01 de maio | 2025
Velhos ativos, jovens em transição e o aprender nunca chega ao fim
IDADE TAMBÉM ESTÁ MUDANDO!
Longevidade, educação contínua e impacto digital redefinem perfil do trabalhador. O perfil do trabalhador do século XXI está mudando profundamente. O envelhecimento da população, o uso excessivo de telas, a necessidade de aprender durante toda a vida e a perda de fronteiras entre trabalho e lazer formam o novo cenário. A exigência por atualização é constante, enquanto a saúde física e mental se tornam fatores centrais na manutenção da produtividade.

O envelhecimento populacional exige adaptações das empresas: desde programas de reaproveitamento e mentorias até adequações ergonômicas. A experiência acumulada pelos mais velhos pode ser um ativo importante, especialmente em funções de consultoria, gestão e formação de novos profissionais.
PRECONCEITO ETÁRIO
E FALTA DE INCLUSÃO DIGITAL
Apesar disso, o etarismo ainda é barreira: muitos profissionais acima dos 60 enfrentam dificuldades para se recolocar, especialmente nos setores que exigem fluência digital. A falta de políticas de inclusão tecnológica agrava esse cenário.
A digitalização dos serviços, a automação de processos e a exigência de conhecimentos em novas ferramentas afastam quem não teve acesso ou familiaridade com essas tecnologias ao longo da carreira.
AS TELAS
E O CÉREBRO
DIGITALMENTE DESGASTADO
Ao mesmo tempo, o uso excessivo de dispositivos eletrônicos afeta trabalhadores de todas as idades. Estudos recentes apontam que o consumo intensivo de redes sociais, vídeos curtos e notificações constantes tem diminuído a capacidade de concentração, prejudicando o desempenho profissional.
O chamado “cérebro podre”, expressão popularizada para definir os efeitos nocivos do consumo digital contínuo, inclui sintomas como lapsos de memória, irritabilidade, ansiedade e dificuldades cognitivas, especialmente entre jovens adultos.
APRENDER NUNCA
FOI TÃO NECESSÁRIO
A exigência por novas habilidades não é mais episódica, mas permanente. O conceito de lifelong learning – ou aprendizagem ao longo da vida – passou a ser essencial. O trabalhador moderno precisa estar disposto a requalificações constantes.
A obsolescência acelerada das competências técnicas torna cursos, certificações e treinamentos parte do cotidiano profissional. Dominar novas tecnologias, mas também desenvolver habilidades socioemocionais, passou a ser regra para sobreviver no mercado.
TRABALHADORES JOVENS
E O DILEMA DO PROPÓSITO
As novas gerações, por sua vez, valorizam mais o equilíbrio entre vida e trabalho e a busca por propósito. Profissões que possibilitam flexibilidade, impacto social e desenvolvimento pessoal são cada vez mais procuradas.
No entanto, muitos jovens enfrentam um paradoxo: ao mesmo tempo que valorizam bem-estar, são pressionados por resultados, produtividade e alta performance em um mercado competitivo e instável.
A ERA DAS MICROCARREIRAS
E DOS MULTITRABALHOS
Outro fenômeno crescente é o da multiprofissionalidade. Muitos trabalhadores atuam em mais de uma função, por escolha ou necessidade. As chamadas microcarreiras, somadas ao trabalho por projeto, se tornam comuns.
Com isso, a noção de carreira linear, com estabilidade e progressão em uma única empresa, perde espaço. O profissional do futuro precisará se adaptar a diferentes contextos, aprendendo e se reinventando diversas vezes ao longo da vida.
REDE DE APOIO
E SAÚDE MENTAL
COMO EIXOS CENTRAIS
Frente a esse cenário, a saúde mental ganhou centralidade. Burnout (esgotamento físico, mental e emocional causado pelo estresse crônico, geralmente relacionado ao trabalho), ansiedade e depressão afetam trabalhadores de todas as idades, intensificados pela sobrecarga, pelas incertezas e pela hiperconectividade.
Empresas começam a investir em bem-estar, equilíbrio emocional e práticas de apoio psicológico. O cuidado com a saúde mental deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade estratégica.
O TRABALHO VAI MUDAR AINDA MAIS
E A ADAPTAÇÃO É COLETIVA
O trabalho do futuro não será apenas tecnológico. Ele exigirá empatia, ética, cuidado com o outro e resiliência. As relações serão mais fluidas e o perfil do trabalhador mais diverso – em idade, origem e trajetória.
Enfrentar esses desafios exige ações coordenadas entre governos, empresas, escolas e os próprios trabalhadores. Preparar-se para esse futuro começa agora: com informação, capacitação e disposição para mudar.
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