residência. Afirma que não ouviu batidas no portão, chamados ou anúncio de que se tratava da Polícia Militar antes da entrada.

Ele diz que perguntou o motivo da presença dos agentes e recebeu como resposta que havia um mandado de prisão. Paulo afirma que imediatamente disse acreditar que existia algum engano e pediu para conferir o documento.

DIZ QUE SÓ SE EXALTOU DEPOIS DE OFENSAS

De acordo com sua versão, inicialmente os policiais teriam se recusado a apresentar o mandado. Paulo sustenta ainda que ouviu palavrões e expressões como “se ferrar”, passando somente depois disso a responder em tom mais alto.

Ele admite que ficou nervoso e discutiu com os agentes. Segundo Paulo, porém, o vídeo registra apenas a reação ao que teria ocorrido anteriormente.

MANDADO ERA PARA MORADOR DOS FUNDOS

Um ponto objetivo da ocorrência é que Paulo não era a pessoa procurada no mandado. O homem procurado pela Justiça residia no imóvel dos fundos, enquanto Paulo mora na casa da frente.

Segundo ele, existem duas residências distintas no local, identificadas como nº 6 da frente e nº 6 dos fundos, com acessos separados. A mesma numeração pode ter contribuído para uma eventual confusão inicial, embora Paulo sustente que placas e a disposição dos portões permitiam identificar que se tratava de duas casas.

NOME NO DOCUMENTO ERA DE OUTRA PESSOA

Paulo afirma que conseguiu verificar o mandado ainda durante a abordagem e constatou que nele constava o nome de outro homem. Diz também ter apresentado seu documento de identificação aos policiais.

Segundo sua versão, nesse momento os agentes já sabiam que ele não era o procurado. Mesmo assim, a discussão prosseguiu e terminou com sua condução à delegacia por desacato. Paulo afirma que não agrediu fisicamente nenhum policial, mas reconhece ter respondido verbalmente às ofensas que diz ter recebido.

PROCURADO JÁ ESTARIA NA DELEGACIA

Paulo afirma ainda que o homem procurado já teria se apresentado e teria recebido voz de prisão em uma delegacia enquanto os policiais ainda permaneciam em sua residência.

Essa informação, entretanto, ainda precisa ser confirmada por registros oficiais de horário.

ESPOSA ESTAVA TOMANDO BANHO

O morador afirma também que sua esposa estava tomando banho quando os policiais entraram. Segundo ele, durante a confusão, um agente teria segurado o braço dela e colocado para trás.

Paulo afirma que a presença inesperada dos agentes dentro da casa e a situação envolvendo a esposa contribuíram para seu estado de nervosismo.

VÍDEO MOSTRA DISCUSSÃO JÁ EM ANDAMENTO

Nas imagens, Paulo aparece questionando os policiais e exigindo que deixem a residência. Em determinado momento, usa a casa de um dos agentes como comparação e pergunta como ele reagiria se alguém entrasse daquela maneira em sua residência.

A ocorrência teve novo capítulo no dia seguinte, quando policiais militares retornaram ao conjunto de residências. Paulo afirma que uma vizinha teria presenciado agentes rompendo um cadeado para entrar em um dos imóveis.

Segundo ele, o cadeado e a corrente teriam desaparecido posteriormente.

CÂMERA TEVE FIOS CORTADOS

Depois da nova movimentação policial no endereço, moradores perceberam que uma câmera de monitoramento havia deixado de funcionar. Segundo registro feito posteriormente, os fios do equipamento estavam cortados e o cartão de memória não estava mais no aparelho.

Paulo suspeita que o dano possa estar relacionado à passagem dos policiais porque acredita que a câmera poderia ter registrado parte dos acontecimentos. A autoria, porém, não foi determinada. Até o momento, não existe prova que identifique quem cortou os fios ou retirou o cartão de memória.

CASO FOI LEVADO AO MINISTÉRIO PÚBLICO

Paulo também levou sua versão dos fatos ao Ministério Público e pede que a abordagem seja apurada. Além das questões envolvendo a entrada na residência e a discussão, ele afirma ter sofrido agressões durante a ocorrência.

Ainda precisam ser esclarecidos, porém, se os policiais anunciaram a presença antes de entrar, quando perceberam que Paulo não era o procurado, quem iniciou as ofensas, se o verdadeiro alvo do mandado já estava detido naquele momento, se houve uso excessivo da força e o que ocorreu durante o retorno da PM no dia seguinte.

DÚVIDAS QUE PRECISAM SER SANADAS

Também permanece sem autoria definida o dano à câmera de segurança. A reconstrução completa dependerá do confronto entre boletins, mandado judicial, horários dos registros policiais, depoimentos, imagens disponíveis, testemunhas e a versão dos próprios agentes envolvidos.

O material existente até agora mostra que houve uma abordagem destinada a outro homem que terminou em confronto verbal e condução de um morador que não era o alvo do mandado.

O que ainda precisa ser apurado é como essa abordagem começou, por que prosseguiu depois da identificação do morador e se houve excessos de qualquer dos envolvidos.

 

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