27 de setembro | 2026

Morte de criança levada a Barretos reacende críticas à UPA de Olímpia

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Luiz Otávio, de 6 anos, morreu na Santa Casa de Barretos, onde estava internado em cuidados intensivos após passar pela UPA. Assessoria ressalta que a criança não morreu na UPA e afirma que causa da morte e procedimentos adotados serão apurados.

A morte de Luiz Otávio, de apenas 6 anos, depois de ser transferido de Olímpia para a Santa Casa de Barretos, provocou forte comoção e abriu uma nova discussão nas redes sociais sobre o atendimento prestado pela UPA de Olímpia. Em meio a centenas de mensagens de solidariedade à família, moradores começaram a publicar experiências próprias, algumas delas com críticas à triagem, diagnóstico e estrutura da unidade.

O que se sabe oficialmente até agora, porém, exige cautela. Luiz Otávio não morreu na UPA de Olímpia. Segundo as informações até o começo da noite de quinta-feira, ele passou pela unidade no último dia 20, apresentava alterações consideradas graves e foi encaminhado para Barretos, onde permaneceu sob cuidados intensivos e morreu posteriormente. A causa da morte e os procedimentos realizados durante o atendimento ainda serão apurados.

CRIANÇA FOI TRANSFERIDA PARA BARRETOS

A informação inicial divulgada sobre o caso confirma que o menino chegou a ser atendido em Olímpia e posteriormente encaminhado à unidade de referência. Não há, no material disponível até o momento, laudo, prontuário médico ou conclusão técnica que permita estabelecer relação entre algum procedimento realizado na UPA e a morte da criança.

Essa distinção é importante diante da repercussão que o caso ganhou. Publicações nas redes passaram a levantar hipóteses de falha e até negligência, mas não existe, até agora, conclusão oficial nesse sentido. A própria administração municipal informa que pretende apurar a causa da morte e todo o atendimento realizado.

COMOÇÃO VIROU TAMBÉM COBRANÇA

Grande parte das manifestações foi de pesar. Professores, conhecidos e moradores descreveram Luiz Otávio como uma criança querida e deixaram mensagens de apoio aos pais. Uma pessoa que afirmou ter dado aulas na sala do menino o descreveu como “uma criança gentil e educada”.

Ao mesmo tempo, a publicação tornou-se espaço para reclamações sobre a UPA. Uma moradora escreveu que sente cada vez mais “medo” de procurar a unidade diante de experiências que considera negativas.

Outra internauta afirmou: “Eu tenho medo de ir na UPA”, reclamando que, em sua avaliação, pacientes recebem medicamentos sem que o diagnóstico esteja suficientemente esclarecido.

Os comentários são relatos pessoais e não comprovam falha no atendimento de Luiz Otávio, mas mostram que a morte trouxe à tona uma insatisfação que já existia entre parte dos usuários.

MÃE RELATA EXPERIÊNCIAS COM DOIS FILHOS

Um dos depoimentos mais detalhados foi publicado por uma mãe que afirmou já ter enfrentado problemas em duas ocasiões diferentes. No primeiro episódio, conta que levou a filha à UPA com febre alta e bastante debilitada. Segundo ela, a criança recebeu inicialmente pulseira azul e permaneceu aguardando até que uma conhecida cobrasse nova avaliação.

A mulher afirma que, posteriormente, foi realizado exame de sangue e que o pediatra assumiu o atendimento, iniciou medicação e chegou a discutir a possibilidade de internação.

Ela diz que preferiu levar a menina para casa e assumiu a responsabilidade de continuar o tratamento. O início desse relato também aparece entre os comentários reunidos após a morte de Luiz Otávio.

OUTRO FILHO TERIA RECEBIDO DIAGNÓSTICOS DIFERENTES

No mesmo comentário, a mãe relata uma segunda situação, desta vez envolvendo seu bebê, que tinha cerca de um mês de vida. Segundo ela, após um raio-X realizado em Olímpia, a família teria sido informada de que o bebê estava com bronquiolite. No dia seguinte, depois de nova avaliação pelo pediatra, a criança teria sido encaminhada a Barretos por apresentar dificuldade respiratória.

A internauta afirma que, no atendimento em Barretos, foram realizados testes para diferentes vírus e que o resultado teria indicado influenza, além de um novo raio-X que, segundo ela, não apresentaria alteração pulmonar.

Ela também relata ter ouvido críticas de profissionais de Barretos à qualidade do equipamento disponível em Olímpia.

A reportagem não teve acesso aos exames, prontuários ou manifestação dos profissionais envolvidos nesses episódios, portanto o relato deve ser entendido como a versão publicada pela própria mãe.

RELATOS NÃO PROVAM O QUE OCORREU COM LUIZ OTÁVIO

Esse é justamente o ponto que precisa separar a legítima cobrança da população de uma conclusão precipitada. O fato de outras pessoas relatarem experiências ruins na UPA não significa, automaticamente, que tenha ocorrido erro no atendimento de Luiz Otávio.

Da mesma maneira, a transferência para Barretos e a posterior morte da criança não permitem, sozinhas, afirmar que o atendimento em Olímpia foi adequado ou inadequado.

Para esclarecer o que realmente aconteceu será necessário reconstruir a sequência médica: condições apresentadas pela criança quando chegou à UPA, classificação de risco, exames realizados, diagnóstico inicial, medicamentos ministrados, tempo entre atendimento e transferência, razões que determinaram o encaminhamento e quadro clínico apresentado quando chegou a Barretos.

ASSESSORIA DIZ QUE “TUDO SERÁ APURADO”

Questionada sobre a repercussão, a assessoria municipal informou à reportagem que “o momento é de pesar, de tristeza, de acolhimento à família pela imensa perda” e fez questão de corrigir uma informação que começou a circular nas redes: a criança não morreu na UPA de Olímpia.

Segundo a resposta, Luiz Otávio faleceu na Santa Casa de Barretos, onde já estava internado sob cuidados intensivos. A assessoria afirma ainda que ele passou pela UPA apresentando alterações graves e foi encaminhado para Barretos por se tratar da unidade de referência. A orientação transmitida é de que “a causa da morte, todos os procedimentos realizados, tudo será apurado”.

A mensagem encaminhada não foi apresentada como nota oficial da Prefeitura, mas como base das informações fornecidas pela assessoria sobre o episódio.

APURAÇÃO PRECISA RESPONDER ÀS DÚVIDAS

A morte de uma criança naturalmente transforma qualquer discussão sobre atendimento médico em um assunto extremamente sensível. Há uma família que perdeu um filho de apenas 6 anos e, antes de qualquer disputa política ou julgamento nas redes sociais, existe uma causa de morte que ainda precisa ser tecnicamente esclarecida.

Mas a quantidade de relatos que surgiu após o caso também não deve simplesmente ser ignorada. Eles não substituem prontuários, perícias ou investigação, mas revelam dúvidas de usuários sobre classificação de risco, diagnósticos, exames e estrutura da UPA. A apuração anunciada pelo município terá importância não apenas para esclarecer o que aconteceu com Luiz Otávio, mas também para responder objetivamente se houve alguma falha e, caso tenha ocorrido, quais providências serão adotadas para evitar que ela se repita.

 

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