27 de junho | 2026
Roraima estreia no FEFOL e Região Norte leva a riqueza da cultura amazônica para Olímpia
Grupos do Pará, Roraima e Tocantins apresentam carimbó, tambor marajoara, suça e tradições indígenas, caboclas e afrodescendentes na 62ª edição do Festival do Folclore
A diversidade cultural da Amazônia brasileira ganhará destaque no palco do 62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL), que será realizado de 1º a 9 de agosto, com entrada gratuita. Representada por grupos do Pará, Roraima e Tocantins, a Região Norte levará ao público apresentações que reúnem carimbó, tambor marajoara, suça e manifestações de matrizes indígena, cabocla e afrodescendente. Um dos grandes destaques desta edição é a estreia de Roraima no festival, ampliando ainda mais a representatividade nacional do evento.
Criado em 1965 e realizado de forma ininterrupta desde então, o FEFOL é considerado um dos maiores e mais tradicionais festivais de cultura popular do Brasil. Neste ano, o evento reúne mais de 70 grupos folclóricos de todas as regiões do país sob o tema “Aquele Abraço”, celebrando também o Jubileu de Alecrim. Durante nove dias, Olímpia se transforma em uma vitrine das manifestações culturais brasileiras, reunindo milhares de artistas e visitantes.
PARÁ TRAZ CARIMBÓ E TAMBOR MARAJOARA
O estado do Pará será representado por dois grupos. De Belém, a Associação Cultural Sabor Marajoara retorna ao festival levando o tradicional carimbó e outras manifestações da cultura popular amazônica. Fundada em 1989 e reconhecida como Ponto de Cultura, a entidade desenvolve há mais de três décadas um trabalho voltado à pesquisa, preservação e difusão das tradições paraenses, participando de festivais em diversas regiões do Brasil.
Outra novidade será a estreia do Grupo Cultural e Parafolclórico Eco Marajoara, da cidade de Soure, na Ilha de Marajó. Criado em 1988 a partir de um projeto de educação ambiental ligado à Universidade Federal do Pará (UFPA), o grupo une dança, teatro e o batuque do tambor marajoara para retratar as tradições ribeirinhas, a biodiversidade amazônica e a identidade cultural do povo marajoara. Em seus 37 anos de história, já participou de diversos festivais pelo país.
RORAIMA PARTICIPA PELA PRIMEIRA VEZ DO FESTIVAL
Pela primeira vez, o estado de Roraima integrará a programação do Festival do Folclore de Olímpia. A estreia ficará por conta do Grupo Folclórico Tribo Waiká, criado em 2020 durante a pandemia de Covid-19 com recursos da Lei Aldir Blanc. O nome faz referência a uma das tribos ancestrais que habitavam a região do Rio Branco e sua proposta artística foi inspirada no Festival das Tribos de Juruti, no Pará.
As apresentações do grupo combinam dança, música e artes cênicas para destacar as matrizes indígenas e caboclas que compõem a identidade cultural roraimense. O espetáculo também busca preservar mitos, personagens e ritmos tradicionais que, segundo os integrantes, correm o risco de desaparecer com o passar das gerações.
TOCANTINS PRESERVA A TRADIÇÃO DA SUÇA
Representando o Tocantins estará o Grupo de Suça “Tia Benvinda”, da cidade de Natividade, considerada a mais antiga do estado e reconhecida como Patrimônio Cultural Nacional. Criado em 2017, o grupo nasceu a partir de um projeto escolar voltado à preservação da suça, manifestação cultural de origem afrodescendente ligada ao ciclo do ouro na região.
Hoje formado por cerca de 50 jovens, o grupo é coordenado pela professora Verônica Tavares e conta com o apoio de mestres populares. O nome homenageia Tia Benvinda, personagem fundamental na transmissão dessa tradição às novas gerações desde a década de 1990. A suça é marcada por cantorias, viola, tambores e forte presença nas festas populares e folias do catolicismo popular tocantinense.
FESTIVAL DEVE RECEBER 180 MIL VISITANTES
Ao reunir manifestações culturais da Amazônia, do Cerrado e de diferentes territórios brasileiros, o FEFOL reforça seu papel como espaço de preservação e valorização das tradições populares. Segundo a secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia, Priscila Foresti, o evento reafirma seu compromisso com a diversidade cultural brasileira.
“A cada edição, o FEFOL reafirma seu compromisso com a preservação e valorização da cultura popular. É um trabalho construído com responsabilidade e respeito à diversidade que o festival representa”, afirmou.
O prefeito Geninho Zuliani destacou que a estreia de Roraima amplia ainda mais o alcance nacional do evento. “Ver a Amazônia representada no nosso palco, com a estreia de Roraima, mostra o quanto o FEFOL aproxima o Brasil. Olímpia tem orgulho de abrir as portas para tradições que vêm de tão longe e que encontram aqui o reconhecimento que merecem”, disse.
MAIS DE 130 APRESENTAÇÕES EM NOVE DIAS
Com o tema “Aquele Abraço”, a 62ª edição do Festival do Folclore de Olímpia será realizada entre os dias 1º e 9 de agosto, no Recinto do Folclore “Professor José Sant’Anna”. O evento reunirá mais de 70 grupos folclóricos, sendo mais de 50 provenientes de 21 estados brasileiros e outros 20 de Olímpia.
Ao todo, cerca de 2.800 artistas, músicos e coordenadores participarão da programação, que contará com mais de 130 apresentações noturnas e aproximadamente 50 atividades diurnas em escolas, ruas, comércio e espaços públicos da cidade. A expectativa da organização é receber cerca de 180 mil visitantes durante os nove dias de festival, consolidando Olímpia como a Capital Nacional do Folclore.
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