21 de outubro | 2025
Homem confessou feminicídio de cantora internado em hospital após acidente de carro que deixou 30% do seu corpo queimado
MANHÃ VIOLENTA EM OLÍMPIA
Luciana Rodrigues da Cruz, de 43 anos, foi assassinada com um golpe de faca dentro de casa em Olímpia. O ex-marido, Francisco das Chagas Araújo dos Santos, confessou o crime ao recobrar a consciência na Santa Casa, onde segue internado sob escolta policial.




Segundo o boletim de ocorrência, o caso foi inicialmente registrado como morte suspeita e encontro de cadáver, mas as investigações confirmaram tratar-se de feminicídio, praticado por razões de gênero.
CORPO FOI ENCONTRADO
PELO FILHO DE 14 ANOS
De acordo com o boletim, o corpo da cantora foi encontrado pelo próprio filho adolescente, de 14 anos. O jovem contou à polícia que, ao chegar em casa, percebeu o imóvel trancado e a chave deixada na janela. Ao olhar para dentro, viu a mãe caída no sofá, já sem vida. Desesperado, chamou familiares e vizinhos, que acionaram a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
Os policiais militares cabo Pessoa e cabo Torres atenderam a ocorrência e constataram que Luciana já apresentava rigidez cadavérica. Não havia sinais de luta nem de desordem no local. O Corpo de Bombeiros confirmou o óbito e a área foi isolada até a chegada da perícia técnica.
PERÍCIA ENCONTROU FERIMENTO NO PEITO
O perito Rones, responsável pela análise no local, informou que, ao movimentar o corpo, constatou um corte na altura do peito, do lado esquerdo, causado por instrumento pérfuro-cortante, possivelmente uma faca.
Apesar da gravidade do ferimento, não foram encontradas manchas de sangue ou rasgos na roupa da vítima, o que indica que o golpe foi desferido de curta distância e sem resistência. Nenhuma arma foi localizada dentro da residência nem nas proximidades.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Barretos para exames necroscópicos e confirmação da causa da morte.
ACIDENTE NA FUGA
REVELOU A AUTORIA DO CRIME
Enquanto os peritos ainda trabalhavam na casa, a Polícia Militar recebeu a informação de um acidente na Rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), envolvendo um veículo VW/Gol branco. O carro havia colidido contra a traseira de um caminhão e pegado fogo em seguida.
O motorista foi socorrido em estado grave e levado inconsciente à Santa Casa de Olímpia. No hospital, ao recobrar a consciência, ele foi identificado como Francisco das Chagas Araújo dos Santos, ex-marido de Luciana e principal suspeito do crime.
CONFISSÃO E PRISÃO E FLAGRANTE
Durante a conversa com os policiais, Francisco confessou espontaneamente que matou a ex-companheira com um único golpe de faca no peito após uma discussão. Segundo seu relato, o casal discutiu por volta das 8h da manhã e, após o crime, ele trancou a casa e fugiu dirigindo o carro, vindo a colidir na rodovia.
O delegado de plantão lavrou o flagrante e o indiciou por feminicídio, com base no artigo 121, §2º, inciso VI, do Código Penal. O registro foi feito na Delegacia de Polícia de Olímpia às 23h05 do mesmo dia (segunda-feira, 20) sob a supervisão do delegado Cesar Aparecido Martins.
CANTORA ERA
CONHECIDA NA REGIÃO
Luciana Rodrigues da Cruz era uma figura conhecida e querida no cenário musical de Olímpia e região. Cantava em bares, feiras e eventos, e era elogiada por colegas e admiradores pela voz marcante e simpatia. Nas redes sociais, artistas e amigos lamentaram a perda, destacando seu carisma e alegria de viver.
Familiares informaram que Luciana e Francisco estavam separados e que o relacionamento era conturbado. Segundo pessoas próximas, o homem demonstrava comportamento ciumento e possessivo, não aceitando o término da relação.
ESCALADA DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES
O assassinato de Luciana é mais um caso de feminicídio em Olímpia, que enfrenta um preocupante aumento de crimes contra mulheres. Em menos de 10 dias, o município registrou uma morte violenta e um tentativa motivadas por relacionamentos abusivos.
A tragédia reforça a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica e ao apoio de vítimas em situação de risco, num momento em que o país vive uma epidemia de crimes de gênero.
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