25 de maio | 2025
Olímpia enfrenta piora do ar e riscos ambientais durante seca
ESTIAGEM, FUMAÇA E SAÚDE PÚBLICA!
A atmosfera de Olímpia tem mudança visível durante o período de seca. Queimadas, ventos e falta de chuvas formam cenário de poluição que traz prejuízos à saúde e alerta autoridades sobre perigos do período de estiagem.
A chegada dos meses de seca no Noroeste Paulista marca o início de um período de risco elevado para a população e para o meio ambiente em Olímpia. Com a baixa umidade do ar, ausência de chuvas e ventos constantes, o município volta a registrar aumento nas queimadas, fumaça visível e presença de poeira que altera a paisagem e impacta diretamente a qualidade de vida dos moradores.
O problema, recorrente nesta época do ano, se agrava com a propagação do fogo em áreas urbanas e rurais, além do uso irregular do fogo para limpeza de terrenos e descarte de resíduos. Os efeitos da estiagem, associados à prática ilegal das queimadas, têm mobilizado as autoridades e elevado o número de atendimentos por complicações respiratórias nas unidades de saúde da cidade.
ORIGEM DAS CHAMAS E IMPACTO NO MEIO AMBIENTE
As queimadas têm múltiplas causas na região. Em áreas rurais, o fogo é frequentemente utilizado de maneira irregular para limpeza de pastagens, manejo de resíduos agrícolas e queima de palha de cana-de-açúcar, apesar de proibido sem autorização dos órgãos ambientais. Já em áreas urbanas, a prática é usada para eliminar lixo, entulhos e restos de poda.
Em 2024, segundo dados de órgãos ambientais, Olímpia e região registraram mais de mil focos de calor entre maio e setembro, com episódios graves de incêndio em agosto, quando grandes extensões de áreas agrícolas e matas foram atingidas. No período mais crítico, a prefeitura decretou situação de emergência ambiental, e equipes do Corpo de Bombeiros atuaram em plantão reforçado para controlar os focos.
Além da destruição da vegetação e ameaça à fauna local, as queimadas provocam emissão de gases poluentes e material particulado fino, responsáveis pelo agravamento da poluição atmosférica e pelos danos à saúde.
FUMAÇA E TERRA NA ATMOSFERA
Nos últimos dias, Olímpia, em vários momentos, ficou coberta por uma névoa marrom, perceptível a olho nu e sentida em todos os bairros. Sem contar o cheiro de fumaça sufocante. Especialistas apontam que, além da fuligem das queimadas, ventos fortes característicos da estação levantam o solo seco de estradas de terra e áreas de cultivo, misturando poeira ao ar já contaminado pela fumaça.
O resultado é a formação de um “aerossol híbrido” – mistura de partículas de fuligem, terra e resíduos orgânicos –, que reduz a visibilidade e potencializa sintomas de irritação nos olhos, nariz e garganta. A cor de terra, característica da fumaça observada recentemente, é explicada pela presença de óxidos de ferro do solo barrento, suspensos pelo vento junto à poluição.
SINTOMAS E QUEM MAIS SOFRE
O material particulado lançado ao ar durante as queimadas pode atingir o trato respiratório inferior, agravando quadros de asma, bronquite, rinite alérgica e outras doenças pulmonares. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com histórico de problemas respiratórios são os mais afetados. Dados do setor de saúde indicam aumento nos atendimentos de casos de tosse, dificuldade para respirar, ardência nos olhos e agravamento de doenças crônicas nesta época do ano.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, recomenda-se que a população evite atividades físicas ao ar livre em dias de fumaça intensa, mantenha portas e janelas fechadas, utilize toalhas úmidas em vãos de portas e beba mais água para proteger as vias respiratórias.
POLUIÇÃO DO AR E CONTROLE DE QUALIDADE
O município de Olímpia ainda não possui estação automática de monitoramento da qualidade do ar, mas as informações regionais, fornecidas por órgãos estaduais e nacionais, apontam que, nos dias de maior ocorrência de queimadas, os níveis de material particulado superam o recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O quadro é agravado pela inversão térmica, comum nas manhãs frias, que impede a dispersão dos poluentes e concentra a fumaça próxima ao solo.
A população pode acompanhar boletins da Defesa Civil, que orienta sobre riscos à saúde e orienta buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes.
MULTAS E CANAIS DE DENÚNCIA
A queima de lixo, resíduos ou vegetação é proibida em Olímpia pela Lei Municipal nº 4.076/2016 e pela legislação ambiental estadual e federal. A prática é considerada crime ambiental e pode resultar em multas superiores a R$ 8 mil, além de responder a processo administrativo ou criminal.
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 162, pelo site http://olimpia.eouve.com.br, diretamente à Secretaria de Zeladoria e Meio Ambiente (17 3281-6252), Defesa Civil (199) e, em áreas rurais, à Polícia Ambiental pelo telefone 0800 132060. Para casos de incêndio ativo, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo número 193.
COMO REDUZIR RISCOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Além de evitar práticas de queimada, moradores devem manter terrenos limpos, não acumular lixo e promover a limpeza preventiva de folhas secas e restos vegetais. Propriedades rurais precisam manter aceiros bem demarcados e evitar qualquer uso de fogo sem autorização. A utilização de máscaras do tipo PFF2, que filtram partículas finas, e o uso de umidificadores de ar são recomendados em períodos de maior poluição.
A prefeitura reforça que o período crítico de seca se estende até setembro e que a colaboração de toda a comunidade é fundamental para prevenir danos ambientais e proteger a saúde coletiva.
DURAÇÃO DO PROBLEMA E PERSPECTIVAS
A estiagem e o risco de queimadas são fenômenos recorrentes em Olímpia e região durante o outono e inverno, e a tendência é de que esses eventos se agravem caso as práticas de manejo de resíduos e limpeza de áreas não mudem. O incentivo a políticas de educação ambiental, a fiscalização efetiva e o engajamento dos moradores são apontados como essenciais para reduzir o impacto do fogo e da poluição.
A expectativa é que, com o retorno das chuvas a partir de setembro, a situação volte ao normal. Até lá, a atenção segue redobrada, e o município se mantém em alerta para evitar tragédias como as registradas em anos anteriores, quando grandes áreas foram devastadas e a saúde pública ficou em risco.
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