01 de maio | 2025

O trabalho se transforma com o tempo e pode deixar de ser como conhecemos

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O MUNDO E O TRABALHO MUDARAM!
Desde os tempos das cavernas até as plataformas digitais, o trabalho passou por transformações profundas, refletindo mudanças tecnológicas, sociais e econômicas. De prática coletiva e comunitária, tornou-se uma atividade especializada, hierarquizada e, posteriormente, mercantilizada, com variações radicais ao longo dos séculos.

Na filosofia, o trabalho já foi visto como punição (na Bíblia), como virtude (na tradição protestante) e como alienação (em Marx). Na economia, é um dos fatores fundamentais de produção, ao lado da terra e do capital. Já a psicologia entende o trabalho como fonte de identidade e bem-estar, além de meio de subsistência.

Sob a perspectiva histórica, o trabalho se liga à sobrevivência, mas evolui conforme a sociedade se complexifica. No passado, caçadores e coletores já se dividiam em tarefas. Com a agricultura, surgiram ofícios e especializações. Mais tarde, o comércio e os centros urbanos permitiram o surgimento de ofícios estáveis e estruturas de poder associadas ao trabalho.

DA ESCRAVIDÃO À PEJOTIZAÇÃO:
AS FORMAS DE EXPLORAÇÃO DO TRABALHO

O trabalho nunca foi apenas uma escolha. A escravidão antiga, a servidão feudal e o trabalho forçado em colônias mostram que, por muito tempo, o trabalhador não era dono de sua própria força de trabalho. A Revolução Industrial marca uma mudança importante: nasce o trabalhador assalariado. Mas a troca da senzala pela fábrica, muitas vezes, trouxe apenas outra forma de dominação.

No Brasil, mesmo após a abolição da escravidão em 1888, muitos ex-escravizados permaneceram sem acesso a terras ou trabalho digno, reproduzindo desigualdades históricas. Atualmente, com o avanço da tecnologia e a flexibilização das leis trabalhistas, surgem novas formas de relação: a pejotização, o trabalho por aplicativos e o crescimento do microempreendedorismo individual.

SURGIMENTO
DO DIA DO TRABALHO
E SUAS CONTRADIÇÕES

O 1º de Maio tem origem nos protestos operários de 1886 em Chicago, nos Estados Unidos, pela jornada de oito horas. A repressão e a morte de manifestantes marcaram a história do movimento sindical, e a data foi instituída em 1889 pela Segunda Internacional como Dia Internacional do Trabalhador.

No Brasil, o feriado foi oficializado em 1925, e, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, transformado em ocasião de anúncios trabalhistas. Hoje, ainda é símbolo de lutas por direitos, mas em muitos casos virou apenas uma data comemorativa, afastada das pautas sociais que a originaram.

A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
E A AMEAÇA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Com a automação, a inteligência artificial e os robôs, o mercado de trabalho passa por nova revolução. Funções repetitivas, administrativas ou operacionais estão entre as mais afetadas. Em contrapartida, cresce a demanda por habilidades criativas, analíticas e sociais.

Estudos internacionais apontam que, até 2027, cerca de 23% dos empregos devem desaparecer ou se transformar. No Brasil, a informalidade cresce, a CLT perde espaço e cresce o número de PJs e MEIs. A revolução digital cria oportunidades, mas também exclui quem não se adapta.

O IMPACTO DAS TELAS
E DO ENVELHECIMENTO NO TRABALHO

Outro fator que altera a dinâmica do trabalho é o uso excessivo de telas. Estudos recentes apontam queda de produtividade, dificuldade de concentração e efeitos neurológicos ligados ao chamado “cérebro podre”, condição relacionada ao consumo intensivo de conteúdo digital e redes sociais.

Paralelamente, o envelhecimento populacional pressiona o mercado a incluir idosos, que vivem mais e, muitas vezes, precisam ou desejam seguir ativos. A valorização da experiência e o combate ao etarismo são desafios urgentes para a economia multigeracional.

NOVOS CAMINHOS:
O FUTURO DO TRABALHO É FLEXÍVEL,
TECNOLÓGICO E HUMANO

O trabalho do futuro tende a ser descentralizado, com modelos híbridos, jornadas reduzidas e maior foco em qualidade de vida. A educação contínua será essencial, com valorização de competências socioemocionais e domínio de ferramentas digitais.

Profissões ligadas à sustentabilidade, à saúde mental, à tecnologia e ao cuidado humano devem crescer. Enquanto isso, o debate sobre renda básica universal e novos contratos sociais ganha força. O trabalho, como o conhecemos, está longe de desaparecer – mas sua forma, finalidade e significado certamente vão mudar.

 

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