26 de março | 2012
Para diretor clínico notícias do PS respingam na Santa Casa
O diretor clínico da Santa Casa de Olímpia, médico Nilton Roberto Martinez (foto), afirmou para a editoria desta Folha na quinta-feira desta semana, dia 22, que os termos “bater na Santa Casa” e a “Santa Casa está apanhando”, utilizadas na noite do dia anterior quando ocorreu uma “entrevista coletiva” na instituição para divulgação do balancete fiscal do ano de 2011, foram forças de expressão, já que entende que a imprensa é livre tanto para noticiar quanto para criticar.O que quis dizer é que as notícias veiculadas mostrando situações falhas do pronto socorro criaram uma imagem na população de desconfiança no hospital como um todo, de um modo geral, quando entende que o hospital que, embora com seus problemas de hospital de cidade pequena, vem funcionando a contento, com baixos índices de infecção e com altos índices de recuperação de seus pacientes e não pode pagar pelas falhas no Pronto Socorro, que é uma obrigação do Estado (União,
Estado e município) que têm que assumir a sua responsabilidade.
“Tanto que não assumo e não vou assumir os problemas que ocorrerem lá. Já denunciei a última situação que tive conhecimento ao CRM e ao Promotor e, se outras ocorrerem, vou continuar denunciado”, voltou a avisar.
“O que entendo que é correto na atual situação é que sempre que tenha alguma denúncia, ou mesmo que a imprensa fique sabendo de qualquer problema que aconteça no hospital, que me procure que vamos procurar esclarecer todas as dúvidas em conjunto e, inclusive, vamos fazer de tudo para que se erros ocorrerem, que sejam corrigidos”, acrescentou.
Martinez esteve presente na entrevista coletiva como “curioso” (sic), mas foi ele que mais se manifestou sobre os problemas reais que o pronto socorro, que funciona em prédio anexo à edificação do hospital, durante mais de 20 minutos, pedindo para que a imprensa em geral pare de “bater” no hospital “por dele”.
Para o diretor clínico há distinção entre o hospital e o pronto socorro. “Há uma distinção muito clara do que é pronto socorro e do que é Santa Casa. E o hospital Santa Casa funciona absolutamente normal”, enfatizou.
“Estamos operando com todas as deficiências de um hospital pobre, mas não falta nada, não falta medicação, nosso índice de infecção hospitalar é baixíssimo, nosso índice de mortalidade é muito baixo e temos alta resolutividade”, acrescentou.
No entanto, não deixou de tecer críticas à intervenção imposta pelo prefeito Eugênio José Zuliani, que com apoio do Ministério Público local, expulsou a então provedora Helena de Souza Pereira da entidade, com a desculpa de que sanearia todos os problemas que ainda persistem, como, por exemplo, a falta de vagas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e até, pelo que aparentou na madrugada desta sexta-feira, dia 23, a falta dos chamados plantonistas à distância que, quando escalados permanecem à disposição mesmo que em outro ponto da cidade.
“Alguém disse para alguém que a Santa Casa seria fácil administrar, ainda mais com o dinheiro do SUS, e que vai muito dinheiro para a Santa Casa. Alguém é o sujeito oculto, não sabemos quem seja.
E, nessa brincadeira, enxotaram a Helena daqui achando que ela roubava, que administrava mal, que o Mário (Flores) também administrava mal, que médico ganhava uma fortuna aqui dentro, e, num primeiro momento, em decorrência dessa atitude, tivemos uma catástrofe inicial porque, quando entrou aqui dentro um indivíduo sem experiência, embora com boa vontade, ele percebeu que, na prática, a coisa é muitíssimo diferente das informações iniciais.
Uma coisa que estava querendo se coalisar, de repente foi para o buraco, de uma vez”, afirmou logo de início.
FALTA NEUROCIRURGIÃO
Mas assim como Helena Pereira, Martinez também reclamou da falta de um neurocirurgião atuando na Santa Casa. “Se tivesse um neuro aqui teríamos uma fuga de pacientes graves bem menor (para outros centros). Isso (a falta do neuro) nos impede de tratar”, justificou.
“Agora, pronto socorro não significa Santa Casa. Ele é uma área da Saúde em que a Prefeitura e os governos Federal e Estadual é que devem manter, não é a Santa Casa”, afirmou.
“Nós atendemos aqui 70% a 80% de SUS e recebemos 28% do dinheiro arrecadado. Unimed atendemos 30% e recebemos 22%.
É humanamente impossível administrar qualquer hospital com dinheiro do SUS”, explicou. Mas Martinez apontou um exemplo.
“Uma pancreatite aguda custa R$ 275. Se evolui bem, talvez empate ou (o hospital) tenha prejuízo pequeno. Se evolui como 20% dos casos evoluem para pior (o paciente vai para UTI), opera e sai R$ 20 mil, R$ 30 mil, até R$ 40 mil. Isso quebra qualquer hospital”, reforçou. Para Martinez “se depender do SUS não se consegue tocar”.
Além disso, afirma que em Olímpia há muitos acidentes com motocicletas: “como aqui é muito rápida a transferência da vítima do local da cena do acidente até o hospital a mortalidade é baixa, mas este doente fica muito tempo internado. É um gasto estúpido”.
Já sobre a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 Horas prestes a ser inaugurada, Martinez, além de achar que deveria ser localizada ao lado do hospital, tem um pensamento crítico.
“Quando o prefeito disse que iríamos experimentar a Gepron eu disse para não abrir a UPA sem antes ela (empresa) saber o que está acontecendo. E sem que o pessoal novo tenha conhecimento da realidade”, contou.
“Quando vem um jovem (médico para o plantão) nos dá arrepio. Porque ele não está capacitado para atender nestas condições.
Não podemos puni-los e nem proibi-los, porque a lei os autoriza a fazer o que quiserem. Mas um jovem não tem a responsabilidade necessária”, acrescentou, considerando que seria a causa dos problemas de atendimento.
“Por isso acho que a Santa Casa não pode apanhar pelo pronto socorro. Porque a Santa Casa não é o pronto socorro”, enfatizou.
“Temos um corpo clínico bom. Mas no pronto socorro não sabemos quem vem (plantonista). Não sabemos quem vão mandar, mandam o melhor, mas o melhor não é aquele com formação a altura”, reforçou.
“O que peço é que antes de bater na Santa Casa vamos ver o que está acontecendo. Não escondo nada. O dia que achei que não estava certo (faltou o plantonista) fui e fiz uma denúncia. Não estamos aqui para brincar com a vida dos outros”, finalizou.
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