28 de junho | 2009
Sistema de distribuição de água é “colcha de retalhos inacabada”

Pelo menos é isso o que se pode depreender das informações do superintendente geral do Departamento de Água e Esgoto do Município de Olímpia (DAEMO), Valter José Trindade, ao avaliar as condições de sustentabilidade do sistema com um provável crescimento do consumo, gerado pelo crescimento do turismo que ronda o município.
“O sistema de Olímpia deixa realmente preocupado porque não é uma situação das melhores que existe”, avaliou.
A capitação no Jardim São José, por exemplo, que atende cerca de 45% do consumo, com o crescimento da cidade não teve continuidade no processo de aproveitamento de água de superfície, que Trindade avalia ser uma imensa riqueza do município. Ele cita várias fontes que podem ser utilizadas para abastecer a cidade, dentre elas, o rio Cachoeirinha que está a cerca de três quilômetros.
Mas ele cita também o rio Turvo, que dista cerca de sete quilômetros da cidade e, por outro lado, deixando às águas de superfície, aponta o Aqüífero Guarani, de onde se pode extrair cerca 500 metros cúbicos por poço. “Nada disso foi feito, priorizando os pequenos poços. A cidade aumenta um setor aumenta-se um poço. Vai para outro lado perfura outro poço. Então, Olímpia tem mais de 40 poços servindo a cidade”, informou.
Mas quando se resolver os problemas da captação da água, seja superficial ou subterrânea, novamente se esbarra em dificuldades para prestar o serviço dentro dos padrões de normalidade. “Porque fizeram sistemas individualizados. Micro-sistemas em função dos poços. Teria que fazer uma rede adutora interligando todos os vários poços”, alega. Uma situação que, segundo o próprio diretor, faz o sistema de abastecimento ser composto por várias células de distribuição.
PREOCUPAÇÃO
Trindade defende a idéia de que se há um sistema que abastece a cidade toda, tem, em contra-partida, que haver um único ponto de preocupação. “Como aqui tem 40, você tem 40 pontos de preocupação. Todos os dias você tem problemas num ponto desses. Então a falta de água localizada nesses lugares é muito grande porque queima uma bomba aqui, queima o fusível de um transformador ali e etc”, reclama.
O grande problema é a falta de estrutura para cuidar da manutenção. Se cada poço tem um painel e quando queima uma bomba, por exemplo, só se percebe o problema quando começa a faltar água na casa do consumidor que telefona e somente depois são tomadas as providências. Seria necessário interligar todos os sistemas com a utilização de equipamentos que permitam saber no momento em que a bomba paralisou. Por isso, tanto a captação, quanto a distribuição da água são problemas na cidade de Olímpia que exigem grandes investimentos para a solução.
“Se você pensar em trazer água do Cachoeirinha vai precisar de em torno de 10 milhões de reais. Se você pensar em fazer um poço do Aqüífero Guarani vai gastar em torno de quatro milhões para ter dois poços. E a rede também é cara, não fica barato. Então precisa de R$ 15 milhões para resolver o problema, mas estou fazendo um diagnóstico. É possível fazer aos poucos, conviver com a situação atual investindo para melhorar até chegar a um ponto ideal”, compara o diretor.
Porém, nada está definido e, segundo o diretor do DAEMO, pode também se pensar em tratar a água utilizada pelo Thermas que, segundo consta, seria inviável por ser um sistema muito caro. Por isso pretende fazer análises técnicas para não decidir de maneira errada.
“Pior ainda que a rede não foi dimensionada para toda a cidade. É para aqueles micro-loteamentos. Então, é uma característica técnica de difícil solução se você quiser fazer uma fonte de abastecimento de, por exemplo, pegar o Cachoeirinha e tratar um milhão de litros de água para distribuir na cidade. Hoje você não tem as redes mestras para fazer a distribuição, teria também que fazê-las”, justifica sua preocupação.
Sobre a rede de distribuição, propriamente dita, Trindade informa que não existe nenhum tipo de cadastro dentro da autarquia. “O de esgoto foi feito recentemente, mas de água não existe nada. Estamos aparelhando nossa equipe técnica, que não tinha no DAEMO do nível de planejamento e vamos levantar toda essa rede e digitalizar”, explica.
Mas há muitas dificuldades para realizar o trabalho. Tem equipamentos, por exemplo, que localiza a tubulação enterrada, mas quando os canos são de ferro, mas a bitola tem que perfurar o local para saber.
“Sabe que você tem um cano com água ali, mas não sabe que espécie que é e o volume de água que passa ali. Então, tem que fazer sondagens em determinados pontos para fazer o cadastro correto. Estamos montando equipamentos e treinando pessoal. Estamos adquirindo um software para ficar no DAEMO. Não adianta você levantar e colocar num papel e daqui a pouco isso se perde ou uma pessoa leva embora”, ensina.
ETA CECAP
Considerado um local privilegiado para o tratamento e armazenamento de água, a obra da Estação de Tratamento de Água (ETA), que começou a ser construída ao lado do Jardim Cecap, zona leste da cidade e chegou a ficar conhecida popularmente como “elefante branco”, não está completamente descartada e pode ser até utilizada na remodelação do sistema.
“A pessoa que idealizou fazer não estava errada. Infelizmente não conseguiram fazer. Teve problemas e levantaram só uma caixa de concreto, mas acredito que não pode perder aquilo. Se tecnicamente a engenharia civil avaliar a construção e verificar que não estiver danificada, tem que se aproveitar nem que for para depósito de água. Porque ai você depositaria ali quase dois milhões de litros de água”, comenta o diretor.
Entretanto, se as opções são várias, ainda não há uma definição de como melhorar a captação de água.”Tem várias possibilidades, mas tudo que você vai fazer envolve muito dinheiro, então você tem que fazer um projeto para ter um custo benefício o melhor possível”, reforça.
“A situação atual vai se mantendo. Se você mantiver essa situação, onde surge um loteamento você vai e perfura um poço e liga. É uma situação que vai atendendo, mas vai aumentando os problemas e o custo, se você imaginar que para ter uma eficiência no abastecimento, para não deixar faltar água nessas células durante as 24 horas, teria que ter um controle eletrônico de cada ponto desses e ter uma manutenção preventiva violenta para não passar por problemas de fazer uma manutenção noturna, para não desligar, uma vez que os reservatórios são pequenos. Esse sistema para ter eficiência de 100 por cento é caro”, explica.
ÁGUA SUBTERRÂNEA
Se o Aqüífero Guarani pode até ser uma solução, mesmo assim há o problema do lençol freático que vai diminuindo a capacidade por causa da quantidade de poços. “O Aqüífero Guarani é tido como o maior do mundo, mas sou reticente com a utilização dele. Se nós temos água de superfície sobrando, porque não utilizar para não retirar água do solo? Você deixa como reserva e vamos utilizar a água de superfície”, conta.
Por isso, o diretor avisa que é preciso cuidar dos mananciais, principalmente com as Áreas de Preservação Permanente (APP) para “nós não diminuirmos a qualidade ou degradar a qualidade desses rios”.
Mas ainda não há um levantamento que indique a qualidade dessas reservas. “O prefeito está preocupado com isso e assinou um convênio para levantar todo o município, toda a área rural, todas as nascentes e todos os rios. Isso será mapeado e será trabalhada a preservação das margens desses rios”, finaliza.
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