09 de novembro | 2025

“Tristeza e fome de justiça”: o desabafo da viúva do cobrador olimpiense Diego em sua visita a Icaraíma

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VIÚVA DE OLIMPIENSE VAI AO PARANÁ!
Fabrícia refaz os últimos passos do marido e volta sem respostas da polícia. Três meses após a chacina, Fabrícia Affonso visitou a padaria onde o marido tomou o último café e a chácara onde ocorreria a negociação. Ela lembrou a última conversa com Diego, que a alertou sobre o perigo: os suspeitos — pai e filho, ainda foragidos — estavam armados.

A dor da perda, agravada pela impunidade, levou a viúva do cobrador olimpiense Diego Henrique Affonso de volta ao local da tragédia. Três meses depois do assassinato de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, Fabrícia visitou a cidade pela primeira vez na quarta-feira (5). Ao lado de Meire Marascalchi, esposa de Rafael Juliano Marascalchi – outra das vítimas -, ela procurou respostas que seguem ausentes.

A chacina chocou o país. As vítimas – Diego, Rafael, Robisley (também cobrador) e o produtor rural Alencar Gonçalves de Souza – foram encontradas mortas e enterradas em um buraco, após uma viagem para cobrar uma dívida. Os principais suspeitos, Antônio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, continuam foragidos. Para as famílias, o silêncio da polícia nesses 90 dias apenas aumenta o sofrimento.

A JORNADA DOLOROSA DE FABRÍCIA

Para Fabrícia, a viagem foi um desafio emocional. Em entrevistas concedidas a veículos de imprensa do Paraná, ela contou por que só agora decidiu ir até lá: “É a primeira vez que venho aqui, e não é fácil”. A demora, segundo ela, se deve ao estado de saúde do sogro, pai de Diego, que enfrenta um câncer.

A sensação de abandono pelas autoridades é o que mais a revolta. “É muito difícil, porque além de ser longe, a gente tem que vir pra cá pra tentar uma resposta ou justiça, e não consegue nada”, desabafou. Com a voz embargada, resumiu o sentimento: “Três meses sem nada, sem nenhuma notícia”. Disse sentir um misto de “desespero” e “tristeza”.

“SABIA QUE OS SENHORES ESTAVAM ARMADOS”

Durante a visita Fabrícia refez os passos do marido, passando pela padaria onde os quatro homens tomaram café pela última vez. Recordou também a última conversa com Diego. “Ele saiu de casa na segunda-feira de manhã. À tarde, disse que estava procurando um lugar pra jantar, talvez em Douradina”, contou.

Naquela noite, ele ligou para ela e para o pai, dizendo que havia conversado com “o senhor e o filho” — Antônio e Paulo Buscariollo — e que o encontro seria no dia seguinte. Um detalhe, porém, a deixou apreensiva: “Ele falou que o velho estava armado”. Fabrícia lembra que insistiu: “A gente falou: ‘Diego, toma cuidado, toma cuidado vocês aí’”.

O ÚLTIMO “BOM DIA” E O SILÊNCIO

Na terça-feira, ainda houve uma troca de mensagens. “De manhã, dei bom dia, ele me mandou um áudio”, disse Fabrícia. Mas, por volta das 13h, o contato cessou. “Quando foi uma hora da tarde ele já não respondeu mais. E até hoje…”, lamentou.

A viúva descreve a perplexidade de ver o crime ocorrer tão longe de casa. “A gente mora longe, aconteceu aqui, numa cidade distante…”, disse. O sentimento é claro: “O que a gente sente é tristeza. E fome de justiça. A gente quer justiça, porque são quatro vidas”. A ausência de respostas agrava o sofrimento. “É muito difícil sem o Diego, que era o alicerce da casa. A família está desolada”, contou.

“NÃO SEI A DATA EM QUE
MEU MARIDO MORREU”

A dor de Fabrícia é compartilhada por Meire Marascalchi, esposa de Rafael, que já esteve seis vezes na cidade. “Se a gente não vier, nada acontece. Só queremos justiça, que alguém pague. São muitos envolvidos e nenhuma resposta”, afirmou. Ela diz que não consegue viver o luto enquanto os culpados estão “vivendo normalmente”.

No braço, Meire carrega uma tatuagem com a assinatura do marido e sua data de nascimento. Abaixo, a data da morte está em branco. O motivo é cruel: “Na certidão de óbito não consta o dia em que ele morreu. Está escrito ‘data inconclusiva’. Então está aqui: quando meu marido nasceu, mas eu não sei quando ele morreu”, disse ao Brasil Urgente.

ADVOGADA DENUNCIA
SIGILO ABSOLUTO E FALTA DE AÇÃO

As viúvas também visitaram a chácara dos Buscariollo, apontada como local da negociação e provável cena do crime. Acompanhadas da advogada Josiane Monteiro, representante das famílias, ouviram críticas severas à condução do inquérito.

Josiane afirma que, após 90 dias, ainda não teve acesso integral ao processo. “Infelizmente, até hoje não tivemos acesso à íntegra do inquérito. Ele está sob sigilo absoluto”, declarou. Segundo ela, vários laudos já estão prontos, mas seguem sem consulta.

“MUITO CÔMODO
PARA A AUTORIDADE POLICIAL”

A advogada acusa a polícia de impedir o acompanhamento do caso. “O advogado, tanto da acusação quanto da defesa, deve fiscalizar o trabalho policial. E isso está sendo cerceado”, criticou.

Josiane também questiona a falta de ação mesmo diante de novas informações sobre o paradeiro dos foragidos. “Já chegaram várias pistas, tanto para nós quanto para a polícia, sobre onde eles estão”, disse. Ela quer saber por que as diligências não foram feitas e por que novos mandados de prisão não foram cumpridos.

Para a advogada, o sigilo serve mais para proteger a inércia da investigação do que o processo em si. “Acredito que esse sigilo absoluto existe para impedir a fiscalização. É muito cômodo para a autoridade policial”, concluiu.
Para Fabrícia, Meire e as demais famílias, resta apenas a dor da perda e a “fome de justiça” que, passados três meses, ainda não foi saciada.

 

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